O blogue de Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi hoje na rádio que a Comissão Europeia (ou uma outra entidade europeia qualquer, já não me lembro exatamente qual) criticou a aplicação por Portugal dos fundos estruturais recebidos da União ao longo da década de 1990, afirmando que o país estaria hoje melhor se tivesse gastado esses fundos prioritariamente na educação, em vez de os ter gastado sobretudo em infra-estruturas, leia-se em estradas.

Eu não sei se esta crítica é válida. Os problemas da educação não se resolvem só, nem mesmo sobretudo, com dinheiro. Se Portugal tem tão maus resultados no campo educativo, isso deve-se em grande parte a problemas culturais básicos. Os portugueses não estão, em grande parte, verdadeiramente interessados em educar-se e em aprender. Muitos portugueses não compreendem bem para que é que a educação serve, nem estão muito empenhados em apoiar a educação dos seus filhos. Muitos portugueses afirmam claramente que a educação não serve para nada, o que interessa é que a criança ou jovem possa o mais cedo possível ingressar numa fábrica para ajudar a pagar os custos do sustento da família, pois que um trabalhador tanto ganha e tão bem encontra emprego tendo a segunda classe como tendo o décimo-segundo ano. Esta é a mentalidade de muitos portugueses. E muitos outros acham que é de facto importante ter o décimo-segundo ano, não porque se aprenda alguma coisa, mas porque esse diploma dá automaticamente direito a um salário maior na função pública, quer se saiba alguma coisa de útil ou não. Para esses outros portugueses, mais uma vez, a educação não é importante, o importante são os "canudos".

Portanto, não é para mim de forma nenhuma evidente que Portugal hoje em dia estivesse melhor se ao longo da década de 1990 tivesse atirado mais dinheiro para o setor da educação, em vez de o usar a construir estradas.

Mas faço de bom grado um compromisso: teria sido bem melhor se Portugal tivesse gastado mais dinheiro em infra-estruturas de educação. Se, em vez de gastar tanto dinheiro na construção civil de estradas, o país tivesse gastado esse dinheiro na construção civil de escolas. As escolas são infra-estruturas. Não educam, mas podem pelo menos fazer com que os alunos se sintam bem nelas. E é vergonhoso que haja escolas onde o vento entra pelas frinchas da caixilharia das janelas, onde não há aquecimento que permita uma temperatura uniforme de 20 graus Celsius nas salas no Inverno, onde não há um ginásio, onde não há uma cantina.

A investir em infra-estruturas, Portugal podia, ao menos, ter investido nas infra-estruturas mais necessárias para uma vida digna.

Retrato de Luís Lavoura

Entretanto, no noticiário da hora do almoço vi que em Espanha foram presos, com grande aparato policial e exibição de força militar, uns tantos indivíduos marroquinos, que são acusados pelo poder judicial espanhol de andarem a angariar homens muçulmanos para irem combater no Iraque e no Afeganistão contra as forças invasoras e ocupantes desses países.

Ora, eu acho isto muito, muito estranho. Eu acho que isto é um ataque às liberdades. É que, eu diria que estes marroquinos, se só andavam a fazer aquilo de que são acusados, em nada estavam a violar a lei espanhola. Pois que, não é crime procurar convencer um qualquer indivíduo a ir combater num outro país, que não a Espanha, contra as tropas ocupantes de um terceiro país, que não a Espanha.

Se houvesse tropas espanholas no Iraque ou no Afeganistão, eu conceberia que fosse crime em Espanha andar a angariar indivíduos para irem combater no Iraque ou no Afeganistão contra essas tropas espanholas.

Só que, nem no Iraque nem no Afeganistão há tropas espanholas. A Espanha está (e ainda bem!) fora dessas guerras. Ou, pelo menos, devia estar. Mas parece que de facto não está. Porque, para o poder judicial espanhol, parece ser crime que se contribua para combater contra as forças invasoras e ocupantes do Iraque e do Afeganistão.

