O blogue de Vitor Jesus

Pretendo com este post (que era para ser um comentario a posts anteriores) dar umas achegas sobre liberalismo, tanto qto me for possivel.

Vou dar o exemplo do neoliberalismo que tantas vezes e' atacado, umas sem razao, outras cheias de razao. Mas nao deixa de ser emblematico de certos liberalismos que pouco me interessam.

Da forma como vejo, a "ideologia" neoliberal (pq nao e' propriamente uma ideologia), baseia-se em teorias economicas dos anos 70 (?), nomeadamente, na ideia de que mercados perfeitamente competitivos geram maximo desenvolvimento e riqueza, bastando para isso que todos os agentes ajam por interesse proprio. Ou seja, duma perspectiva extrema, facam o favor de serem maus, desonestos, ganaciosos, materialistas e individualistas, que todos agradecemos pq e' esse o caminho para o sucesso de todos.

Estas teorias, por um lado, foram mal interpretadas; mas nao obstou a que se usassem, primeiro, para justificar a ganancia individual (o yuppie que joga na bolsa, workaholic e quer enriquecer rapidamente); depois, justificou a ideia de que so' com trabalho se chega la' (o yuppie que acorda de manha com cocaina), e, em formas mais extremas, quem nao trabalha e nao e' produtivo mais vale ser posto de parte pq nao faz ca' falta.

As teorias que surgiram deram contexto matematico e rigoroso 'a "mao invisivel" de Adam Smith. Mas, foram interpretadas como
"afinal, a mao invisivel existe!" e nao, como agora se sabe,
"as condicoes em que os mercados perfeitamente competitivos existem sao impossiveis de alcancar".

E' neste sentido que, se o neoliberalismo economico for uma ideologia, e' tao utopica (ou mais) que o Comunismo.

O problema essencial do neoliberalismo e' que nao percebe que os mercados tem ENORMES ineficiencias num cenario real: os mercados perfeitamente competitivos so' existem no papel. E a ideia de que, se todos forem gananciosos e egoistas, ganhamos todos pq a Economia, magicamente, gera e distribui riqueza por todos, transformou-se numa das maiores falacias da historia. Finalmente, reforcou a ideia de que o Estado nao deve intervir minimamente nos assuntos individuais e deve ter um peso pequeno, pq, como corolario destas ideias, economias planeadas nao funcionam (e.g. paises de Leste).

Nevertheless, ha' licoes importantes a aprender, assim como, pex., ha' licoes importantes a aprender com o socialismo posto em pratica nos paises de leste.

Nao pretendo discutir Liberalismos e muito menos o Neoliberalismo. Apenas quero dar o exemnplo de um liberalismo que EU, PESSOALMENTE, REJEITO enquanto explico porque, ainda que pela rama. Mas tb rejeito qualquer comunismo ou socialismo. Pelo meio, ha' muitas outras "coisas", muitas outros factores, muitas outras ideologias, muita tecnica e ciencia ao servico da ideologia e, igualmente, muitas crencas e feelings individuais que tao cedo ninguem prova.

Peço muito cuidado ao ler este post. :)

Pensemos apenas em crimes relacionados com roubo e não violentos (apenas há troca de bens materiais). Qualquer ladrão, se é ladrão, é "pobre". Qualquer assaltado, por ser o assaltado, é "rico". O ladrão fica com a propriedade do rico, ficando o rico com menos riqueza e o ladrão com mais riqueza.

Isto, por mim, configura uma benevolente e justa redistribuição da riqueza: os pobres ficam um bocadinho mais ricos e os ricos um bocadinho mais pobres. Diria mais, o bocadinho de riqueza que o rico assaltado perdeu pouco impacto terá no seu estilo de vida; mas o bocadinho de riqueza que o ladrão transferiu para si pode ter um enorme impacto (de efeitos momentâneos ou não) na sua qualidade de vida.

Em traços largos: o crime não-violento (como os carteiristas simpáticos que depois devolvem os documentos e só ficam com o dinheiro) pode ser um mecanismo de redistribuição de riqueza, homogeneizando a sociedade, como parece ser o objectivo e pressuposto de qualquer esquerda.

Até ia mais longe: dado que ladrões são, por natureza, "pobres", e assaltados são "ricos" (senão era pointless assalta-los), se calhar era um mecanismo ainda mais eficiente de redistribuição de riqueza do que o Estado. É que o Estado, impessoal, grande e dificilmente controlável, é muito susceptível a injustiças ou interesses particulares de quem tem o poder. Nem sempre são os pobres que recebem a riqueza dos ricos.

