O blogue de Hugo Garcia

À partida poderá parecer anti-natural ou ilegítimo acabar com a raça dos pitbulls, mas tal é desejável e muito legítimo.

O Pitbull foi criado artificialmente para gerar um animal de grande violência. Vários cães violentos foram cruzados de forma a alcançar a mais perfeita máquina de matar. E conseguiram.

Agora importa perceber um pouco de reprodução genética.
Quando um casal de irmão têm um filho, esse filho tem uma probabilidade muito maior de ser deficiente. Isto porque está a provir de um grupo genético fechado, criando tendências para comportamentos patológicos. Ou seja, Há tendência para haver menos diversidade, logo menos equilíbrio, o que resulta nos extremos que chamamos de patologia.

As raças criadas pelo Homem tendem a ser perigosas por isso mesmo.
Consegue-se uma pequena ninhada, por exemplo 5, e de seguida faz-se reprodução entre esses. Naturalmente, os nascidos desse pequeno grupo tendem a apresentar grandes deficiências indesejadas. Isto não acontece apenas com pitbulls, mas o caso destes é o mais grave.

Existe ainda outro factor genético, já abordado por Darwin.
Por vezes, uma característica perfeitamente insignificante está associada a outra que é fundamental para a sobrevivência da espécie. Desta forma, os portadores dessa característica prevalecem enquanto os seus opostos são extintos, apesar de essa característica por si ser perfeitamente insignificante.

No caso dos pitbulls há duas características que estão associadas entre si. Por um lado a fisionomia da cabeça em triângulo e os ombros largos e do outro lado o gene obsessivo compulsivo.
Como disse antes, apesar de não existir uma correlação directa, existe uma ligação genética.
Como os reprodutores sabem que os cães de cabeça triangular e ombros largos valem mais dinheiro no mercado, reproduzem ao máximo estes entre si,de forma a exponenciar esta característica.

Consequentemente, também a característica indesejável predomina.
Neste caso, estamos a falar de cães obsessivos que muitas vezes enlouquecem por completo. Quando não o fazem são simplesmente ultra violentos, como já sabemos.

Portanto, não há nada de errado em o homem acabar com a anormalidade genética que criou, impedindo a sua reprodução.

Um pouco já fora de agenda gostaria de dar um input sobre o famoso caso do telemóvel.

O que se passou entre aluna e professora foi uma transferência de bullying, ou talvez, um caso de bullying.

Bullying são os comportamentos sociais, muito comuns nas escolas em que um aluno ou vários agridem (física ou verbalmente) outros alunos com o intuito de marcar uma posição através da humilhação da vítima.
Todos nós testemunhámos casos e a maioria de nós foi vítima ou praticou bullying.

A rapariga como os outro alunos, no sentido de ascenderem socialmente sentem uma necessidade de se impor perante outros. Naquele momento a professora tornou-se a vítima e a aluna quis mostrar que era a superior, assim como os outros alunos. Note-se que eles foram agressores porque provavelmente noutros momentos foram agredidos.
Até me arrisco a dizer que o rapaz que filmou enquanto mandava comentários foi já ele próprio vítimas de bullying muitas vezes. Digo isto porque geralmente os “engraçadinhos” o foram.

Este tipo de comportamento tem uma origem social muito clara.
A origem reside exactamente naquela imagem conservadora de que numa sociedade deve sempre existir alguém acima e alguém abaixo.

Curiosamente, em nome deste caso vieram atacar o estatuto do aluno.
Ataca-se o estatuto do aluno porque supostamente ao dar direitos e dignidade ao aluno, estamos a retirar autoridade aos professores.
Custa-me a acreditar mas ainda existe quem pense assim no sec. XXI.

Enquanto não se transmitir que as pessoas devem ser respeitadas porque sim. Apenas porque são pessoas.
Os professores não devem ser respeitados porque são professores ou porque são mais velhos. Devem ser respeitados porque são pessoas.
Assim como os colegas alunos.

A ideia de ser o próprio sistema educativo a dizer que há umas pessoas mais dignas que outras e depois estar a instaurar políticas de medo, para que os professores possam “ensinar com disciplina” só vai gerar cada vez mais indisciplina, violência e uma sociedade sem humanidade nem respeito.

