O blogue de João Vieira

Como se pode notar os trabalhadores portugueses gostam de fazer greves, e parece-me bem, têm todo o direito de mostrar o descontentamento, é um direito. As greves servem também para indicar aos patrões que não se devem encostar e devem estar sempre atentos às necessidades de quem produz e lhes faz ganhar dinheiro.

Parece-me justo que se uma greve atingir valores altos é porque realmente alguma coisa está mal nessa empresa, ou sector, e como tal deveria-se dar os aumentos e condições pretendidas pelos trabalhadores, caso se verificasse o seguinte:
1. se a adesão à greve for superior ou igual a 70%
2. não existirem desempregados com a mesma especialização profissional que não aceitem as condições existentes ou até mesmo "mais baixas", prontos a substituir os trabalhadores correntes

Devemos ter em atenção a maioria dos trabalhadores, mas também teremos em atenção o factor oferta/procura. Ora se tivermos desempregados que estão dispostos a ganhar o mesmo ou menos, não faz sentido aumentar-se ordenados, provavelmente até baixar.

Num futuro próximo até poder-se-ia marcar as greves de um trabalhador, que se fizer greve mais de x vezes é porque está tão infeliz com o emprego, e tão ciente que o país está tão bem, e a julgar existir tanto emprego, que patrão o poderia dispensar em detrimento de outro - pois desempregados com vontade de trabalhar é o que não falta.

Os trabalhadores portugueses têm de tomar consciência dos desempregados que não podem fazer greve, e adoravam poder estar no lugar dos que as fazem.

Fala-se da nova geração, dos recibos verdes, alguns partidos querem extinguir os mesmos, para quê? Uns porque defendem o empregado para a vida, outros só para serem do contra e que denigrem a imagem da política na opinião pública.

Extinguir este sistema vai criar outro, a flexibilidade de trabalho é uma realidade, e para durar.
O trabalho temporário prevê-se o futuro, os trabalhadores têm de se formar constantemente e actualizar-se dos mercados que dão emprego.

Se dizem que antigamente é que era bom porque tinha-se emprego para a vida, tal não é verdade, a maioria da população portuguesa vivia no campo baseada na agricultura outrora sector principal. Estas pessoas trabalhavam para várias empresas diferentes consoante a necessidade. Um exemplo concreto era na agricultura, na altura da vinha iam apanhar uva, na altura da cortiça para a cortiça, a altura do tomate, das laranjas, da azeitona etc.

Não é só por ser em Portugal, qualquer trabalhador que fique efectivo numa empresa com as condições que a lei portuguesa dá, fosse ele finlandês, ou alemão, iria encostar-se exactamente da mesma forma. Não sejamos irrealistas, o trabalhador efectivo com "anos de casa" raramente se esforça para a efectiva produtividade da empresa onde está inserido, seja ela pública ou privada.

É necessário mudar a lei do emprego, e falo por experiência própria na perda de um negócio de um cliente por isso mesmo. Não foi por sermos mais caros que perdi, pois éramos melhores, foi pelo facto de não se poder flexibilizar a mão de obra de uma nova empresa que iria ser montada consoante o tráfego de trabalho que viria da Alemanha.

Só há emprego se houverem empresas, mais empresas nacionais é interessante, mas o factor principal para ajuda no PIB é trazer empresas estrangeiras, e para tal temos de lhes dar no mínimo as condições de flexibilidade de trabalho que eles têm nos próprios países.

Tem-se centrado tudo em questões presentes, ou é as presidenciais, ou é o futebol, as presidenciais pouco farão por nós, e o futebol nada faz de relevante na sociedade, a não ser certos maridos que depois voltam a casa e mal tratam a família quando o seu clube perde. E ficam por se ver as visões para o futuro, projectos e ideias para a nossa sociedade e respectiva economia. Apresentam-se estudos de outros sobre viabilidade de empreendimentos, apresentam-se valores que outros dizem ter investigado, apresenta-se faz-se diz-se tudo o que outros dizem e fazem, mas nada de novo se cria, nenhum estudo novo se cria, tudo o que fazemos em Portugal é falar do que todos os outros já falam... criatividade ZERO, pro-actividade ZERO, originalidade ZERO.

Poderia parecer que o que aqui escrevo é exagero, mas é apenas baseado depois de saber as perspectivas do maior especialista mundial em bancos de energia Matthew Simmons que não é contestado por ninguém da área quando diz que o petróleo já está na curva descendente neste preciso momento. Ele avisa que está para decrescer e que jamais o mundo terá capacidade de dar resposta à falta de energia que aí vem, e iremos viver em anos de marasmo social.

