O blogue de Hugo Garcia

Ignoro se é um problema exclusivo de Portugal, ou se é um fenómeno global, mas a falta de qualidade dos cargos médios de gestão destrói por dentro a qualidade da estrutura empresarial em Portugal.
A julgar pela série “The Office” os ingleses também conhecem a espécie.

Qualquer pessoa que tenha trabalhado em Portugal, excepto em casos de sorte avassaladora, sabe perfeitamente do que estou a falar.
Empresas com imenso potencial, com uma grande quantidade de profissionais bons nesta ou naquela área, não conseguem ter sucesso porque há um ou dois níveis de empecilhos que bloqueiam todo o sistema.

Estas almas penadas que deambulam furtivamente pelos nossos escritórios têm como principal objectivo de vida demonstrar o pouco poder que têm. Caminham vagarosamente pelos corredores, mandam umas bocas, dão grandes lições de vida aos novatos e sabem todos os clichés sobre competitividade, mas nunca sabem ser claros nos objectivos, nem responder às três grandes questões:
“em que ponto estamos (recursos)?”
“para onde queremos ir (objectivo)?”
“como vamos lá chegar (processo)?”

Para se perceber se uma empresa está encravada por um destes empecilhos, basta ver se os trabalhadores demonstram uma necessidade enorme de desabafar. E isto tem uma razão de ser: o detentor do cargo médio de gestão é um bloqueio na comunicação e aí reside o seu poder.

Mas isto apenas acontece porque o cargo médio de gestão não tem medo de perder o seu emprego. Se tivesse medo ia ter de trabalhar e merecer o seu salário.
Já o trabalhador pequeno, nem com todas as leis está protegido.
Por isso é que é necessário flexibilizar o mercado de trabalho e facilitar o despedimento: “corta-se um dedo, salva-se a perna”.

Aproveitando o tema, eu sempre achei que se Deus quisesse governar os Homens, falava-nos directamente em vez de contratar uns eruditos para falarem latim, dar sermões e comer doces conventuais.

Nem sempre a corrupção persegue um fim imoral em si, contudo é inaceitável que os fins justifiquem os meios quando estes são corruptos. Em alicerces podres não se edificam estruturas.

Tome-se, por exemplo, 3 empresários.
O primeiro empresário segue sempre o caminho da virtude e nunca se desvia. O segundo empresário apenas conhece o caminho da corrupção. O terceiro empresário gostaria de seguir o caminho da virtude, mas falta-lhe o carácter e frequentemente é seduzido pelos resultados fáceis.

Quando os sistemas existem, são eficientes, simples e justos, o empresário virtuoso tem sucesso, é reconhecido e respeitado. Todos querem trabalhar com ele e ser como ele. A sua integridade é reconhecida e valorizada e diariamente vê a recompensa do seu carácter.

Quando o sistema é burocrático, ineficiente, cheio de proibições, lento e repleto de contradições e limitações legislativas o empresário virtuoso não consegue ter sucesso.
Já o empresário corrupto por natureza, que conhece os vícios e atalhos da corrupção consegue alcançar os seus objectivos passando à frente e por cima de todos os outros.
Naturalmente, o empresário fraco de carácter segue o exemplo da corrupção pois não vê outro caminho. Aqui reinam as desculpas: “toda a gente faz”, “é assim que as coisas funcionam”, “o mundo não é dos ingénuos”, “eu faço aquilo que tem de ser feito” ou “faz parte”. Estas e outras desculpas tornam-se parte do dia-a-dia.

No combate à corrupção existem duas frentes em que é necessário agir.
Uma é naturalmente a coercibilidade: legislar, fiscalizar, investigar, julgar e punir os infractores.
Mas não menos importante é agilizar o sistema para que seja possível atingir objectivos agindo pela legalidade.
Sistemas simples, claros, pouco burocráticos e muito eficientes fazem com que a honestidade compense.

Quando uma sociedade demonstra apatia perante a corrupção, quando a aceita como fazendo parte do dia-a-dia, é sinal de que já ninguém acredita que é possível alcançar objectivos por meios virtuosos.
Quando o mais comum é desenrascar, dar um jeitinho, arranjar uma forma ou olhar para o lado, é sinal de que o sistema é demasiado pesado e que qualquer solução para acabar com a corrupção passa sempre por agilizar processos.

