O blogue de Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

Não entendo por que razão diversos países europeus se estão a expôr, desnecessariamente, a (no meu entender) justas acusações de falta de democraticidade, por parte da Turquia, ao impedir a entrada no seu território de políticos turcos que querem participar em comícios.

Naturalmente que esses países europeus têm todo o direito de fazer isto - a Turquia não faz parte do Espaço Schengen e portanto os cidadãos turcos podem ser impedidos de entrar num qualquer país europeu.

Mas, não havia necessidade. Desde sempre que políticos de diversos países (inclusivé Portugal) realizam em países europeus comícios destinados aos seus emigrantes. Há em diversos países europeus associações políticas de cidadãos turcos, que promovem os seus interesses e têm a liberdade de promover comícios. Por que raio se há de impedir políticos turcos de participar nesses comícios?

A Europa está a fazer má figura desnecessariamente.

Retrato de Luís Lavoura

Parece que os computadores da Autoridade Tributária têm uma curiosa falha informática que os impede de ler adequadamente as declarações bancárias relativas a transferências para off-shores. A origem e natureza dessa falha informática permanecem misteriosas.

Há que saber que as falhas informáticas podem ser introduzidas maliciosamente nos computadores. Podem ser falhas sabiamente programadas por quem tem interesse em que elas existam, e que depois são introduzidas nos computadores por meios ínvios. Conviria explorar esta possibilidade.

Retrato de Luís Lavoura

O governador do Banco de Portugal alega que a lei não lhe conferia poderes para exonerar a direção do Banco Espírito Santo.

Se isso é verdade, então isso quer dizer que a supervisão bancária é inútil. Se isso é verdade, então o governador do Banco de Portugal bem se pode demitir, pois está num cargo de impotência, não está lá a fazer nada. Se a lei não confere os necessários poderes à supervisão bancária, então é preciso mudar a lei e, enquanto isso não fôr feito, mais vale não haver supervisor.

O governador do Banco de Portugal acaba de reconhecer que o seu cargo não serve para nada, ou que serve para muito pouco.

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Na Holanda existe um partido chamado Partido da Liberdade (que presumivelmente será o mais votado nas eleições de daqui a duas semanas), o qual partido propõe a proibição de um livro (o Corão) e a eliminação de templos de uma religião (as mesquitas). Para um Partido da Liberdade, não está nada mal!

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Se a União Europeia quisesse dar um passo útil no caminho de se tornar como a União Indiana, talvez o mais simples fosse o seguinte: adotar o inglês como sua língua oficial única.

Repare-se na Índia: os seus povos falam cerca de uma ou duas dezenas de línguas distintas. No entanto, em toda a Índia o inglês, que não é nenhuma das línguas faladas pelos povos da Índia, é a língua oficial. Todos os indianos aprendem inglês desde a escola primária. As leis da União Indiana estão escritas em inglês e as discussões entre os governantes são feitas em inglês.

A partir do momento em que o inglês fosse (a única) língua oficial da União Europeia, os cidadãos passariam a ser livres de exercer qualquer profissão em qualquer parte da União falando em inglês. Seriam abolidas as restrições legais que obrigam a que uma pessoa saiba falar alemão para exercer a medicina na Alemanha ou saiba falar italiano para atender um telefone em Itália. As línguas nacionais passariam a ser faladas apenas entre os cidadãos nacionais. As pessoas passariam assim a ter verdadeira liberdade de trabalhar em toda a União.

Talvez este fosse o passo mais simples para tornar a União Europeia mais unida. Não seria necessário alterar qualquer forma de governo. Bastaria que a língua oficial passasse a ser única.

