O blogue de Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

Perante a morte de Hugo Chávez, tanto o secretário de Estado das Comunidades como o ministro dos Negócios Estrangeiros manifestaram a posição correta, a única que convem: Chávez era um grande amigo de Portugal e dos portugueses radicados na Venezuela.

É isso que a nós nos interessa. É isso que devemos lembrar.

É uma política externa assim, pragmática e não ideológica, que desejo e aplaudo.

Retrato de Luís Lavoura

Os três canais portugueses de televisão em sinal aberto têm todos eles o seu noticiário da noite a começar às 20 horas. Os noticiários duram em todos os três canais uma hora e têm as mesmas caraterísticas de info-entretenimento.

Não há ao menos um dos canais que opte por colocar o seu noticiário meia hora mais tarde ou mais cedo, quanto mais optar por um horário completamente diferente.

Quem não puder estar a ver televisão às 20 horas, ou não puder ficar em frente ao televisor a hora inteira, fica sem notícias.

Retrato de Luís Lavoura

Num texto de grande sinceridade, Maria João Marques, gestora de uma empresa, afirma que o curso universitário de economia que possui jamais lhe foi útil para o trabalho que desempenha, e questiona "para que serve um curso de economia?".

A resposta é, o curso de economia que a Maria João tirou serviu-lhe para ela obter o emprego que tem. Se a Maria João não tivesse tirado esse curso, provavelmente não lhe teriam oferecido o emprego de gestora.

O facto é que a educação toda de uma pessoa em muito pouco serve para a vida concreta do dia-a-dia. Grande parte da utilidade da educação, hoje em dia, é para seriar, classificar as pessoas. Ou seja, um jovem que tem muitos graus académicos e com muito boas notas arranja mais facilmente um bom emprego do que um jovem sem tal currículo, mesmo que todo esse conhecimento académico seja na prática inútil para o desempenho desse emprego. Isto observa-se, em Portugal, de forma particularmente crua na função pública, na qual muitos funcionários adquirem qualificações académicas absolutamente inúteis apenas com o fim de serem promovidos.

Estes factos têm, porém, (pelo menos) dois gravíssimos inconvenientes:

(1) A competição por mais graus académicos é, a partir de um certo nível, um jogo de soma nula, no qual aquilo que um ganha, outro perde. Ou seja, a sociedade no seu todo nada ganha se todas as mulheres-a-dias forem licenciadas em vez de terem apenas o 12º ano, nem ganha nada se elas tiverem o 12º ano em vez de terem apenas o 9º. Embora uma mulher-a-dias possa arranjar mais facilmente emprego por ter um mestrado, isso deixa de acontecer quando todas as mulheres-a-dias tiverem mestrado.

(2) As pessoas perdem a estudar os anos mais preciosos da sua vida. Entram no mercado de trabalho aos 25 anos quando o máximo da sua energia e capacidade é aos 20. No caso das mulheres, estão a estudar na melhor idade, em termos biológicos, para terem filhos. Quando se reformam, ficam com uma reforma menor por só terem 35 anos de trabalho quando poderiam ter 45. Num mundo que se queixa por haver cada vez menos trabalhadores no ativo por cada reformado, seria bom começar a pensar em pôr as pessoas no ativo mais cedo na vida. Num mundo que se queixa por ter uma natalidade tão baixa, seria bom que as mulheres pudessem ter emprego aos 18 anos de idade em vez de apenas aos 28.

Retrato de Luís Lavoura

Os partidos políticos representados na Assembleia da República (AR) decidiram ontem, por unanimidade, não alterar a lei de limitação do número de mandatos dos presidentes de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. Reconhecendo embora que a lei não é clara e que se presta a diferentes interpretações, os partidos parlamentares afirmaram que essas interpretações devem ser feitas "por quem de direito", isto é, pelos tribunais. Mais afirmaram, de acordo com a sua porta-voz, a própria presidente da Assembleia da República, que não cabe à AR estar a modificar as leis sempre que estas são obscuras ou se prestam a diversas interpretações - essas interpretações devem ser feitas pelos tribunais.

Trata-se, no mínimo, de uma justificação muito esquisita. As leis podem perfeitamente ser ambíguas e obscuras - não faz mal. Os tribunais que as interpretem como quiserem. A Assembleia da República nada tem a ver com o facto de as leis permancerem indefinidas e ambíguas. Não é problema dela. A AR até pode, se lhe apetecer, aprovar leis deliberadamente imprecisas e equívocas. Os tribunais que arquem com o problema que a Assembleia criou.

Não entendo bem qual é, da parte de cada um dos cinco partidos representados na Assembleia da República, o calculismo político por trás desta posição que ontem assumiram. Independentemente de qual ele seja, mostraram ser todos eles os cinco uns cobardes, que não têm a coragem de assumir uma posição, qualquer que ela seja, em relação à lei.

Retrato de Luís Lavoura

Agora foi o ministro da Economia em pessoa, quem se deslocou a Londres com o fim de promover junto dos europeus a compra de imobiliário em Portugal.

Eu compreendo as vantagens económicas de tal acontecer: não só entra dinheiro em Portugal aquando da compra do imobiliário, como se promete a futura entrada regular em Portugal de mais dinheiro, no caso de as casas virem a ser ocupadas por reformados estrangeiros.

Mas a minha questão é só esta: o Álvaro foi a Londres vender, em abstrato, casas de férias em Portugal, ou levou na carteira exemplos bem concretos de algumas casas que estão à venda?