É claro que seria crime se os marroquinos em questão andassem a angariar homens muçulmanos para eles, suponhamos, porem bombas em combóios espanhóis. Mas não é disso que se trata. De forma nenhuma. Eles andavam, alegadamente, a angariar homens muçulmanos para ir combater no Iraque e no Afeganistão, países com os quais Espanha nada tem a ver.

Há aqui, cheira-me, um grosso ataque às liberdades. Perpetrado, o que é muito grave, pelo próprio poder judicial.

Retrato de Luís Lavoura

Por decisão do Conselho Diretivo do Instituto Superior Técnico, a partir da próxima quinta-feira será proibido fumar em todos os espaços públicos do Instituto (exceção é feita apenas para os gabinetes individuais dos professores).

Até que enfim. Agora vão começar os tempos da Viradeira.

A partir de agora, sempre que encontrar alguém a fumar nos corredores, olhá-lo-ei bem nos olhos para lhe dizer "Aqui é proibido fumar".

É que, a partir de agora, a censura social terá a lei do seu lado. E isso fará toda a diferença.

Retrato de Luís Lavoura

Estou a ler o livro de Shirin Ebadi "O despertar do Irão", que foi há pouco tempo editado em Portugal. Ebadi recebeu, como sabem, o Prémio Nobel da Paz pela seu trabalho, como advogada, a favor dos direitos humanos no Irão.

O livro é bom e muito interessante, oferecendo-nos uma perspetiva diferente, por vezes até um pouco chocante. Deixo-vos aqui, para aguçar o apetite, um parágrafo do final do capítulo 5:

"Qual foi a heança desta guerra? As fronteiras mantiveram-se inalteradas. O mundo rapidamente esqueceu. Todas as vezes que vou a Behest-e Zahra e fico a olhar para os túmulos das vítimas da guerra, daqueles que serão recordados em nota de rodapé, como uma estimativa numérica, pergunto-me a mim própria quem terá sido o verdadeiro vencedor. Não o Irão, com a sua economia em ruínas, com dois terços das suas províncias destruídas, com os soldados vítimas das armas químicas de Saddam colocados em hospitais especiais, os seus corpos dilacerados queimando o tempo inteiro. Não o Iraque também, com a população igualmente destroçada e os curdos igualmente brutalizados por gás nervoso. Quem eram então os vencedores? Os traficantes de armas. As empresas europeias que venderam a Saddam as armas químicas, as firmas americanas que venderam armas a anbas as facções. Esses acumularam fortunas, ficaram com gordas contas bancárias e as suas famílias, em Bona e na Virgínia, saíram ilesas."

Retrato de Luís Lavoura

As pessoas maravilham-se com o extraordinário desempenho da bolsa de Lisboa. Em escassos cinco meses as cotações subiram 15%. Isto quando a economia portuguesa cresce a uns parcos 2% ao ano e quando os dividendos distribuídos pelas empresas não justificam, de forma nenhuma, tais extravagâncias.

Há que entender que as bolsas funcionam, hoje em dia, em larga medida, como um esquema de Ponzi. As altas cotações não são geradas pela perspetiva de bons dividendos, mas sim pela contínua chegada de dinheiro fresco ao mercado de capitais.

Com a subida das taxas de juro, o investimento em obrigações de taxa fixa tornou-se muito pouco atraente. Em Portugal, o investimento no imobiliário também tem cada vez menos perspetivas, dado que a procura dá sinais claros de esgotamento. Se uma pessoa investe hoje na compra de uma casa, não tem qualquer certeza de que, daqui a dois ou cinco anos, seja capaz de vender essa casa com bom lucro - ao contrário da situação que era vulgar há meia-dúzia de anos atrás.

