O blogue de Hugo Garcia

Santana Lopes está de parabens.

Não é todos os dias que temos a hipotese de lhe dar os parabens e eu não vou perder esta, que pode ser a última.

Uma jornalista interrompeu uma entrevista com Pedro Santana Lopes para dar atenção à chegada de Mourinho a Portugal. Para quem não conhece, Mourinho é um treinador de futebol.
Quando a jornalista tentou retomar a entrevista, Pedro Santana Lopes recusou-se a continuar e abandonou o estúdio.

A razão foi simples: Interromper uma entrevista política com um ex-primeiro ministro para transmitir um não-evento de uma figura desportiva é algo muito pobre de espírito.

Segundo o estudo da Universidade de Nova York, conduzido pelo Ph.D. David Amodio, entitulado "Correlações Neuro-cognitivas do Liberalismo e do Conservadorismo" os Liberais apresentam maior "agilidade mental" que os conservadores.

Segundo o resultado da investigação neurológica, o que difere liberais de conservadores é uma maior utilização de uma parte do cérebro, que tem como função adaptar o cérebro a mudanças de estímulos.
Esta diferença é fácilmente registada por um eletroencefalograma que detecta num liberal 4.9 vezes mais de actividade que num conservador.

O estudo inclui ainda uma componente prática que analisava como uns e outros reagiam a uma mudança de estímulo e o resultado foi que um liberal tem 2,2 vezes mais probabilidade de estar no top50%.

No jornal Português Diário de Notícias a notícia foi publicada, mas com alguma liberdade jornalística, transformaram os liberais em esquerda e os conservadores em direita. Mas não se enganem, o estudo fala de Liberais eConservadores.

Isto acontece porque este estudo foi feito nos EUA com a realidade própria do país. Como já temos sido frequentemente acusados neste blog, ao identificarmo-nos com os Liberais Americanos (partido Democrata) estamos a colocar-nos à esquerda.
O Liberalismo nos EUA é um liberalismo muito à esquerda, comparado com os outros liberalismos. Podemos facilmente dizer que estes Liberais são Liberais Sociais.

Recomendo fortemente o seguinte texto de Fernanda Câncio.

A figura do dono da bola é um mau pretendente a arquétipo ou a figura social. Apenas a estou a utilizar porque é algo que todos podemos entender.

Se recuarmos uns anos atrás lembramo-nos de quando havia apenas um miúdo que levava bola para a escola e esse passava a ter o título dignatário de “o dono da bola”. Na verdade, não lhe era reconhecido qualquer mérito ou legitimidade, mas ele podia sempre dizer “é como eu quero porque eu sou o dono da bola”. Quando se jogava à rodinha-bota-fora ele nunca ficava de fora porque ele era o dono da bola. Também era ele que decidia quem fazia as equipas, quem escolhia primeiro, quem fazia as regras e no limite, se tinha ou não sido golo. Ao longo do dia ia se vangloriando da sua posição de poder, apesar de esta não conter qualquer mérito.

Curiosamente, enquanto vamos crescendo, não se perde esta figura e todos querem continuar a ser os donos da bola. Seja por se ser o mais forte numa luta, homem branco heteressoxual num mundo de discriminação, o mais rico, o que tem o carro maior num cruzamento, o patrão, o que tem uma cunha política ou administrativa ou qualquer outra característica que permita a um indivíduo levar a sua adiante sem tomar a postura ética.

Aqui dividem-se os liberais em dois. Os que acham que por ele ser o dono da bola tem todo o direito de exercer o seu poder e aqueles que acham que por uma conduta ética e por estado de direito o seu poder deve ser limitado.

Já disse antes que gosto de evitar falar do tema educação (no sentido mais estrito) porque tenho tendência a exaltar-me e mesmo quando estou calmo exprimo opiniões para as quais a maioria das pessoas ainda não está preparada. (imagino eu que no futuro muitos pensarão como eu).

Mas como este blog só é lido por pessoas muito à frente, hoje venho propor-vos o fim das aulas de educação sexual de uma vez por todas. Aquelas coisas da sida e dos preservativos fala-se em biologia. Mas educação sexual não, porque sexo não se ensina.