Várias são as mentiras que tenho ouvido dizer contra o ambientalismo, mas quem se quiser dizer detentor da verdade deve tomar especiais precauções.

De facto durante algumas décadas, houve efectivamente "dúvidas" sobre se o Homem é o responsável pelo aquecimento global.
Mas hoje já não existem dúvidas.
Até a ONU já veio confirmar que efectivamente se trata de mão humana.

Mas apercebam-se bem do absurdo do suposto argumento que frequentemente se ouve: "nada está provado, portanto as actividades poluentes podem continuar". Permite-se então continuar com algo que é perigoso pedindo provas sobre provas algo que é perigoso até ser tarde demais ?
Deixavam alguém brincar com granadas perto de vocês por não estar provado que essas granadas iam explodir?
Eu sei, é um argumento extremista. Mas o paralelismo está lá.

Os argumentos da Melanie demonstram uma total ignorância do ciclo de carbono e perceber o ciclo de carbono é o primeiro passo para se estudar o aquecimento global:
O carbono fixa-se nas plantas, animais e humanos (sim, somos formas de vida baseadas em carbono) mas também se fixa no ar em dióxido de carbono ou metano (outro inimigo do ambiente). Fixa-se ainda no subsolo no petróleo.
Realmente os animais e os humanos expiram dióxido de carbono, mas não o acrescentam à superfície. Apenas o mantêm. Já as plantas (ao contrário do que a Melanie diz), recolhem dióxido de carbono, absorvem o carbono e libertam oxigénio. Lembram-se da fotossíntese das aulas da primária ???
O problema está no carbono que é adicionado ao ciclo da superfície. Ao retirarmos petróleo do subsolo e queimá-lo estamos a adicionar carbono ao ciclo. Para piorar a situação a vegetação terrestre e sub-aquática diminui radicalmente, retendo menos carbono.

Outra demonstração de ignorância da Melanie é dizer que já houve tempos mais quentes. A verdade é que não. Pode se ter registado mais calor num sítio ou noutro, mas o que interessa é a temperatura média. Essa nunca foi maior.
Desafio qualquer pessoa a provar o contrário. A sério, vá lá. Uma provazinha, um estudozinho.

Se a ideia for pegar em 2 teorias e apontar para o meio (o famoso num), convém que as duas sejam igualmente credíveis. Pessoalmente eu prefiro formar as minhas próprias opiniões.

Agora a teoria da Era Glaciar.Temos que ter cuidado com as manipulações de retórica.
Podemos de facto dizer que quando saimos de uma era glaciar começamos a entrar noutra. Mas apenas no mesmo sentido em que dizemos: Quando nascemos começamos a morrer, ou começamos a envelhecer.
Não se pode daí concluir que depois de uma era glaciar a temperatura começa a descer. Há uma altura em que a temperatura sobe e outra que desce (ou até várias intercaladas).
E a ideia de que o aquecimento global nos impede de uma era glaciar é errada. Uma das possibilidades que Al Gore demonstra é que o aquecimento global pode causar uma era glaciar na Europa.

Antes que alguém se lembre, aproveito já para contrapor aquele argumento de que "temos estado a poluir ao longo de décadas, não vai ser em poucos anos que vamos remediar o problema".
O que acontece é que temos vindo a piorar a situação ao longo dessas décadas em níveis que não eram perigosos. Agora entrámos no nível "amarelo". Em breve poderemos entrar no nível "vermelho". Tudo o que nós precisamos é de descer abaixo desse nível amarelo. Não é necessário recuperar décadas, mas apenas os últimos 8 anos, ou talvez 3, ou pelo menos não piorar. E isso consegue-se através de um desenvolvimento da flora e contenção do uso de derivados do petróleo. Era muito, mesmo muito, fácil se todos os paises colaborassem.

Tenho ainda visto várias tentativas de descridibilização do Al Gore . Como sabem o Al Gore é um dos candidatos a prémio Nobel da Paz - aquele que eu considero ser o maior prémio da humanidade.

