Num texto de grande sinceridade, Maria João Marques, gestora de uma empresa, afirma que o curso universitário de economia que possui jamais lhe foi útil para o trabalho que desempenha, e questiona "para que serve um curso de economia?".
A resposta é, o curso de economia que a Maria João tirou serviu-lhe para ela obter o emprego que tem. Se a Maria João não tivesse tirado esse curso, provavelmente não lhe teriam oferecido o emprego de gestora.
O facto é que a educação toda de uma pessoa em muito pouco serve para a vida concreta do dia-a-dia. Grande parte da utilidade da educação, hoje em dia, é para seriar, classificar as pessoas. Ou seja, um jovem que tem muitos graus académicos e com muito boas notas arranja mais facilmente um bom emprego do que um jovem sem tal currículo, mesmo que todo esse conhecimento académico seja na prática inútil para o desempenho desse emprego. Isto observa-se, em Portugal, de forma particularmente crua na função pública, na qual muitos funcionários adquirem qualificações académicas absolutamente inúteis apenas com o fim de serem promovidos.
Estes factos têm, porém, (pelo menos) dois gravíssimos inconvenientes:
(1) A competição por mais graus académicos é, a partir de um certo nível, um jogo de soma nula, no qual aquilo que um ganha, outro perde. Ou seja, a sociedade no seu todo nada ganha se todas as mulheres-a-dias forem licenciadas em vez de terem apenas o 12º ano, nem ganha nada se elas tiverem o 12º ano em vez de terem apenas o 9º. Embora uma mulher-a-dias possa arranjar mais facilmente emprego por ter um mestrado, isso deixa de acontecer quando todas as mulheres-a-dias tiverem mestrado.
(2) As pessoas perdem a estudar os anos mais preciosos da sua vida. Entram no mercado de trabalho aos 25 anos quando o máximo da sua energia e capacidade é aos 20. No caso das mulheres, estão a estudar na melhor idade, em termos biológicos, para terem filhos. Quando se reformam, ficam com uma reforma menor por só terem 35 anos de trabalho quando poderiam ter 45. Num mundo que se queixa por haver cada vez menos trabalhadores no ativo por cada reformado, seria bom começar a pensar em pôr as pessoas no ativo mais cedo na vida. Num mundo que se queixa por ter uma natalidade tão baixa, seria bom que as mulheres pudessem ter emprego aos 18 anos de idade em vez de apenas aos 28.