E para acabar de vez com a disciplina de educação sexual proponho já a substituição pela disciplina de “conversas de sexo”. Exactamente, uma cadeira onde se fala de sexo.
Chamo-lhe conversas porque o professor não vai ensinar nada e digo de sexo, porque o sexual deixa espaço para andarmos à roda sem falarmos do tema. Para que não haja dúvidas chama-se “conversas de sexo”.

A idade dos alunos não é problema pois são os alunos que escolhem o nível de maturidade conceptual da conversa, enquanto os professores estão lá para moderar, pedir coerência e chamar a atenção para qualquer ponto mais obstinado. Mas apenas para chamar a atenção.
Naturalmente o objectivo desta disciplina é criar “awareness”- perdoem-me a incapacidade de traduzir esta palavra.

O desafio desta aula seria conseguir falar abertamente sobre os vários temas sem tabus, mas simultaneamente conseguir que os vários alunos respeitassem os colegas, o professor e o objectivo da cadeira.

Ao longo das aulas iríamos abordar os temas: fantasias, traição, impotência, ejaculação precoce, curtes, violação, tendências sexuais, violência sexual, pornografia, pedofilia, sexismo, incesto, complexo de édipo, tamanhos, perversões, swing, morangos com açucar, posições, sado-masoquismo, etc.etc.etc.
E sim, iamos falar muito de amor, que curiosamente é um tema que não se aborda em nenhuma disciplina da escola. Não, nem mesmo em religião e moral.
Ao contrario do que possa parecer o meu objectivo não é que andemos todos só a pensar em sexo, mas sim criar esse algo tão valioso que é a “Awareness”.
A cultura portuguesa ignora de tal forma este conceito, basilar da ética e da vida em sociedade, que nem sequer possuímos uma palavra para ela.

Sem diálogo não há empatia. Sem empatia não há awareness. Sem awareness não há conhecimento, responsabilidade ou respeito. E naturalmente que sem conhecimento, responsabilidade e respeito não pode haver liberdade.

Perdoem-me a minha falta de humildade, mas eu queria que percebessem a minha tristeza e frustação num sistema de ensino obsoleto, que ainda assim vai avançando aospoucos a pulso de muitos professores que não se conformam.

A flexigurança é um modelo económico que funcionou com grande sucesso na Dinamarca e que pode facilmente ser considerado um modelo Liberal Social. Claro que para isso teriamos de entrar na discussão do que é um modelo liberal social.

À partida existem dois princípios neste modelo, mas mais à frente surgirá um terceiro.

Antes de percebermos o conceito de segurança é preciso ter presente que a ideia do trabalho estável não é uma solução viável. Não existem empregos seguros e não podem existir, pois a segurança de uns apenas pode prejudicar os outros.
Não me vou estender neste conceito, porque num blog liberal seria o mesmo que ensinar o Avé Maria ao coro da igreja.

Antes de continuar eu gostava de vos lembrar (para alguns, informar) que o desemprego e a falta de estabilidade financeira são uma porcaria (este é um blog de respeito). Sem estabilidade financeira ninguém arrisca, nem faz planos de vida (casa, filhos, investir num negócio, etc.).

O desafio da flexigurança coloca-se assim em descobrir um modo de dar segurança (financeira) sem perturbar o mercado de trabalho.

O primeiro passo é portanto flexibilizar o mercado de trabalho, que é como quem diz, facilitar o despedimento. O que só por si facilita a contratação e diminui ligeiramente a taxa de desemprego. mas óbviamente que a maioria dos trabalhadores não fica satisfeito com esta medida.

O lado da segurança entra então na parte da segurança social. Os trabalhadores não se sentem tão ameaçados pela precariedade e permitem-se arriscar e fazer planos de vida. Os sindicatos (se estiverem efectivamente preocupados com os trabalhadores) vão apoiar estas medidas.

Pela combinação destes dois factores temos flexibilidade e segurança, mas rapidamente se transformava num aumento da taxa de desemprego.

Surge assim o terceiro pilar da flexigurança, que são políticas activas de criação de emprego.
Este apesar de ser o que contribui indirectamente para a flexigurança é o mais importante.
As medidas de apoio à criação de empresas, formação profissional adequada, políticas viradas para o empreendorismo e estímulos e apoios aos desempregados para encontrar emprego são da maior importância de forma a que o desemprego seja uma fase passageira.