Se existir alguém com credibilidade perto da do Al Gore a dizer o contrário, força. Chegue-se à frente.

Se os ambientalistas são movidos por lobbies e fundos por baixo da mesa é curioso perceber como é que têm mais resultados que a indústria dos combustíveis e dos transportes.
Coitadinhos dos industriais dos combustíveis e dos transportes que não têm dinheiro para se opor a estes investigadores tiranos e apresentar argumentos válidos.

MAs uma coisa eu sei. Mesmo assim uma grande verdade.
Os primeiros a sofrer vão ser os mais carenciados: os pobres, as pessoas dos países do terceiro mundo e os idosos.
Talvez depois se consiga fazer alguma coisa para salvar os outros.

O argumento do bolso é o segundo argumento preferido dos defensores do não.

Este facto é absolutamente estranho, pois os defensores do não demonstram-se como uns moralistas e depois demonstram toda a sua falta de valor humano dizendo “eu não quero que o estado gaste o meu dinheiro”. Numa discussão em que valores humanos tão elevados se debatem é abaixo de mediocre apresentar o abominável argumento do bolso.

Eu, em consonância com o Movimento Liberal Social, defendo que em Portugal o aborto não deve ser pago pelo estado.
Mas choca-me o ridículo em que caiem os defensores do não ao apresentarem o abominável argumento do bolso contra a despenalização do aborto.

Ora contemplem a diversidade de incongruências em que caiem os moralistas.

Em primeiro lugar, não existe nenhum referendo sobre o financiamento do aborto. O povo não tem nada a ver com essa decisão que apenas cabe ao governo. Nós apenas temos de nos decidir sobre se uma mulher deve ir para a cadeia por ter feito um aborto.
A decisão sobre o financiamento do aborto é demasiado complexa para ser tomada pelo cidadão médio que não investiu tempo suficiente a abordar uma questão tão complexa.
Existe outra razão para o referendo não incluir o financiamento ou a legalização que se prende com a mutabilidade da lei. Ao longo do tempo, se ganhar o sim, podem existir várias alterações na legalização e no financiamento. Um governo pode proibir (desde que não criminalize) pode financiar ou retirar financiamento.
Sendo que não está em discussão o financiamento, é no mínimo imoral votar tendo em consideração o abominável argumento do bolso. Tomar a decisão para um referendo baseado em algo que não o espírito deste referendo é demonstrar que não se está pronto para votar em referendos.

Mas espreitemos um bocadinho mais longe.
Quais são os custos financeiros de não se legalizar o aborto?
Em primeiro lugar, os filhos indesejados têm mais tendência de se tornar em criminosos. Uma pessoa numa cadeia portuguesa custa 40 euros por dia. Quantos abortos dava para pagar ? E os custos com a polícia ? E o custo com a segurança social?
A isto juntem-se os julgamentos das mulheres que fizeram abortos (sobrecarregando o já sobrecarregado sistema jurídico) e ainda os custos médicos de abortos mal feitos que vão terminar no sistema nacional de saúde.
Mas entretanto o abominável argumento do aborto choca com outro argumento. É que segundo os defensores do não, as crianças indesejadas devem ser entregues para adopção. Como em Portugal não há suficientes famílias capazes de adoptar e os mesmos moralistas são contra a adopção por homossexuais, então as crianças ficam entregues a uma instituição.
Agora pergunto eu quanto custa uma só criança numa instituição. Eu diria que custa muito mais do que um aborto.
Se alguém não se lembrou disto, claramente não está em capacidade de votar num eventual referendo sobre o financiamento do aborto.

Mas atenção que não vou defender o sim, baseado em argumentos do bolso. Deixo isso para os moralistas sem moral.
Os meus argumentos baseiam-se em não querer mulheres na prisão e filhos indesejados a nascer.

O argumento do coraçãozinho é dos preferidos pelos defensores do não ao aborto.
Segundo os defensores do não, o aborto deve ser ilegal porque está lá um coraçãozinho. E querem com isto dizer que este é um argumento científico.