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Anda muita gente muito entretida com o escândalo político do momento, que são os entendimentos que o ministro Centeno terá feito com o gestor Domingues a propósito da sua contratação para gerir a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Completamente perdida de vista anda a política real que o governo seguiu para a CGD. Aparentemente, sobre essa a oposição nada tem a dizer. A oposição nada tem a dizer sobre a CGD permanecer um banco público ou ser privatizada, sobre ela ser gerida como um banco privado ou receber orientações do seu acionista Estado, sobre a política de remuneração dos seus gestores, etc. Sobre todas essas coisas, aparentemente, a oposição nada tem a dizer.

A única coisa que parece interessar à oposição, na CGD, são os entendimentos secretos relacionados com a contratação do seu gestor.

Com uma oposição deste calibre, é evidente que não se pode fazer política a sério em Portugal.

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No The Economist desta semana há um artigo muito interessante no qual se diz que, embora os indianos gostem de comparar o seu país federal, a União Indiana (UI), aos Estados Unidos da América (EUA), na verdade esse país está em diversos sentidos, na sua integração política e económica, mais ou menos a meio caminho entre os EUA e a União Europeia (UE). Ou seja, a UI é um país federal mais unido do que a UE, mas menos unido do que os EUA.

Este artigo deveria merecer bastante atenção dos europeístas, pois estes defendem, a meu ver erroneamente, que a UE se deveria tornar mais parecida com os EUA, quando na verdade ela o que pode é almejar vir a ser, apenas, mais parecida com a UI. É a UI que deve servir de modelo para a UE em matéria de integração política e económica; ao nível dos EUA a Europa nunca poderá chegar.

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A histeria mediática em torno do início da presidência de Donald Trump é tal que, a avaliar por alguns noticiários, parece que Portugal é parte dos EUA. Como se os assuntos internos desse país nos dissessem muito respeito. Por exemplo, hoje discute-se muito nos media a escolha que Trump fez para um novo juiz no Supremo Tribunal dos EUA. E eu pergunto: em que é que isso nos diz respeito? O que temos nós, portugueses, a ver com a Constituição dos EUA e com a forma como ela é, ou deixa de ser, aplicada no curioso sistema americano de common law?

Os media portugueses fariam bem em deixar de se alimentar de notícias made in USA e passarem a tratar prioritariamente do nosso país.

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Está muita gente muito chocada porque um gestor da "boutique de pão" Padaria Portuguesa afirmou que pretende trabalhadores mal pagos e com empregos instáveis, que sejam fáceis de despedir.

Temos que compreender que a Padaria Portuguesa é uma empresa do setor de serviços, na qual o dinheiro que entra e sai de caixa no dia-a-dia tem grande importância, os aumentos de produtividade são quase impossíveis e a perspetiva empresarial é essencialmente de curto prazo. Tais empresas não têm interesse em investir nos seus trabalhadores, na sua formação a longo prazo (o longo prazo não existe para um boutique de pão). Uma empresa industrial minimamente especializada (digamos, no setor da metalomecânica ou dos moldes) é totalmente diferente - trata-se de empresas com perspetivas de longo prazo, para quem trabalhadores especializados e motivados são importantes.

Portanto, o gestor da Padaria Portuguesa falou corretamente dos interesses da sua empresa. Esperemos é que cada vez haja em Portugal menos empresas desse tipo.

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Os painéis fotovoltaicos têm o grande inconveniente de que ensombram o solo, tornando-o estéril. Nada cresce sem a luz do sol e, portanto, a captação da energia solar é incompatível com a agricultura. É por isso com gosto que leio que a EDP vai experimentar, embora apenas numa escala minúscula, na sua barragem do Alto Rabagão, cobrir uma parte da albufeira com painéis solares. Isso é bom porque toda aquela superfície de água é espaço desaproveitado, inútil, estéril, pelo que me parece um sítio ideal para colocar painéis solares. Espero que a EDP tenha muito sucesso e que, no futuro, a albufeira do Alqueva não sirva somente, nem sequer principalmente, para nela andarem barcos cheios de turistas a navegar, e sirva sim para que painéis solares sobre boa parte dela produzam energia.