A Dinamarca tem hoje uma taxa de desemprego abaixo dos 5%, mas mais importante que esse valor é que ao perguntarmos a um dinamarquês desempregado se "acha que vai conseguir encontrar emprego nos próximos 4 meses?", a resposta dele muito provavelmente será "sim, certamente".

Cada indivíduo ou entidade deve, de uma forma ou de outra, ser imputado das consequências dos seus actos, para que de forma livre e focado nas suas própias necessidades e capacidades, possa decidir conscientemente e em responsabilidade social.

Este princípio pode ser aplicado a várias áreas, mas as suas áreas de excelência são a saúde e o ambiente.
O princípio poluidor pagador é uma especificação deste princípio.
Sob esta perspectiva, produtos que sejam naturalmente nocivos para a saúde pública, como o exemplo do tabaco, devem estar sujeitos a maiores cargas tributárias. Naturalmente esse valor extra deve ser transferido directamente para a área da saúde.

Uma perspectiva benéfica deste princípio também deve ser considerada, mas não pode ser confundida com subsídios. Para tal, devem ser sempre os beneficiados a contribuir e os prejudicados a ser ressarcidos e não o estado enquanto entidade omnisciente e omnipotente.

Este princípio conclui as três máximas de alguns partidos liberais:
Liberdade, Responsabilidade e Imputabilidade

Depois de ler o último post do Igor senti-me na obrigação de esclarecer quais são as verdadeiras vantagens do sistema cheque-ensino, visto que tenho encontrado dentro e fora do MLS, muitas ideias mal concebidas do mesmo.

Em primeiro lugar, devo dizer que nos últimos tempos tenho deixado de lhe chamar cheque-ensino para me referir como financiamento por estudante.
Quero ainda salientar que há muitos anos que defendo este sistema e que procuro as vantagens e desvantagens do mesmo, tendo tomado algumas precauções na nossa proposta, devido às últimas.

A primeira ideia que queria deixar clara é que o financiamento por aluno não é uma questão emotiva e não tem como objectivo privilegiar públicas ou privadas. Pessoalmente não podia estar menos preocupado com o orgulho de umas ou de outras.
Outra ideia que queria combater é que se vai gastar mais dinheiro ou que se vai retirar dinheiro de umas para colocar noutras.

O financiamento por aluno é extremamente racional e subtil no seu funcionamento e tem como grande vantagem a competitividade.
Todas as escolas querem sobreviver financeiramente e para isso querem receber mais dinheiro. Mas para receberem mais, têm de ter mais alunos. Para terem mais alunos vão competir por oferecer mais qualidade de ensino por menos dinheiro.

Para escolher o montante de financiamento o estado vai simplesmente pegar em todo o dinheiro que dá hoje para públicas e privadas, dividir pelo número de alunos e redistribui-lo pelas escolas consoante o número de alunos. Não precisa de gastar nem mais nem menos.

Interessa também explicar que o estado não vai pagar luxos de colégios porque o cheque-ensino tem um valor máximo fixo. Se a escola for mais cara, ai já será o estudante ou o encarregado de educação a pagar.

Relativamente às comparações entre as escolas privadas e públicas de hoje não podia estar menos preocupado, porque estamos a comparar escolas fora do sistema que eu estou a propor. Mas se querem analisar o funcionamento de escolas baseadas em sistemas de cheque-ensino olhem para as faculdades nos EUA.

Mas o incrível deste modelo é que de uma forma tão subtil se consegue promover a modernização do ensino. Por uma questão de marketing e de valorização dos estabelecimentos de ensino, a procura e implementação de sistemas mais modernos e eficientes vai ser constante e muito frequente.

Espero que quando chegar a altura de escolher escola para os meus filhos eu tenha a hipótese de os colocar numa escola Waldorf.

P.S. Igor, espero ter-te convencido.
;-)

A prisão preventiva é um processo pelo qual um arguido (que está inocente até se provar que é culpado) tem a necessidade de ficar sob controlo.
O mais comum é colocar-se o arguido na prisão, mas esta solução faz cada vez menos sentido. A solução que se demonstra mais adequada é a da prisão domiciliária através da pulseira eletrónica.