Como será viver no futuro?

O futuro depende da energia, fóssil acima de tudo, o hidrogénio jamais colmatará as falhas que o petróleo vai deixar, todos têm medo de mexer mais na energia nuclear pois a sociedade não gosta tem custos associados e futuro incerto, o vento e as barragens jamais se conseguem criar em espaços de tempo para compensar a perda do petróleo... Pois a evolução de energias alternativas sejam elas quais forem nunca conseguirão em 10 anos substituir o petróleo que se perde em 5 anos. A curva do petróleo chegou aos limites, entre este ano e 2012 tudo aponta para que a produção comece a descendência, e os preços ao contrário de outras épocas estão em aumento progressivo nos últimos 5 anos, aumentando em pouquíssimo tempo de 25 dólares para 65 dólares o barril, mais do dobro.

Tudo o que consumimos é transportado, tudo o que produzimos usa energia(mais de 80% produzida por combustíveis fósseis), e os transportes irão ficar tão caros que jamais alguém irá mais comprar produtos que estejam a mais de 1000Km devido ao preço da energia para o transporte. Construímos dormitórios à volta das cidades porque ir para o trabalho de carro não é um custo muito alto, os grandes centros comerciais a Kms de nossas casas são usados pois vamos de carro ou transportes ainda com preços acessíveis de deslocação. Mas daqui a 15 anos isto começará a desaparecer como forma de vida, daqui a 25 anos é quase garantido que o petróleo que existir será tão baixo que dificilmente Portugal poderá competir com os primeiros da lista a receberem barris do médio oriente como EUA e China, cujos já estão em "guerra" pelo fornecimento vindo da Arábia Saudita. Os EUA já se preparam, já começaram a estratégia de controlo de países com petróleo para que as suas reservas se mantenham em valores o mais benéficos possível. Já olham para outros países do médio oriente para provável invasão e decorrente controlo, os EUA já avisaram a população que a guerra e a deslocação de soldados no médio oriente não tem fim à vista... os EUA não lutam por ideais nem por valores ou religião, eles lutam pela economia,
pelo controlo da energia.

As alternativas darão conta do recado?

Como será a sociedade depois? O vento, o sol, a água, e o hidrogénio (cujo precisa de energia para ser produzido e está longe de ser alternativa) poderiam ser soluções, mas só o seriam se já estivéssemos a investir neles desde os anos 80, pois para termos infra-estruturas para compensar o petróleo falamos de 40 ou mais anos de investimento investigação e construções (o petróleo como é hoje deixará de ser de fácil aquisição já nos próximos 20 anos), e não é só Portugal são todos os outros países também mesmo os norte Europeus, e em muitos maus lençóis os EUA.

Voltar ao desenvolvimento local.

As populações terão de desenvolver tudo localmente pois as deslocações com veículos será caríssima tanto para transporte de bens como para transporte de pessoas para o trabalho. Os bairros terão mais pessoas a deslocarem-se a pé e de bicicleta, terão de desenvolver esforços para criar tudo o que consomem o mais localmente possível, os grandes centros comerciais deixarão de ter os clientes de hoje, e o comércio local será a grande força de vivência das populações. Se hoje 1Km poderá custar 0.05 cêntimos em combustível daqui a 20 anos poderá valer mais que 1 hora de parque num
centro comercial.

Resumindo, o mundo como o vemos agora passará por um marasmo, onde a globalização terá um ferimento quase fatal. Os empregos e a forma de deslocação aos mesmos irão mudar, a agricultura nos países desenvolvidos terá um aumento quando todos menos esperavam pois terão de cultivar muito mais para própria subsistência, o desenvolvimento local será a parte mais importante da nossa vida diária ao contrário dos dias de hoje. Os jornais nacionais darão espaço para os jornais locais, os autores de best sellers nacionais e internacionais terão de se contentar com os best sellers locais e fazerem trabalho extra escrita, tudo terá uma forma de funcionamento
diferente que deve desde já ser preparada.

Poderíamos pensar em soluções para que nos próximos 20 anos as pequenas vilas e aldeias ficassem independentes da energia para consumo caseiro? Criar soluções de vivência em comunidade onde a energia é rara? Manuais de desenvolvimento em comunidades pequenas para a sua independência?

Isto requer um grupo de estudo de pessoas com capacidade de visão, e entendimento nas várias áreas de actuação.