Este paradoxo já tem alguns anos e tem (pelo menos) uma solução simples que me convence.

Pelo meio até há preconceitos (roubar é "imoral" e mais nada!) que, como qualquer preconceito, convem desmontar nem que seja para tirar as conclusões mais óbvias.

Há uns tempos disse que pagava um jantar a quem me esclarecesse pq é que, entre um fumador e um não-fumador que não deseja ser incomodado, o não-fumador parece ter mais legitimidade em impor a sua "liberdade". Ninguém me convenceu.

Agora pago dois jantares a quem convencer uma de duas coisas:
- este tipo de crime é mesmo uma solução, só que na prática não funcionaria porque...
- a argumentação é falaciosa e esta criminalidade não é solução pq......

Pelo meio, serve este post para dizer que há cenários caricatos (até com cheirinho de nonsense) que, devidamente esmiuçados e desmontados, arrastam um saber muito para além do académico apenas interessado na verdade pela verdade.

Mas não vale copiar! :)

Escrevi assim num blog anterior :
"qto aos pescadores a património universal, paciência. não dá, não dá."

Pequena correcção para não parecer tão frio. E já agora, por ser tão universal, fiz disto um post per se.

melhor mais bem escrito:
"qto aos pescadores a património universal, paciência. não dá PARA TODOS, não dá PARA TODOS."

Os que ficarem de fora, repensem a actividade e dêem a volta por cima. A "pesca" não é apenas atirar a rede e puxar o peixinho a contorcer-se. E, aqui, o Estado pode (deve?) dar uma ajudinha: ajudar os pescadores a perceber como podem ganhar sustento ainda à volta da pesca mas não necessariamente a pescar.

Seguramente que um pescador sabe mais coisas para além de atirar a rede e puxar o peixe. É questão é de construir um negócio inteligente à volta desse know-how, p.ex., com um produto/serviço inteligente.

Agora, pagar a pescadores para não pescarem e, ainda por cima, faze-los acreditar que o problema não é a pesca como actividade económica e que, qdo o "mar" não corresponde, há o Estado a dar os trocos, ... isso é que não.

Nem eles têm o direito de o pedir, nem eu tenho o dever de lhe oferecer.

"Não lhes dês o peixe, dá-lhes a cana de pesca." Então aqui é que faz sentido.

Quando me começam a falar de seca, imagino logo uma filinha de tractores a 20-à-hora a caminho de Lisboa.

Para ser franco, nunca partilhei muito da dor dos agricultores. Ou melhor, lamento estarem irredutivelmente ligados a essa actividade. Bolo das lamentações, tentando quantificar o inquantificável:

- 33% culpa deles, já que o tempo sempre foi o que foi e a culpa não é de ninguém se crescer tomates não é rentável. Isto é o sec XXI, e a agricultura, do ponto de vista de actividade económica, não é mais especial do que um decorador de interiores ou um bancário.

- 17% culpa das circunstâncias, já que um agricultor típico (acho) tem idade para ser meu pai (até avô), com baixas qualificações. Não se reconverte estes agricultores assim tão facilmente,

- 50% fruto de políticas tipo PAC que vê na agricultura e afins uma tal nobreza e imprescindibilidade que justifica ser um buraco sem fundo para dinheiros públicos.

Normalmente a agricultura e afins é aquela poção mágica que mistura muitos temas quentes: ecológicos (o global warming, o buraco do ozono e a poluição), a globalização (o capitalismo selvagem e as temíveis políticas neo-liberais), a tradição e os recursos (quase) naturais de um país (Portugal cheio de mar tem de ter pescadores), etc.

A coisa gira é que está tudo ao contrário. Exemplos:

- O global warming nunca me convenceu muito para ser franco. Não digo que não exista (séculos de "urbanização" não podem ser inócuos) mas tb está muito longe de ser um dado aquirido. Já vi muita gente afirmar que o clima tem uma espécie de personalidade própria e sempre foi assim. Exigir constância ao clima e à temperatura chega a ser ridículo. Pelo meio, entre a influência humana e a indomabilidade da natureza, há-de haver um bom compromisso.

- a globalização. esta então é que foi virada ao contrário. Quem é contra ela (vejamos assim), esquece-se que, se não fossem medidas proteccionistas, muito provavelmente iríamos tirar muitos africanos da pobreza ao mesmo tempo que tinhamos alimentos mais baratos em casa.

- os pescadores elevados a património mundial. É muito giro ir à Nazaré ver barquinhos. Mas posso dar mais exemplos de outras coisas giras. Alguém me quer contratar para fazer uma lista de coisas giras?

A seca como quase tudo, não é boa nem é má. A seca é uma condição e a água é um recurso.