Já não é novidade nenhuma que tudo o que é políticos de renome vem a este blog buscar ideias políticas, mas agora também vão procurar às moções que são chumbadas na nossa Assembleia Geral.

Há umas AGs atrás foi chumbada em Assembleia Geral a proposta de que as touradas fossem classificadas como impróprias para menores e consequentemente proibidas aos mesmo.

Havia essencialmente dois argumentos:
o 1º é que estas efectivamente são impróprias para menores
o 2º é que representa um compromisso entre os defensores dos direitos dos animas e os fãs das touradas.

Portugal teria sido o 1º país a discutir esta medida e o MLS teria sido o 1º a defendê-la.
Mas ao jeitinho bem português não podíamos fazer uma coisa dessas. Ofendíamos a santinha da perseguição.

Agora os franceses começaram a discutir esta questão.
E claro que os portugueses começaram imediatamente a discutir se esta seria eventualmente uma boa decisão. Note-se o "seria".

Isto porque primeiro vamos ver se a medida vai para a frente em França. Depois logo se copia. Mas cá para mim, não há nada como ver o é que fazem na Holanda.

Isto porque Deus nos proteja de tomarmos iniciativa, numa medida de gritante bom senso, como afirmar que espetar estacas num touro é impróprio para crianças.

O grande desafio de um sistema de saúde é combinar eficiência com universalidade.

Quando nos preocupamos em universalidade geralmente pensamos num serviço nacional de saúde totalmente indiferenciado, que é sem dúvida o sistema mais humanitário; não fosse o carácter de ineficiência que o assombra.

Do lado da eficiência (note-se que não é eficácia) temos o “pagar do bolso” e o seguro. Contudo estes sistemas carecem do carácter de universalidade que é considerado essencial por qualquer pessoa de bom senso.
Mas não tem de ser assim.

A função do estado deve ser garantir que todos tenham acesso a seguro.
Desta forma, deverá existir um seguro de saúde social (patamar mínimo/preço mínimo) que servirá também de fasquia para todos os outros. Contudo, este seguro não deverá ser impedimento de existirem seguros por privados.

Cada empresa deverá dar seguros a todos os trabalhadores, por blocos de 1 ano. Desta forma, mesmo que o trabalhador se despeça ou fique sem emprego, terá acesso ao seguro de saúde durante o período de um ano. Note-se que as seguradoras tendem a oferecer melhores condições a seguros feitos em bloco, pois o segurado ganha posição negocial perante a seguradora.
Os seguros dos trabalhadores deverão ser extendidos aos progenitores (quando reformados ou desempregados) e eventualmente a todos os familiares directos.

Todos os trabalhadores a recibo verde, deverão ter o seguro como condição de inscrição.
O mesmo se aplica a todos os desportos e actividades escolares. No caso das escolas, poderá a ser a escola a responsável por oferecer seguros de saúde sempre que os alunos não o tenham.
Em todos estes casos os cidadãos poderão optar pelo seguro de saúde sócial ou por um dos privados.

Naturalmente, todos aqueles que não tiverem capacidades para pagar o seguro de saúde, este deverá ser suportado pela segurança social ou pelo orçamento de estado. Mas tendo em consideração que a maioria da população ou está empregada ou é familiar de quem esteja, a fatia da população a recorrer ao seguro através da segurança social ou orçamento de estado seria reduzida.

A fase dos shoppings já atingiu o seu pico de maturidade e começam a mostrar-se cada vez menos vantajosos para o investidor.
Claro que há dezenas de shoppings pensados para os próximos anos. Mas num país em que não existe marketing e futurologia é coisa de bruxas, não seria de esperar outra coisa.
Os shoppings foram uma grande vantagem para Portugal porque conseguiram criar imensos negócios de tamanho familiar, dinamizaram a economia e trouxeram variedade e inovação ao mercado, tornando-o extremamente concorrencial.

Mas agora existe pouca diferenciação. Os produtos são iguais em todo o lado e os preços são idênticos. Com shoppings não há grandes referências e o poder da marca vai morrendo aos poucos. Por exemplo, se eu quero comprar uma camisa, não penso : “vou àquela loja”, mas sim “vou àquele shopping e vejo as várias lojas”.
Novamente, o consumidor exige mais e os empresários vão procurar diferenciação.