As pessoas endinheiradas - que são muitas em Portugal, devido à enorme desigualdade de rendimentos que carateriza o país - voltam então as suas poupanças para as ações. Cada vez mais dinheiro procura a bolsa. Como o número de ações é fixo mas cada vez há mais dinheiro para as comprar, o preço das ações sobe, mesmo que os dividendos a distribuir pelas empresas sejam pequenos. As pessoas têm a perspetiva de poderem daqui a alguns anos revender a um preço muito superior as ações que agora compram, pois que entretanto muito mais dinheiro terá entrado na bolsa.

Só que, como todos os esquemas de Ponzi, também na bolsa estes maravilhosos rendimentos dependem da contínua entrada de dinheiro fresco, de novas poupanças. Não se trata de um investimento produtivo que gera um rendimento - expresso em dividendos distribuídos pelas empresas - mas sim de uma aposta especulativa num produto que, deseja-se, terá cada vez maior procura.

Retrato de Luís Lavoura

A lei do trabalho estipula que, aquando de um despedimento, o patrão deve dar ao empregado, a título de indemnização, um mês de salário por cada ano que esse empregado tiver trabalhado na casa.

Na prática, isto significa que cada ano de trabalho tem quinze meses de salário. Para além do salário que tem que pagar mensalmente, o patrão precisa de poupar dinheiro para pagar aos empregados um salário extra em Junho, outro salário extra em Novembro, e ainda um salário extra quando o trabalhador fôr despedido.

Assim se desloca para cima dos patrões todo o ónus de poupar para o futuro. As pessoas são desencorajadas de, responsavelmente, irem ao longo da vida poupando para terem dinheiro para as férias no Verão, terem dinheiro para os presentes de Natal, e terem dinheiro para quando tiverem que atravessar um período de desemprego. Não - quem tem que poupar é o patrão.

Assim, é no período em que, possivelmente, a empresa está em maiores dificuldades - quando precisa de despedir pessoal - que ela vai ter que arranjar dinheiro extra para pagar principescas indemnizações aos seus trabalhadores.

Na prática, muitas reestruturações de empresas são obviadas porque as empresas não conseguem arranjar dinheiro para... despedir o pessoal excedentário.

São coisas como esta que precisam de, rapidamente, ser eliminadas da lei laboral.

A indemnização por despedimento pode, eventualmente deve, continuar a existir. Mas tem que ter um valor fixo, independente do número de anos de trabalho na firma e, em parte, também independente do salário auferido.

Retrato de Luís Lavoura

O governo Sócrates dá sinais de, desde há já bastantes meses, ter perdido o ímpeto reformista que inicialmente o caraterizara.

Sinal disso são as últimas polémicas nos mídia, todas elas tendo como motivo coisas anódinas e sem qualquer verdadeira importância. Já não se discutem coisas minimamente importantes, como o saber se os professores devem ser colocados nas escolas por um ano ou por três ou quatro, ou saber como será a lei do arrendamento; agora discutem-se as frases disparatadas do ministro Mário Lino e do velho Almeida Santos, o caso de um professor nortenho que foi obrigado a voltar a dar aulas, um casal de ingleses que está a passar umas infindáveis férias no Allgarve à custa dos generosos donativos de centenas de milhares de outros ingleses, e outros faits divers sem qualquer importância genuína.

Ocasionalmente, aparecem números animadores sobre o deficit orçamental do Estado, que ainda dão ideia de que o país está a progredir. Mas, de facto, o país parece estar já parado. Parece que este governo já perdeu a coragem para fazer mais reformas.

E, no entanto, ainda há muito a fazer, muitas reformas a que seria conveniente que este governo metesse ombros.

Gritante de entre elas é a reforma das leis laborais: o ministro Vieira da Silva tem-se insistentemente referido à necessidade de liberalizar o mercado de trabalho, mas nunca mais avança com propostas concretas - só fala, só manda recados. Há que anos que os agentes mais dinâmicos da economia portuguesa - os investidores estrangeiros - andam a reclamar por uma liberalização das obosletas leis laborais portuguesas. O ministro ouve-os, concorda com eles, diz que sim, que realmente tem que ser feito - mas não vai àvante.