E se houvesse um sistema de Segurança Social que permitisse o seguinte:

1- os contribuintes têm consciência do redistribuição inter-geracional
2- os beneficários da sua dependência da boa vontade dos contribuintes
3- ser bem claro o conflito de interesses da democracia num Estado Social, quando os votantes têm algo a dizer sobre o montante dos seus próprios benefícios, cujos efeitos recaiem nos outros.

Vejam aqui: http://blog.causaliberal.net/2006_01_01_causaliberal_archive.html#113637413035534261

É simples demais para ser verdade. Mas lá que é tentador, é.

www.manuelamagno.com.pt.
"Lisboa, 30.12.05. Recebido o acórdão do Tribunal Constitucional que decidiu pela não admissão da candidatura da cidadã Maria Manuela de Sousa Magno, cumpre dizer o seguinte:
1. Desde logo, realça-se o absurdo atraso, para lá de todos os prazos legais, de várias juntas de freguesia em enviar as certidões de capacidade eleitoral activa que em muito condicionou todo o processo de apresentação da presente candidatura.
(...)"

Candidatura de Luís Filipe Guerra.
O mesmo aconteceu. As Juntas de Freguesia têm 3 dias para emitir a certidão de eleitor. Apoiantes do LFG dizem que algumas Juntas de Freguesia ao fim de um mês ainda não enviaram. Para o ridículo, note-se este caso. O pedido de certidão ("assinatura") data do início de Dezembro. A certidão é emitida com data de duas semanas depois. A carta chegou com o selo de ontem. Ou seja, duas semanas para assinar a certidão e outras duas para colocar a cartinha no correio.

Isto dá que pensar.

Eu sempre gostei de pensar que não há jogos de bastidores nem teatros televisivos. No caso das eleições para PR, gosto muito de pensar que cada candidato se propõe pq se convenceu que é a melhor pessoa, dados os outros candidatos, para a função. Ou seja, não se candidata para se aproveitar da festa da campanha para outros objectivos como promoção pessoal, promoção do grupo de interesses (e.g. partidos) ou, bem pior, como peça de jogo de xadrez onde nem é o actor principal.

Claro que só nos meus dias mais utópicos acredito nisto. Entre o jogo de xadrez e a proposta pessoal de candidato há um espaço amplo, e já vou aceitando meias-medidas pacificamente.

Tb há a questão de assumir que há derrotados à partida. Penso que ninguém acredita que FLouca ou JSousa têm hipóteses de ser eleitos. Muito menos os candidatos que andam neste momento esgotados a recolher assinaturas. A prévia ideação de uma campanha eleitoral com base neste pressuposto está necessariamente condicionada e, consequentemente, tb o plano de campanha o está.

O que sempre acreditei é que, neste caso, pode na mesma fazer-se uma campanha pq a mensagem geral é a seguinte: eu sei que não vou ser eleito, mas aqui está uma alternativa de modo de ser, de pensar e de agir. No fundo, mostrar durante 2 semanas como poderia haver um presidente diferente.

Desta forma, aceito e recomendo o maior número de candidaturas possíveis. Se os candidatos com possibilidades de ganhar se esforçam por convencer o eleitorado dos seus argumentos, os candidatos com poucas hipóteses de ganhar apresentam-se para dar o exemplo do que seria um presidente diferente.

O limite é quando se faz disto um jogo de xadrez. Exemplo: eu sou candidato, nao para dar o exemplo ou para convencer o eleitorado a votar em mim, mas para ajudar outro candidato a ganhar eleições. Nomeadamente, fazer campanha desistindo à boca das urnas. Ou pior, comprometer-se de honra que não desiste e depois desistir argumentando que as condções se alteraram.

No extremo do extremo, a um polegar do abismo, está o pedido de desistência aos outros candidatos a favor do que faz o pedido. Não há por aqui uma grotesca deturpação do que é uma campanha, umas eleições e um sufrágio?

A dada altura, parece que uma campanha não é um processo de argumentação e comparação de valência e pensamentos. Parece que é uma sucessão de artimanhas e estratagemas, previamente calculados, para que, chegado o dia do voto, os eleitores não tenham hipótese de escolha -- enquanto se produz a sensação de que estão a optar.

Mas isto é mesmo assim diabólico ou o almoço caiu-me mal?

Que dia maravilhoso!

Bush admite que se baseou em informacoes erradas para invadir o Iraque; o presidente do Irao diz que o holocausto foi um mito; no Brasil, um prefeito proibiu os locais de morrer enquanto nao houver cemiterio novo.