A nova tendência são as mega-stores.
Mega-store é uma grande superfície destinada a uma gama de produtos específica.
Já são vários os casos de sucesso em Portugal: Toys’r’us, Radio Popular, Media Market, Decatlon, Staples, Aki, IKEA, etc.

Houve contudo um caso de insucesso que foi a Virgin Mega-Store. Os adeptos do download ilegal juram a pés juntos que foi por causa das decisões de gestão e preço.

Em Lisboa irá agora surgir a 1ª Book-Mega Store (Livros) da Byblos com 4000 metros quadrados. A meu ver esta seria a mais óbvia. Sendo que em Portugal saem para o mercado 20 novos livros por dia e que as livrarias gastam muitos recursos a devolver livros não vendidos, apenas uma mega-store tem capacidade de exposição para expor os livros que quer sem receio de ter de os devolver. Desta forma conseguem melhores margens e não gastam recursos a processar devoluções.

Para melhor percebermos este fenómeno podemos comparar a Sport-Zone e a Decatlon. A primeira está em mais locais, mas a segunda consegue oferecer uma maior variedade de produtos. Quem quer um produto específico, muito comum ou tem pouca mobilidade terá mais vantagens em ir à Sport-Zone, mas quem quer mais possibilidades de escolha e tem capacidade de se deslocar um pouco mais escolhe a Decatlon.

Cada vez mais cidadãos têm mobilidade, seja por transporte próprio, ou por melhores acessos a transportes públicos. Mas pelo contrário diminui a capacidade de transporte de grandes volumes, com a miniaturização dos automóveis. Para satisfazer essa necessidade dos consumidores, as entidades comerciais terão que expandir os serviços de transporte dos bens ao cliente. A cultura de compras-on-line será aliada à das mega-stores sendo estas as grandes providenciadoras do serviço digital.

As M.S. têm, por regra geral parques de estacionamento enormes, o que tem desvantagens óbvias, mas estes também conduzem a uma maior distribuição geográfica e ajudam a resolver alguns problemas de urbanismo.
Ainda ao nível de urbanismo as M.S. apresentam vantagens, pois geralmente os seus proprietários têm grandes preocupações com a área circundante, pressionando as autoridades, ou até eles próprios mediante acordos, a criar condições para oferecer mais qualidade de vida.

Os adeptos da descentralização têm razões para ficar contentes pois as mega-stores promovem a terceira vaga. De início podem se colocar nos grandes centros urbanos, mas à medida que vão aparecendo mais, têm tendência a fugir dos grandes centros urbanos para zonas onde os terrenos são mais baratos.

Mas a seguir às Mega-Stores virão outros modelos. Talvez as lojas discount de grande dimensão.
O que vier será para oferecer melhores serviços ao cliente dando-lhe cada vez mais poder e possibilidades de escolha.

Vocês não querem perder este filme.
Eu sou fã incondicional do TED e este é provavelmente o melhor apresentador que já lá passou.

"2007: Portugal's public pension spending is 36% higher relative to national income than the average in the 30 OECD countries and is growing rapidly: virtually doubling between 1990 and 2003..."

Quem o diz é a OCDE.

Como já tenho mencionado anteriormente os impostos na sua generalidade são um factor fundamental na competitividade de um pais e o nível de impostos deve ser determinado pela situação económica do país, sendo que quanto maior o desenvolvimento económica e a posição concorrencial mais se podem subir os impostos.

O que o nosso estado faz é encontrar formas de gastar dinheiro e depois ajusta os impostos para cobrir esses gasto.

Ou seja, definimos o nível de impostos pelos gastos em vez de definir os gastos pelos impostos.
De forma ainda mais simplificada, gastamos o dinheiro antes de o ter.

O resultado desta política invertida é uma subida desregulada do nível de impostos o que naturalmente vai causando um atraso na nossa economia. Não conseguimos competir com os nossos adversários e vamos vendo continuamente empresas a abandonar Portugal.