Se estiver lá um rinzinho, faz diferença ? E se estiver um figadozinho?
Claro que não!
Então porque razão faz diferença um coraçãozinho?
Porque quando estamos na escola as meninas desenham coraçõezinhos cor-de-rosa como se isso significasse vida ?

Deixem-me esclarecer uma coisa. Um coraçãozinho não significa vida. Claro que são células, mas um coração não faz um ser humano.
Quem diz um coraçãozinho diz uma perninha ou um bracinho.

Se tirarmos a um ser humano um coração e pusermos um pacemaker ele passa a ser outra pessoa? A resposta é não, claro que não.
Se tirarmos um braço ou uma perna e colocarmos uma prótese ele vai deixar de ser um ser humano? É claro que não.
Então é porque nem corações nem braços nem pernas significam vida humana.

Então o que é que faz diferença? A diferença está no sistema nervoso e nos neurónios. Se tirarmos os neurónios a uma pessoa e colocarmos um sistema elétrico no seu lugar, deixamos de ter um ser humano e passamos a ter um Cyborg (como nos filmes futuristas dos anos 80).

Então é óbvio que a vida humana não começa com um coraçãozinho. Se querem ser científicos, têm que admitir que a vida humana começa com um sistema nervoso e respectivos neurónios.

Se alguém me vier falar em aborto no terceiro trimestre, ai já eu venho dizer:
"não pode ser, porque está lá o neuróniozinho"

(O seguinte texto é retirado de "Os Grandes Portugueses".)

É o grande obreiro da revolução liberal. D. Pedro IV, “o Rei-Soldado”, assinala o início do Portugal contemporâneo. Desafia os políticos de Lisboa ao proclamar a independência do Brasil, outorga a Carta Constitucional aos Portugueses e acaba com o absolutismo após o célebre cerco do Porto. Morre quatro dias depois de restituir o trono à filha, D. Maria II, em 1834. Uma figura incontornável da experiência liberal portuguesa, que impressiona pela obstinada convicção dos seus ideais. “É o último rei do Antigo Regime”, assinala José Miguel Sardica, professor universitário.
– Contrair Conteúdo

Herdeiro da coroa portuguesa, D. Pedro IV nasceu em ambiente de grande agitação política. As ideias liberais da Revolução Francesa proliferavam pela Europa. Portugal foi invadido pelas tropas napoleónicas, e a corte viu-se obrigada a fugir para o Brasil, em 1807. D. Pedro tinha 9 anos. Filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nunca se prendeu muito aos estudos. O espírito apaixonado e corajoso levou-o, no entanto, a assumir funções de destaque ao longo do seu percurso. “O Rei-Soldado” outorgou a Carta Constitucional e comandou as lutas entre liberais e absolutistas. “Foi um herói simultaneamente romântico e aventureiro”, aponta José Miguel Sardica, professor universitário. “Funda o estado liberal.”

Com o título de príncipe real desde Março de 1816, D. Pedro IV foi nomeado regente do Brasil aquando do regresso do pai a Portugal, em 1821.

A agitação de inspiração liberal começou a ganhar grandes proporções entre os naturais do Brasil. D. Pedro, que já se identificava com o liberalismo, recusou regressar quando foi pressionado pelas Cortes de Lisboa e proclamou a independência brasileira. “Em Janeiro de 1822 declarou o célebre ‘Eu fico!’. Para ele era a independência ou a morte”, diz José Miguel Sardica. “Quebrou o laço atlântico que, desde o século XVI, era o principal eixo económico do império.” Pouco depois, foi nomeado imperador do Brasil, ficando conhecido como D. Pedro I. “Um soldado imperador que sempre teve vontade de servir a pátria”, acrescenta Hélio Loureiro, chefe de cozinha do Porto Palácio Hotel e um apaixonado pela história de Portugal.

Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro tornou-se rei de Portugal. Na impossibilidade prática de reunir as duas coroas, decidiu apoiar a independência do Brasil. Outorgou a Carta Constitucional aos Portugueses e abdicou do trono a favor da sua filha mais velha, D. Maria da Glória (futura D. Maria II). Isto com a condição de esta se casar com o seu tio D. Miguel - líder da facção absolutista -, que devia jurar a Carta. D. Miguel acabou por defender os seus direitos ao trono e começou a governar como rei absolutista, iniciando a guerra civil que durou de 1828 a 1834. “Foi o conflito mais sangrento no País nos últimos 200 anos. Nem o Estado Novo criou tantos exilados e repressão política”, lembra José Miguel Sardica.

No governo do Brasil, a atitude autoritária de D. Pedro em relação às forças políticas mais liberais levou-o ao afastamento do poder. Viu-se obrigado a abdicar a favor do filho, futuro D. Pedro II, em 1831. Reduzido ao título de duque de Bragança, voltou para a Europa para defender os direitos da filha e ajudar a vingar a causa liberal. “D. Pedro foi um homem de sonhos, que quis avançar para o futuro”, afirma Hélio Loureiro. “Sabia perfeitamente que eram os ideais liberais que se propagariam e influenciariam o resto da Europa.”

Chegado aos Açores, o duque de Bragança formou governo, do qual faziam parte o jurista Mouzinho da Silveira e o diplomata marquês de Palmela. Tornou-se herói das lutas liberais, a personificação da viragem política, quando rechaçou, no cerco do Porto, os ataques das tropas miguelistas. Com a conquista de Lisboa, em 24 de Julho de 1833, pelas forças liberais e a assinatura da Convenção de Évora-Monte, em 26 de Maio de 1834, terminou, finalmente, com a guerra civil e exilou o rei absoluto. O trono foi restituído a D. Maria e deu-se início aos seus 19 anos de reinado. D. Pedro IV morreu quatro dias depois, no mesmo quarto do Palácio de Queluz - o de D. Quixote - onde tinha nascido. “Implantou e consolidou o Estado constitucional em Portugal. Deixou uma marca indelével”, conclui José Miguel Sardica

Acabei de ler o artigo do Luis Lavoura sobre a gestão do IST e achei interessante e adequada a solução. O meu colega Luis, por outro lado, não achou nada interessante.

A primeira questão coloca-se em o IST ser dirigido por gestão interna o que me parece ser extremamente adequado e certamente o modelo mais eficiente.
Quem está de fora também poderá ter opiniões muito interessantes e válidas para gerir o IST, mas ninguém sabe mais o que o instituto precisa do que quem está por dentro.
Note-se ainda que a solução de gestão interna é sem dúvida aquela que mais previne a corrupção e a má gestão, porque os professores, os alunos e os funcionários são os mais preocupados com o sucesso, a qualidade e o prestígio da instituição.

A segunda questão tem a ver com a formação da direcção e a distribuição de poderes.
Numa universidade existem três tipos de agentes intervenientes:
- Os professores
- Os alunos
- Os funcionários (não docentes)

É elementar que os professores são quem sabe mais sabe sobre a qualidade do ensino.
Mas é igualmente elementar que nem sempre os professores têm por interesse a solução que é melhor para todos.
Não por maldade, mas apenas por desconhecimento ou por darem menos importância a factores que são muito importantes para alunos e funcionários.

Naturalmente que a solução pragmática é a de os professores terem mais poder que os alunos ou os funcionários isolados, mas que por outro lado, os funcionários e os alunos quando combinados tenham mais poder que os professores isolados.

E esta foi a solução encontrada:
O conselho directivo é formado por 4 professores, 3 estudantes e 2 funcionários.

Esta solução combina a democracia com a diferença de importâncias e conhecimento.
Qualquer outra situação como ter uma maioria absoluta do poder dos professores conduziria certamente a abusos de poder.
Temos ainda que ver que quando estudantes e funcionários estão do mesmo lado, em princípio fazem-no porque têm razões muito fortes.

Gostei de saber que as faculdades em Portugal (à semelhança do IST) utilizam um método tão autónomono, democrático e pragmático.

Vou me dar ao trabalho de explicar porque razão pessoas que se consideram desenvolvidas não podem aceitar práticas de tortura. E digo "vou me dar ao trabalho", porque esta questão devia estar encerrada há séculos (literalmente).

