Sou um participante no esquema de microcrédito do kiva.org, um site que me permite emprestar pequenos montantes de dinheiro a negócios espalhados pelo mundo. Acredito que emprestar dinheiro para pequenos negócios é uma forma muito mais salutar de ajudar o próximo que a caridade, permitindo a quem o recebe tornar-se independente e, no meu caso específico dado que apenas empresto a mulheres, contribuir para uma maior igualdade.
Recentemente no blogue do kiva foi publicado um pequeno artigo sobre o impacto da religião na pobreza, por um membro da equipa que está em viagem pela Indonésia (uma das muitas regiões onde opera). Segundo o mesmo, na Indonésia, existe uma aldeia essencialmente cristã que parece muito menos pobre que as aldeias circundantes. Aparentemente a razão de tal acontecer, é que as aldeias circundantes, sendo Hindus, gastam uma proporção muito maior dos seus rendimentos em templos, oferendas e festas religiosas.
A pergunta colocada pelo autor do artigo é para mim muito relevante:
one must question whether the money spent on daily offerings and ceremonies would be better spent on food, education or housing needs
Curiosamente, o mesmo poderia aplicar-se em Portugal ao famoso dízimo de muitas igrejas evangélicas, que certamente apenas contribui para fazer mais pobre quem já é pobre. No fundo, este tipo de acções é apenas mais um facto que torna mais pobre quem já é pobre, tornando-os ainda mais dependentes da caridade religiosa em vez dos seus próprios recursos.


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