É que, no segundo caso, o Álvaro estará implicitamente a trabalhar como agente imobiliário de alguém. Se o Álvaro estiver de alguma forma a promover a compra de casas bem concretas e definidas, então ele estará a trabalhar como agente imobiliário a favor do atual proprietário dessas casas. Será um agente imobiliário pago pelo erário público.

E eu espero que não seja esse o caso.

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Transcrevo com a devida vénia (partes de) um comunicado de hoje da ILGA:

 

"Foi hoje conhecida a decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos no caso X and Others v. Austria (19010/07).
O governo da Áustria foi condenado por não ter conseguido argumentar (*) que seria no interesse da defesa de valores familiares ou do bem-estar de crianças o impedimento da adoção num casal do mesmo sexo em que apenas a parentalidade de uma das pessoas estava reconhecida na lei. O segundo elemento do casal terá assim que poder adotar também a criança em causa, sob pena de se estar a violar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, nomeadamente o artigo 14 (proibição da discriminação) em conjugação com o artigo 8 (direito ao respeito pela vida privada e familiar).

Portugal é citado na decisão como um dos exemplos em que esta violação acontece, a par de países como a Roménia, a Rússia ou a Ucrânia.
A conclusão é inequívoca: o Tribunal afirma que não há razões convincentes para a exclusão de casais do mesmo sexo na co-adoção.

É assim agora ainda mais evidente que Portugal também viola atualmente os Direitos Humanos e terá que alargar a co-adoção a casais do mesmo sexo.
Justiça é garantir que duas mães ou dois pais que estabelecem e que concretizam um projeto parental assumam um vínculo legal face às suas crianças. São as crianças que têm, em primeiro lugar, direito a este vínculo [...].
O mesmo foi já afirmado entre nós pelo Tribunal de Família e Menores do Barreiro, ao atribuir responsabilidades parentais a um casal do mesmo sexo. E foi isto que também hoje o Tribunal Constitucional alemão decidiu, ao afirmar que as leis relativas à co-adoção não poderiam tratar de forma diferente casais do mesmo sexo e de sexo diferente.

Esperamos por isso que o Governo e que os partidos com assento parlamentar aprovem com celeridade a possibilidade de co-adoção por casais do mesmo sexo, permitindo às muitas crianças que em Portugal são criadas por casais do mesmo sexo o direito à mesma proteção legal que as demais - e permitindo que as muitas famílias que já existem de facto existam também de direito. Trata-se de respeitar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e trata-se de compreender a enorme responsabilidade de garantir o bem-estar e a segurança de crianças e famílias concretas.
O caminho da Justiça e dos Direitos Humanos é claro: urge segui-lo."

 

(*) Faço notar que os ilustres deputados portugueses que se manifestam contra a adoção por casais do mesmo sexo apresentam sistematicamente a mesma dificuldade que o governo austríaco manifestou em apresentar quaisquer argumentos claros contra ela. Dizem que não sabem bem e que portanto são contra. O argumento de quem não tem argumentos.

Retrato de Luís Lavoura

A nova tática dos comunistas e seus compagnons de route consiste em desatar a cantar a Grândola, Vila Morena sempre que um ministro se apresta para falar.

Ontem voltou a acontecer, quando Miguel Relvas se aprestava para falar num debate público. Quando o ministro, com flair, aceitou acompanhar os compagnons de route na cantoria, estes desataram aos gritos sincopados de "fascista, fascista".

É uma tática malcriada e insolente, como é próprio dos comunistas. E que deve ser combatida com menos flair do que o ministro demonstrou. Quem não se sabe comportar em democracia - realizando manifestações fora do correspondente quadro legal, exercendo o direito à expressão fora do correspondente quadro legal - deve ser excluído das correspondentes benesses.

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É uma excelente notícia o facto de cinco empresas portuguesas terem sido convidadas pelo governo argelino para construírem 50.000 casas na Argélia. Mesmo que boa parte dos trabalhadores da construção civil a empregar venham possivelmente a ser argelinos, uma parte deles serão certamente portugueses, para além do pessoal técnico (engenheiros, arquitetos, etc) que também o será.

Este convite vem na sequência de um contacto intergovernamental, o que mostra que a diplomacia económica é útil e necessária.

O mercado do Magrebe está aqui muito próximo, e é bom que as empresas portuguesas lhe prestem atenção. É também bom que se consiga exportar parte da mão-de-obra que, inevitavelmente, o setor da construção civil em Portugal perdeu e perderá.

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Desde o início da crise financeira toda a política europeia tem sido orientada no sentido de favorecer os ricos.

De facto, o principal leitmotiv da política financeira europeia, o seu princípio orientador, tem sido o de que todas as dívidas devem ser pagas e todo o dinheiro investido em empréstimos deve ser devolvido.

É por isso que não se deixa nenhum banco nem nenhum Estado falir (houve uma exceção apenas, um haircut aos credores da Grécia). Porque, se um banco falisse, todos aqueles que tivessem de alguma forma (depósitos a prazo, obrigações, ações) emprestado dinheiro a esse banco ficariam a arder. É claro que á esquemas de garantia dos depósitos, ou quais garantem o dinheiro dos pequenos aforradores - até 100.000 euros. Mas a União Europeia tem insistido que não somente o dinheiro dos pequenos aforradores seja salvaguardado - o banco não pode falir para que também os grandes aforradores não percam um tostão.

Basicamente, o que a União Europeia tem feito desde o princípio da crise é forçar os contribuintes a pagar para garantir as fortunas dos ricos.