Primeiro, devemos compreender o contexto em que surgiram os Direitos Humanos.
Há uns séculos atrás, a tortura, a humilhação, a escravatura, a violação sexual e o genocídio eram práticas comuns e "aceitáveis" para os inimigos.
Isto porque cada um defendia-se sob a ideia de que "os outros" é que são "os maus" e "nós" estamos apenas a "defender-nos na mesma moeda". Este raciocínio é facilmente falível quando visto sob um ponto de vista racional, mas num ambiente de guerra a racionalidade é a primeira a desaparecer.
Mas com a evolução da sociedade chegou-se à conclusão que há um nível abaixo do qual nunca se deve passar, ao qual nós damos o nome de "Direitos Humanos".
Independentemente de quem é o outro, do que ele já fez ou do que gostaria de fazer há direitos que lhe são consagrados pelo simples facto de ser Humano. Assim, não faz qualquer sentido dizer que nós não respeitamos os Direitos Humanos, porque "os outros" não respeitam os D.H..

Logo aqui há quem venha discursar erróneamente sobre a relatividade dos Direitos Humanos. É verdade que a definição de Direitos Humanos teve ao longo dos tempos alguma evolução, sendo portanto que existem pequenos patamares de diferenciação.
Mas quando falamos da tortura não faz qualquer sentido falar em relatividade dos Direitos Humanos, pois a tortura é o patamar mais profundo dos Direitos Humanos. Se anulamos este, estamos a anular por completo os Direitos Humanos.

Perante a inutilidade do argumento da relatividade dos Direitos Humanos, muda-se para o argumento da necessidade e de um cenário de guerra à escala mundial sem antecedentes. Mas tudo isto é mentira. Nunca o mundo esteve tão perto da paz quanto está hoje. Países de todas as religiões e de todos os continentes procuram hoje um caminho para uma sociedade mais livre e mais liberal.
É no seio dos países ditos desenvolvidos que se incrementa o ódio e esta perspectiva de violência. Graças ao pretexto da segurança, governos têm tido carta branca para todos os abusos à privacidade, à dignidade e sobretudo à liberdade.
Frequentemente, ouvimos os representantes da direita a falar do perigo do terrorismo e da situação de violência e perigo em que vivemos. Mas curiosamente é a mesma direita que adora constuir centrais nucleares. Alguém no seu juízo perfeito se realmente tivesse assim tanto medo de ataques terroristas ia querer constuir centrais nucleares no "seu quintal"? Lembrem-se que para rebentar uma central nuclear em segurança, bastam uns milhares de euros e umas pesquisas rápidas na internet.
Pensem bem em quantas pessoas morreram nos últimos 6 anos (para incluir o 11 de Setembro) em actos de terrorismo religioso. Depois comparem com quantas pessoas morreram de acidentes de trânsito, excesso de comida, escassez de comida, violência doméstica, suicídio, falta de segurança e higiéne no trabalho, overdose, afogados numa praia pública com salva-vidas,etc. Será que o terrorismo tem essa dimensão que nos querem fazer crer ?

Sob o desespero da falta de argumentos, os apologistas da tortura vêm acusar os defensores dos Direitos Humanos de utopia. Segundo os primeiros, a tortura é a única forma de se prever os atentados terroristas, mas nada é mais falso.
Se existe necessidade para tortura é porque os serviços de inteligência não estão a funcionar, assim como todos os esforços para se acabar com o sub-desenvolvimento e os conflitos internacionais.
Ainda assim, os defensores da tortura vêm dizer que através da tortura conseguem informações preciosas que evitam atentadores terroristas. Tal ideia ultrapassa os limites do absurdo já que a prática de tortura leva qualquer pessoa a dizer qualquer coisa. Um testemunho obtido por tortura não tem qualquer valor, sendo que a mesma é capaz de levar à loucura e uma pessoa sob o efeito de tortura irá dizer algo que lhe venha à mente apenas para interromper aquele processo.