É também mais que altura de começar a simplificar radicalmente o sistema fiscal português, eliminando variados benefícios e deduções fiscais, e caminhando rapidamente para uma taxa única sobre os rendimentos e sobre os lucros. Um tal sistema permite simplicidade na cobrança, transparência no cálculo daquilo que cada um terá que pagar ao Estado, plena liberdade dos cidadãos nas suas opções - que deixam de ser guiadas por benefícios fiscais arbitrários -, e diminuição dos impostos marginais, estimulando dessa forma o investimento e desencorajando a fuga ao fisco.

O governo ainda tem muito para fazer. Mas parece que perdeu o gás. Este governo começa a assemalhar-se perigosamente àquele que existia quando Durão Barroso o abandonou.

Retrato de Luís Lavoura

No blogue Ladrões de Bicicletas, o economista de esquerda João Rodrigues reclama hoje por "limitações à perniciosa concorrência fiscal à escala da União" Europeia, isto é, reclama por uma uniformização da fiscalidade entre os 27 países da União.

Os países da União são regidos por regimes democráticos, os quais têm o direito de decidir, democraticamente e livremente, o nível dos seus impostos. Têm também o direito de decidir quais os setores em que a fiscalidade é maior - alguns países têm impostos mais altos sobre os lucros das empresas mas impostos mais baixos sobre os carburantes, outros ao contrário, e assim por diante. Os países decidem, também, ter Estados mais ou menos eficientes, os quais precisam de mais ou menos dinheiro para funcionar. Por exemplo, Espanha tem, ao que dizem, impostos mais baixos do que Portugal - mas o Estado espanhol é superavitário, tem um orçamento com excedentes, ao contrário de Portugal, cujo Estado tem um orçamento cronicamente deficitário. Deverá então o povo espanhol ser obrigado, para não fazer concorrência fiscal a Portugal, a suportar impostos mais altos? Evidentemente que não. Se o Estado espanhol já é superavitário, não tem qualquer necessidade de aumentar os impostos. É ridículo exigir que Espanha aumente os seus impostos só porque o país do lado, Portugal, tem um Estado disparatadamente grande e ineficiente. Os espanhóis não têm culpa de que nós sejamos incapazes de resolver o problema do nosso Estado, nem devem ser punidos por isso!

Portugal também faz concorrência fiscal à Dinamarca. Na Dinamarca o IVA é de 25%, em Portugal ele é de apenas 21%. Deverá Portugal ser obrigado a subir o seu IVA para 25%, para não fazer concorrência fiscal à Dinamarca? Evidentemente que não.

A concorrência fiscal não existe, a não ser em casos-limite, como os paraísos fiscais, que sustentam toda a sua economia sobre o facto de não terem impostos de todo em todo. O que existe são diferentes países, com Estados diferentemente dimensionados e diferentemente eficientes, que escolhem diversas formas de "alimentar" esses Estados e de os "engordar" ou "emagrecer". E esses países devem ter o direito democrático de continuarem a, livremente, experimentar com diferentes formas de fiscalidade. Nada há de mais conservador e anti-progressista do que exigir uma uniformidade, que retira o direito à liberdade de experimentar sistemas diferentes.

Retrato de Luís Lavoura

Gostei imenso de ouvir ontem à noite na televisão (RTP 2) Manuel Monteiro, a ser entrevistado na sua nova encarnação como candidato a vereador na Câmara Municipal de Lisboa (CML) - ele que, ao que julgo saber, mora na Póvoa de Varzim - mas o liberalismo consiste, precisamente, em cada um ter a liberdade de lutar por novos e melhores empregos.

Manuel Monteiro disse a dura e crua verdade ao povo. Disse que a CML gasta 60% das suas receitas regulares em salários, 90% das suas receitas regulares só em despesas de funcionamento. Manuel Monteiro disse que nenhuma empresa pode sobreviver com uma tal estrutura de receitas e despesas. (Os esquerdistas retorquiriam que uma Câmara não é uma empresa nem pode ser gerida como tal.) Manuel Monteiro disse que a CML não pode esperar que o governo lhe dê mais dinheiro, e que tem portanto, necessariamente, que diminuir as suas despesas de funcionamento. Manuel Monteiro disse que, para isso, a CML terá que, imprescindivelmente, despedir pessoal.

