O blogue de Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

As liberdades de expressão e de manifestação são fundamentais na democracia. Essas liberdades não devem ser limitadas se não em casos extremos, como sejam casos de incitação direta à violência.

Vem isto a propósito dos militares que se vêm impedidos de se manifestar em defesa de alguns direitos ou privilégios (para o caso não importa) do seu estatuto profissional.

Parece-me evidente que este impedimento não se justifica, de forma nenhuma.

Tal como o facto de o trabalhador de uma fábrica se manifestar a favor de aumentos salariais não obsta a que, dentro da fábrica, ele continue a ser um trabalhador dinâmico e disciplinado, também o facto de um militar se manifestar a favor de algumas regalias profissionais não obsta a que ele continue a ser um bom militar.

Agora, indo na onda, alguns esquerdistas (veja-se o blogue "Bicho Carpinteiro") já querem que sejam restingidas as liberdades de manifestação de pessoas racistas e homofóbicas.

Parece-me evidente que também eles não têm razão.

Retrato de Luís Lavoura

Durante os próximos 3 anos, subsídio fiscal até 250 euros a quem compre um computador pessoal. Justificação: apoio à sociedade de informação.

Muitas pessoas compram um computador só para jogar. Ou então para escrever cartas em word. Ou então para fazer cálculos em excel. Ter um computador de forma nenhuma significa que se participe na sociedade da informação.

(Pode também ter-se um computador só para blogar...)

É este tipo de atividades que, indiretamente, o governo pretende agora subsidiar.

E há boa justificação? Não. Os computadores são (cada vez mais) baratos. Caro é o software, e a utilização da internet. O hardware, o computador, é barato, pelo que não se justifica ajudar na sua compra.

Mais um disparate, cheio de boas intenções, do governo.

Retrato de Luís Lavoura

Chegaram ontem a Cabul, num grande avião militar de carga, os boletins de voto para as próximas eleições afegãs. Os boletins foram impressos na Inglaterra e na Áustria.

Pergunto: não haverá no Afeganistão tipografias capazes de imprimir boletins de voto? Não ficaria muito mais barato imprimir os boletins de voto localmente, do que fazê-lo na Europa e depois tansportar os impressos, de avião, para o Afeganistão? Alternativamente, se no Afeganistão nem tipografias há, não as haverá mesmo ao lado, na Índia ou no Irão, países que organizam regularmente as suas próprias eleições?

Parece claro que, até em matéria da impressão de boletins de voto, a ajuda internacional é uma forma encapotada de os Estados europeus subsidiarem as suas indústrias. Neste caso, o subsídio dirige-se às tipografias inglesas e austríacas. Em detrimento do apoio à construção de uma economia local.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem - 18 de Julho - um administrador da Águas do Algarve aventou pela primeira vez - a 18 de Julho, repito - a possibilidade de a água vir a faltar no Algarve em Agosto, se agora não começar a ser poupada. A poupança deve começar, pois, a 18 de Julho. O administrador afirmou que, de facto, o consumo de água no Algarve tem sido este ano superior ao que foi no ano passado. Superior. E fez uma sugestão radical: que as empresas de lavagem de automóveis - "eu sei que isso lhes custa", disse ele - poderiam talvez reduzir o seu ritmo de funcionamento. Reduzir, claro. Apenas isso.

Estive no Algarve há um mês atrás. A água corria livremente nas torneiras, e não vi em sítio nenhum qualquer menção de que pudesse vir a faltar, de que fosse necessário poupá-la. Os relvados dos hoteis eram copiosamente regados, inclusivé à hora de maior calor, e estavam verdejantes. Tudo era feito para ocultar do pensamento dos turistas qualquer ideia de que pudesse vir a haver escassez de água.

A 18 de Julho começa, finalmente, a poupança. Mas só nas lavagens de automóveis.