O blogue de Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

Está muita gente muito chocada porque um gestor da "boutique de pão" Padaria Portuguesa afirmou que pretende trabalhadores mal pagos e com empregos instáveis, que sejam fáceis de despedir.

Temos que compreender que a Padaria Portuguesa é uma empresa do setor de serviços, na qual o dinheiro que entra e sai de caixa no dia-a-dia tem grande importância, os aumentos de produtividade são quase impossíveis e a perspetiva empresarial é essencialmente de curto prazo. Tais empresas não têm interesse em investir nos seus trabalhadores, na sua formação a longo prazo (o longo prazo não existe para um boutique de pão). Uma empresa industrial minimamente especializada (digamos, no setor da metalomecânica ou dos moldes) é totalmente diferente - trata-se de empresas com perspetivas de longo prazo, para quem trabalhadores especializados e motivados são importantes.

Portanto, o gestor da Padaria Portuguesa falou corretamente dos interesses da sua empresa. Esperemos é que cada vez haja em Portugal menos empresas desse tipo.

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Os painéis fotovoltaicos têm o grande inconveniente de que ensombram o solo, tornando-o estéril. Nada cresce sem a luz do sol e, portanto, a captação da energia solar é incompatível com a agricultura. É por isso com gosto que leio que a EDP vai experimentar, embora apenas numa escala minúscula, na sua barragem do Alto Rabagão, cobrir uma parte da albufeira com painéis solares. Isso é bom porque toda aquela superfície de água é espaço desaproveitado, inútil, estéril, pelo que me parece um sítio ideal para colocar painéis solares. Espero que a EDP tenha muito sucesso e que, no futuro, a albufeira do Alqueva não sirva somente, nem sequer principalmente, para nela andarem barcos cheios de turistas a navegar, e sirva sim para que painéis solares sobre boa parte dela produzam energia.

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Concordo com boa parte das coisas que Donald Trump disse no seu discurso inaugural. Mas concordo sobretudo, veementemente, quando ele diz que os EUA não irão pretender forçar nenhum outro país a seguir este ou aquele modelo político, mas que irão antes dar aos outros países o exemplo do modelo político dos EUA. Eu acho muitíssimo bem, e espero que ele possa fazer isso mesmo: em vez de invadir e brutalizar países estrangeiros, dar-lhes antes um bom exemplo que eles se possam sentir tentados a seguir.

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Anda muita gente, inclusivé na direita, muito angustiada porque em 2016 o peso do investimento público no PIB português foi o mais baixo de sempre.

Eu diria que em 2016 o investimento público não foi baixo; o que ele foi, é demasiadamente elevado nos anos anteriores. Portugal fez demasiado investimento público durante muitos anos. Demasiado, e extremamente mal feito, como se vê pelas auto-estradas sem tráfego que há pelo país fora. (Ainda há uns dias percorri toda a auto-estrada do Oeste, desde Lisboa até à saída de Pombal. Até Torres Vedras ainda há tráfego aceitável. A partir daí e até às Caldas, não há tráfego que justifique uma auto-estrada. A partir das Caldas para norte, não há tráfego que justifique nem uma estrada nacional.)

O problema em Portugal não é a falta de investimento público, é a falta de investimento privado.

E não me venham com a história da falta de investimento público nas carruagens do metropolitano de Lisboa. Se querem investir em novas e melhores carruagens, ponham os utilizadores do metropolitano a pagar mais pelos bilhetes. Não deve ser o Orçamento Geral do Estado a suportar o investimento em carruagens, quando os utilizadores do metropolitano pagam pouquíssimo por ele.

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Segundo o Washigton Examiner, Donald Trump afirmou num comício: "We will destroy ISIS. At the same time, we will pursue a new foreign policy that finally learns from the mistakes of the past. We will stop looking to topple regimes and overthrow governments, folks."

Falou muitíssimo bem. Oxalá siga de facto uma tal política.