O Sr. Bush Jr. tentou ainda dizer que certas práticas eram relativamente aceitáveis como é o caso da WaterBoard. Esta tortura com nome de desporto radical é na verdade uma das práticas mais violentas conhecidas da Humanidade.
Entre as mortes mais violentas conhecidas encontram-se:
1ª queimar uma pessoa viva
2ª mutilar o corpo até a pessoa morrer de hemorregias, ou dor excessíva
3ª afogamento.
Waterboard consiste em simular a terceira morte (até ao limite) através de uma folha de celofane na boca e encher de água até obstuir completamente as vias respiratórias. Após a vítima ter sentido todo o sofrimento que sofre uma pessoa que morre afogada e achar que já não consegue sobreviver volta-se a deixar respirar. Como numa situação de tensão o ser humano apenas tem ar para uns 10 segundos esta operação repete-se a cada 25, 30 segundos e cada vez menos tempo. Um militar treinado não resiste a mais que 1 minuto e meio. Ao chegar ao terceiro afogamento ele está a desejar morrer.
E o resultado da tortura vai tão longe, que na grande maioria dos casos, as vítimas enlouquecem ou morrem por se ter retirado um segundo tarde demais.

Importa ainda salientar que as pessoas que são submetidas a tortura não foram julgadas. Foram apenas recolhidas por estarem no sítio errado à hora errada e são inocentes.
Alguns são inocentes técnicamente pois não foram submetidos a julgamento, mas muitos são efectivamente inocentes e nunca terão oportunidade de provar o contrário, pois as suas famílias apenas sabem que eles desapareceram e muitas vezes nem sabem que foram capturadas nem porquê.
E para onde vão os prisioneiros que desaparecem de prisões de todo o mundo para serem torturadas e nunca voltam a aparecer?

A pergunta que fica por responder é "porque razão tantas pessoas são a favor da tortura?".
E a resposta é muito simples: é que muitos de nós, dos países ditos civilizados queremos saber que alguém está a ser torturado, alguém está a ser humilhado, matratado, rebaixado e destruído, pois assim nós dormiremos melhor. Confundimos vingança com justiça, deixamo-nos comandar pelo ódio e tornamo-nos ainda pior do que a imagem que nós temos do nosso inimigo.

Este texto foi construído tendo por base as posições tomadas pela Liberal Internacional no congresso "Democracia e Desenvolvimento" em Marrakech, em Novembro de 2006, à qual compareceram 4 membros do Movimento Liberal Social.

Mohamad Yunus, professor de economia na universidade de Bangladesh e inventor do microcrédito, foi o vencedor do prémio Nobel da Paz 2006.

Para muitos poderá parecer estranho que um economista receba o prémio Nobel da Paz, mas ao conhecer-se a obra de Yunus, essa dúvida dissipa-se.

O conceito de Yunus, do microcrédito, acompanhado de outros pequenos conceitos desafia o conceito comum de economia, da luta contra a miséria, dos direitos humanos e do banco mundial.

A leitura de "O Banqueiro dos Pobres" esclarece-nos, muito para lá do senso comum, sobre como a Economia se aplica às questões de extrema pobreza.

Yunus ataca fortemente as supostas ajudas dos países desenvolvidos ao terceiro mundo, demonstrando como são na maioria das vezes inúteis ou até contraproducentes.

A análise económico-social de Yunus vai mais longe que a de outros pensadores (como Marx) de uma forma extremamente clara e objectiva. Não deixa qualquer espaço para dúvidas de como a sociologia e a economia se interligam e da importância que têm na defesa dos Direitos Humanos.

O livro "O banqueiro dos pobres" indica-nos o caminho para acabar com a extrema pobreza e o subdesenvolvimento.

Este é um livro obrigatório para quem queira saber mais sobre economia ou da luta contra a extrema pobreza.

Caros membros e simpatizantes,

próxima sexta feira (20 de Outubro) pelas 20h00, vai realizar-se um encontro Liberal no Saldanha Residence em Lisboa.

O tema a discutir será o tema que está a ser debatido durante o corrente mês: O financiamento da Saúde.

Este encontro será aberto a todos os não membros, que nos queiram conhecer ou contribuir na discussão.
Para nos encontrar basta procurar membros que utilizem uma tshirt amarela com o símbolo do MLS, ou contactar através do número 91 473 37 71.

Aguardamos a sua participação.