Manuel Monteiro disse que a CML terá que dizer aos seus contratados a prazo (os "avençados") que percam a esperança de obter um emprego na Câmara, porque terão que ser despedidos. Disse que a CML precisa de privatizar as suas empresas municipais, obigando-as a obter lucro sempre que viável. Por exemplo, a regulação do estacionamento não pode continuar a custar dinheiro à Câmara. A EMEL é deficitária, quando deveria dar lucro. Se não dá lucro é porque a Câmara continua a cobrar pouco pelo estacionamento pago, e porque continua a dar borlas a residentes. Não pode ser. A CML não pode continuar a perder dinheiro dessa maneira, com empresas que dão prejuízo todos os anos.

Manuel Monteiro referiu também a incrível pouca-vergonha que os assessores se tornaram na CML, nos últimos anos. Os 17 vereadores da CML têm na totalidade uns 140 assessores. Carmona Rodrigues tem, só à sua conta, 60 assessores. O moralizador Sá Fernandes tem 8 - razão só por si suficiente para que eu não vote nele. É caso para perguntar como é que uma pessoa só pode orientar eficazmente o trabalho de tantos assessores. Como é que tem tempo para ouvir e entender o que eles fizeram, e para lhes dar instruções válidas. É claro que não há tempo para isso. É claro que esses assessores não passam - em todos os partidos com vereadores na CML - de porcos que comem numa gigantesca gamela. Comem em troca de trabalho nenhum.

Manuel Monteiro disse aquilo que um candidato liberal à CML deveria dizer.

Manuel Monteiro disse a triste, vergonhosa verdade ao povo. Até que enfim que alguém lha diz.

Retrato de Luís Lavoura

Não há forma de resolver problemas políticos por métodos estritamente lógicos.

O liberalismo insiste na existência de um núcleo básico de direitos "negativos", o primeiro dos quais é o direito à vida, que o Estado não pode retirar a um ser humano. Esta teoria é muito bonita, mas deixa por esclarecer quem é o "ser humano" que detem esses direitos.

De facto, a questão põe-se geralmente nestes termos: X é mesmo um ser humano, e tem portanto direito à vida? É que, aqueles que negam o direito à vida de certos seres humanos inventam geralmente uma justificação, segundo a qual os indivíduos em questão NÃO SÃO de facto seres humanos.

Isto viu-se recentemente no caso do referendo sobre a legalização do aborto. Para alguns liberais, um embrião humano de 5 semanas é um ser humano, e tem como tal direito à vida. Outros liberais discordam, considerando que o embrião de 5 semanas não deve ter os direitos de um ser humano. Pouco nos ajuda o facto de sermos todos liberais e todos concordarmos que o direito à vida existe - permanece o problema de saber quem usufrui desse direito.

Trata-se de um problema bem conhecido historicamente. George Washington afirmou uma vez que os índios americanos eram "lobos na pele de um ser humano"; ora, é evidente que, se um índio é de facto um lobo, ele não tem direito à vida, e matá-lo é tão legítimo como matar qualquer outra besta; a nova república democrática americana não tinha, pois, que se preocupar com os direitos humanos dos índios. O padre António Vieira, que dedicou a sua vida à evangelização dos índios do Brasil, discordava veementemente: insistiu nos seus escritos que os índios eram de facto seres humanos - ao mesmo tempo que tolerava sem problemas a escravatura dos negros trazidos de África, que, na sua visão, não eram seres humanos!

O liberalismo, ao insistir na tese dos direitos "negativos" fundamentais, deixa portanto por esclarecer quem são os seres humanos que são objeto desses direitos. Uma lacuna gravíssima, mas infelizmente irresolúvel por quaisquer meios lógicos.