Portugal necessita de ajustar, pelo menos, ao nível médio e para isso precisamos de reduzir em 26,5% o nosso nível de impostos. Ou seja, precisamos de abdicar de mais de 1/4 do estado.

fonte: http://www.oecd.org/LongAbstract/0,3425,en_33873108_33873764_38728912_1_1_1_1,00.html

A adaptação dos veículos aos gostos pessoais é algo que é proibido em Portugal e sem qualquer argumento válido que o justifique.
Se eu quiser mudar a cor ao meu carro, mudar o formato dos faróis, do escape ou acrescentar um aileron estou a ser um criminoso.

Há quem argumente que algumas alterações podem ser perigosas e colocar em causa a segurança do veículo. Mas este argumento é completamente falso.
Nos países em que a transformação de automóveis é legal (como a Austrália ou a Alemanha) existem leis claras sobre quais as transformações que podem ser feitas.

Por outro lado, nos países onde é proibido (como em Portugal) as transformações acontecem na mesma. E como são todas ilegais, acabam por se fazer as transformações mais perigosas.

Algumas pessoas aceitam esta proibição com o argumento de nos proteger de um suposto mau gosto.
Mas temos que nos lembrar que o mau gosto é um Direito Democrático.

A meu ver o princípio da liberdade individual é razão suficiente para permitir que sejam feitas transformações aos veículos.

Mas para quem não pensa assim, existem outros argumentos.
A transformação de automóveis é uma indústria, que tal como todas as outras indústrias desenvolve a economia e dá emprego.
E ao proibirmos a transformação de automóveis, estamos a fazer com que existam muitas transformações de automóveis ilegais sem quaisquer cuidados pondo em perigo a vida daqueles que o fazem e de todos os outros que os encontram na estrada.

Esta é uma alteração que tem de ser feita e que apenas temos a ganhar.

Já há algum tempo que se ouve falar na produção de biocombustíveis no Brasil para reduzir o aquecimento global.
Mas nada podia estar mais errado.

O objectivo de se produzir biocombustíveis é reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas o que irá acontecer é que o nível de dióxido de carbono na atmosfera será muito maior se forem produzidos biocombustíveis no Brasil.
Efectivamente os biocombustíveis substituem os derivados do petróleo, reduzindo a extracção do mesmo.

Mas muito mais importante do que produzir biocombustíveis é aumentar a superfície de floresta, ou pelo menos reduzir a desflorestação.
Como todos sabemos no Brasil a Amazónia está a ser desvastada por causa das plantações agrícolas. E a produção de biocombustíveis aumentará ainda mais a desflorestação.

O benefício causado pelos biocombustíveis nunca ultrapassará o prejuízo causado pela desflorestação da amazónia para produzir os mesmo.

Africa deveria ser o palco central da produção dos biocombustíveis.

Naturalmente que para Lula da Silva são os grandes poderes económicos estrangeiros que não querem que o Brasil se desenvolva.

Mas não é nada de surpreender, porque a esquerda brasileira acha que tudo o que corre mal no brasil é culpa do capital estrangeiro.

Eu sempre fui um grande “fã” da globalização e frequentemente fico chocado porque os argumentos que oiço contra a globalização são os mesmos que eu apresento a favor da globalização:
- A extrema pobreza
- Práticas ambientais terríveis
- Imperialismo
- Destruição cultural

Ora bem, tudo isto são problemas que apenas com uma globalização consciente, com muita diplomacia, negociação, colaboração e mercados abertos se podem combater.
Mas existe outro “fantasma” presente que agora ganha alguma força.
Estou a falar de quando uma economia forte cai e traz as outras economias por arrasto. A economia Americana é forte o suficiente para não se falar em “cair”, mas a situação actual veio trazer esse fantasma.

Se a economia Americana entrasse em colapso actualmente, todos nós iríamos sentir, como de facto já sentimos alguma coisa, mas se tal acontece não é por globalização a mais. É sim por globalização a menos.

Hoje ainda existem poucas economias nacionais muito fortes: as norte-americanas, as europeias e algumas asiáticas. Porque são poucas, quando uma como a Americana mexe, todas as outras abanam.

Com o progresso e sucesso da globalização, podemos chegar a um ponto em que, se uma economia abanar, as outras não sentem porque o efeito de uma fica completamente diluído.