Do ponto de vista do estado e dos contribuintes, um preso preventivo custa ao estado 45 Euros. Um preso domiciliário custa apenas 16, o que é pouco mais de um terço do valor.

Mas não menos importante é o lado humano da questão. Um arguido, que esteja efectivamente inocente, poderá estar um ou dois anos na cadeia, perdendo com isso o seu emprego, a sua credibilidade e ganhando uma série de problemas aos níveis social e familiar. Sem esquecer que um ano de cadeia é uma pena severa orientada para criminosos e nenhum inocente deve ser sujeito a tal castigo.

Segundo o relatório da Amnistia Internacional, Portugal tem ainda um problema específico de excesso de população prisional, sendo que 70% das cadeias ultrapassa o nível máximo de lotação. Este excesso desvirtua o sistema, pois um juíz atribui uma pena considerando um certo tipo de condições. Estando essas condições alteradas, a pena mostra-se desajustada.
Importa ainda salientar que esta é uma questão de direitos humanos e dignidade nacional. Não é porque alguém foi condenado a uma pena de prisão que se deixam de aplicar os direitos humanos.

A pulseira tem ainda a possibilidade de ser aplicada numa fase anterior, para evitar situações de fuga do país como o caso "Felgueiras".

Por todas estas razões, em casos de prisão preventiva a norma deve ser a prisão domiciliária e apenas em situações de excepção, como o caso de arguidos perigosos, ser aberta a excepção

Nas últimas semanas tem se falado muito de nacionalismo em Portugal.

Felizmente ou infelizmente, os nacionalistas estão (por enquanto) completamente desorientados. Ainda não sabem se são "nazis" (nacional-socialistas) ou se são "fascistas" (nacionalistas de extrema-direita).

No quadrante político como já temos falado neste blog, existem dois eixos pelo qual alguém se define politicamente:
o eixo das liberdades individuais e o eixo das liberdades económicas. Destes 2 eixos surgem 4 hipóteses:

muita liberdade individual, pouca liberdade economica => esquerda
pouca liberdade individual, muita liberdade economica => direita
muita liberdade individual, muita liberdade economica => liberalismo
pouca liberdade individual, pouca liberdade economica => nacional-socialismo

(Para quem possa não saber, nacionalista define o ponto de liberdade individual zero, já que a nacionalidade está acima da indivíduo)
Os apelidados de "fascistas" estão na extrema direita, mas naturalmente os nacionais-socialistas não estão. Aliás, estarão mais próximos do comunismo que da extrema-direita.
(Perdoem-me os comunistas. Não é minha intenção ofendê-los)

Segundo as últimas afirmações do líder do PNR:
«os trabalhadores portugueses estão cada vez mais a perder capacidade negocial, tornando-se reféns do trabalho precário e consequentemente do desemprego»
facilmente se identifica o discurso nacional-socialista.
Claro que o nacional socialismo é uma ideologia que apenas faz sentido num país nas condições semelhantes às que a Alemanha atravessava na 1ª metade do sec. XX. Lembro que nessa altura os alemães mais ricos eram na sua maioria judeus, o que irritava especialmente qualquer alemão mais orgulhoso.

Esta realidade pouco ou nada tem a ver com a situação actual entre Portugal e a imigração. A não ser que o PNR se esteja a manifestar contra os espanhois e alemães. Mas penso que se estão a manifestar contra brasileiros, africanos e ucranianos.

Na mesma manifestação um jovem de 17 anos (apanham-nos cedo) que provavelmente nunca leu um livro sem figurinhas, parece estar mais elucidado que o seu líder e apresenta um partido muito mais à direita afirmando que:
a esquerda é a «grande culpada pelo desemprego nacional e pela decadência dos rendimentos dos trabalhadores».

Mas para que não fiquemos na dúvida o líder do PNR esclareceu que a culpa (de isto tudo) é dos capitalistas (em geral) e da esquerda nacional. Portanto, o que este senhor quer realmente é outra esquerda.

Mas será que estes tipos falam entre eles?