Bush:

"(...) e é verdade que essa informação acabou
por revelar-se errada” (...)" (nao te martirizes com isso, pa!)

"Tendo em conta o passado de Saddam, e as lições do 11
de Setembro, considero que a minha decisão [de invadir o
Iraque] foi a melhor.” (Ja' agora, Irao pa quando?)

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Pres. do Irao:

"Israel tem de ser apagado do mapa.” (bunito!)

"Alguns países europeus insistem em
dizer que Hitler matou milhões de
judeus inocentes […]." (e' que nao se calam com isso!)

"Criaram um mito hoje a que chamam “o massacre
dos judeus” e consideram-no um princípio acima de
Deus, religiões e profetas. (Elvis e' o rei!)

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Prefeito da cidade brasileira de Biritiba-Mirim (Publico 14dez05), a proposito da sobrelotacao do cemiterio local.

"Fica proibido morrer em Biritiba-Mirim.
Os munícipes deverão cuidar
da saúde para não falecer” (suicidio tb nao vale)

“os infractores serão responsabilizados
pelos seus actos” (na base da coima)

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O problema e' que, enquanto a terceira parte (prefeito) e' uma manobra mediatica e justificada para chamar 'a atencao que o cemiterio local nao pode ser ampliado por varias razoes.... as duas primeiras sao mesmo a serio.

Mas e' um dia maravilhoso na mesma. Em Amsterdao nem sequer chove.
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"O projecto de alta velocidade ferroviária vai criar 100 mil empregos no pico da fase da construção das ligações, entre 2010 e 2012, revelou hoje o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, na apresentação pública da obra." (site da RTP)

De facto, a única explicação que tenho para mim na teimosia da Ota e do TGV era os empregos que pelo meio iriam gerar. Não tenho grandes dúvidas que é essa a motivação de fundo do Sócrates.

É revoltante. Não vai criar emprego de qualidade, vai gastar-se muito dinheiro em obras que não vão servir para nada, vai gastar-se muito dinheiro em obras que depois se vão ter de manter (é um presente envenenado como as SCUTs -- só que agora à escala dos biliões) e vai tirar, genericamente, competitividade a uma série de sectores e regiões (o negócio do turismo reclama, o aeroporto do Porto reclama, ...).

É revoltante o que se faz para se ter efeitos de um dia para o outro. Como é que se consegue dormir à noite?

A única esperança que tenho de que volte tudo atrás são as notícias qeu falam dos concursos dos privados. Pode ser que qdo os concursos abrirem, ninguém pegue neles, pq ninguém vai financiar obras que não tem futuro.

Mas mesmo aí a esperança é pouca. Haverá sempre o Estado gratificante, como a Brisa (ao que sei) funciona: está no contrato que, se tiver prejuízos, o Estado cobre, já que é uma mistura de serviço público e investimento privado. Se da Brisa não há tanta razão de queixa como isso, da Ota, da ANA e do TGV já nao é assim.

Em resumo, é um exemplo de más práticas socialistas (tb as há das boas). Se Guterres abriu o Estado aos funcionários públicos e bloqueou o preço dos combustíveis, Sócrates inventa obras e maneiras de gastar dinheiro. Até preferiria a ideia de Sócrates mas não a esta escala de biliões.

Venha o ecran plasma de 3500 eur a pagar em 20 anos. Não cabe na sala? Vende-se o frigorífico.

(...)
The study, covering 70 countries which represent 99 percent of the world's information technology spending, said that a worldwide reduction of software piracy by 10 percentage points to 25 percent could generate 2.4 million jobs and $400 billion of economic growth.
(...)
The Chinese government has said there will be no illegal software in its institutions by the end of 2005, and that it will ban illegal software from all state-owned companies by the end of 2006.

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(ignorem os numeros exactos pq nao tive tempo de confirmar a fonte)

1. Eu duvido muito que a China esteja a fazer alguma coisa para isto acontecer.

2. Notar que nao ha' fiscalizacao pq o governo chines nao deixa (o sr. Bill Gates la' nao tem peso nenhum, e' um mero capitalista de um pais imperialista...).

3. Enquanto as outras empresas pagam licencas, a China trabalha com sw 'a borla. Notar que sw profissional e especializado facilmente passa os 100k eur/mes. Nao estamos a falar de licencas do Windows XP...

4. Mas tb a China e' aquela zona que nenhuma empresa pode desprezar. Todos se sujeitam a isto.

E' um exemplo de como a China e' uma ameaca brutal 'a estabilidade mundial. Como estes ha' muitos. Como disse noutro post, e' uma admiravel inversao da historia: o comunismo 'as costas do capitalismo.