A educação em Portugal encontra-se, como é sabido, em péssimo estado.
No entanto, desde há muitos anos que existe em Portugal escolaridade obrigatória até ao 9º ano.
Só que, essa escolaridade obrigatória é aplicada a uma população que, em boa parte, a rejeita, não a deseja e não a compreende.
Para muitos portugueses, a educação dos filhos não é muito importante. Na melhor das hipóteses, é importante que eles passem de ano - mas não que aprendam alguma coisa.
A escolaridade obrigatória faz-se, em Portugal, em grande parte à custa de passagens de ano fictícias - em que os alunos são passados de um ano para o outro sem no entanto terem aprendido a matéria que deviam.
Conheço na minha zona um miúdo, aliás muito simpático e bem educado, que, aos doze anos de idade, anda no liceu mas não sabe fazer uma conta de multiplicar - e muito menos de dividir - do mais simples, tipo 4x3.
Parece-me claro que o ensino português tem que se re-orientar para a qualidade, em detrimento da quantidade. Tem que abandonar a utopia de um ensino obrigatório, o qual de facto não é alcançado, uma vez que boa parte da população não está, pura e simplesmente, interessada na aprendizagem.
Uma sugestão, é que a escolaridade obrigatória deveria ser re-definida em termos de idade, e não em termos de grau de ensino. Um jovem seria obrigado a permanecer na escola até aos 14 ou 16 anos de idade - mesmo que não passasse da 4ª classe em termos de conhecimentos académicos.
Penso também ser fundamental re-introduzir o princípio dos exames nacionais como condição essencial para a passagem de grau de ensino. É preciso que haja, pelo menos, um exame nacional no 3º ou 4º ano, e outro no 8º ou 9º ano, e que esses exames nacionais sejam vinculativos - que não se possa passar de ano com nota inferior a 10 no exame nacional.
Não vale a pena continuarmos a enganarmo-nos a nós próprios, fingindo que estamos a ensinar algo aos jovens, só porque eles estão na escola.
Por outro lado, os curricula e os exames nacionais devem concentrar-se apenas numas poucas disciplinas obrigatórias: português, inglês, matemática e ciências da natureza. Todas as outras disciplinas, basicamente, devem ser opcionais e deixadas largamente ao critério de cada escola. Uma escola pode decidir ensinar história, outra ensinará metalurgia, a outra música, uma outra religião, uma outra futebol: tudo isso seria largamente deixado ao cuidado de cada escola específica. Só as disciplinas básicas devem ser obrigatórias e ter um programa nacional mínimo, sujeito a exame.