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A administração da Caixa Geral de Depósitos fez bem em demitir-se. Pois que, quem aceita um emprego em que, como paga, o forçam a desvendar, a todo o público português, os seus rendimentos e as suas posses? Isso, que é geralmente considerado, em Portugal, uma parte importante da "vida privada": os rendimentos e posses de um cidadão. Pois bem, em Portugal parece achar-se exigível a um cidadão que aceita um emprego como gestor de uma empresa pública, que desnude a sua "vida privada" à frente de todos.

Pois os gestores da CGD fizeram muito bem e recusaram-se a exibir a toda a população as suas posses. Ninguém tem nada a ver com isso, acham eles e acham muito bem. Ou bem que vivemos num regime à norueguesa, onde todos os rendimentos de todos estão à vista na internet, ou bem que vivemos num regime onde toda a vida económica de uma pessoa é "privada". Para todos.

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O Expresso da semana passada titulava que uma grande quantidade de jovens em Portugal nem estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. A conclusão que podemos tirar é que esses jovens não estão interessados em trabalhar. Têm a possibilidade de viver à custa de outrém e optam por essa possibilidade. Não se trata de um problema político, trata-se de um problema social, educativo e, quiçá, de saúde mental.

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Diz-se que os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) só aceitam entregar as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional desde que seja mantido o sigilo  sobre essas declarações.

Eu fico espantado com esta condição porque, para mim, é evidente que toda e qualquer declaração de rendimentos de todo e qualquer gestor público deve, automaticamente, ser mantida sigilosa. As declarações de rendimentos de toda a gente são sigilosas, cá em Portugal (noutros países, como na Noruega, não!), e o facto de se ser gestor de uma empresa pública não deve alienar tal direito ao sigilo. Qualquer gestor de uma empresa pública tem o dever de entregar a sua declaração de rendimentos à autoridade tributária (como todos nós) e ao Tribunal Constitucional; mas essas declarações devem ser mantidas sob estrito sigilo. Quer a empresa pública seja a CGD, quer seja outra qualquer.

Portanto, os gestores da CGD têm toda a razão e deve ser feita a sua vontade.

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Não compreendo a demora de sucessivos governos em fazer o que deveria ser feito, eliminar a base aérea do Montijo com vista a libertar espaço, tanto nos ares para os aviões civis manobrarem, como em terra para fazer um aeroporto civil.

Não vejo razão nenhuma que justifique que, havendo tanto espaço por esse país fora para construir uma base aérea militar, se esteja a sobrecarregar a zona urbana de Lisboa com uma. Os quartéis militares devem estar - e, em Portugal, geralmente estão - longe das cidades, não a ocupar o precioso solo urbano.

Já é tempo e mais que tempo de o governo fazer o que tem a fazer e mandar a base aérea do Montijo para outro sítio qualquer. Quiçá para Beja, onde, ao que consta, há um grande aeroporto que está muito pouco aproveitado.

A TAP é uma empresa muito importante para o país e o seu desenvolvimento não deve continuar a ser impedido por uma base militar que não necessita de estar onde está.

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Várias pessoas dizem que é preciso resolver o problema das grandes migrações internacionais eliminando as suas causas, nomeadamente, promovendo o desenvolvimento dos países mais pobres.

Mas isto é falso. A migração internacional custa muito dinheiro e raramente são os mais pobres quem emigra. As pessoas só começam a emigrar maciçamente quando saem da miséria. (Por exemplo, em Portugal emigrou-se mais na década de 1960, precisamente quando o país estava a enriquecer de forma acelerada.) Se há hoje muitos chineses e muitos bengalis em Portugal, isso deve-se em grande parte a a China e o Bangladeche serem hoje muito menos pobres do que eram há algumas décadas.

As grandes migrações internacionais são sinal de alguma riqueza, não de miséria absoluta. Eliminar a miséria só trará mais migrações, não menos.