O blogue de Miguel Duarte

Retrato de Miguel Duarte

Acho irónico como os sindicatos por vezes parecem lutar para que aconteça aquilo que querem evitar.

Hoje com a greve geral estão a dar mais um contributo para que o FMI intervenha em Portugal e para que tudo aquilo que dizem não querer aconteça ainda em mais larga escala.

Para mim este tipo de acções contraditórias demonstra como o sindicalismo está desfasado da realidade económica que o rodeia.

Retrato de Miguel Duarte

No meu post anterior fui acusado por um "anónimo" de apontar como solução para a crise as medidas do costume.

Eu tenho uma certa curiosidade em saber que outras medidas se podem tomar, pois só vejo dois cenários e o primeiro parece-me apesar de tudo o melhor:

Cenário 1 - Portugal mentém-se no Euro e adopta medidas de restrição orçamental e de relançamento da competitividade que permitam equilibrar as contas públicas e contas nacionais. Assumimos como país, que o crescimento terá necessáriamente que ser feito com base nas exportações e que teremos que tornar o país novamente atraente para o investimento. Dado estarmos no Euro, o modelo de desenvolvimento terá necessáriamente que basear-se em sectores de valor acrescentado elevado em que a concorrência dos países de mão-de-obra barata não se faça sentir tanto. Durante os próximos anos assumimos igualmente que teremos que apertar o cinto, com estagnação salarial, impostos elevados e restrições ao crédito.

Cenário 2 - Portugal decide abandonar o Euro. Cria uma nova moeda, converte todos os depósitos e dívidas (mesmo as públicas) nessa nova moeda. "Desvaloriza" a moeda por forma a tornar o país novamente competitivo em termos de custos (salariais e não só), tenta competir com os países de mão-de-obra barata e com os países mais pobres da União Europeia. Assumimos que não temos condições ou ambições para ser um país rico durante as próximas décadas e que o futuro é sermos mesmo um país na cauda da Europa. Voltamos à política da desvalorização deslizante da moeda nacional que existia antes de aderirmos ao Euro e em que assentou a competitividade do país durante muitos anos. A inflação naturalmente passará a ser elevada, as taxas de juro também.

Existem outros cenários alternativos para sair da crise?

Retrato de Miguel Duarte

O governo tem fugido à ajuda da União Europeia e do FMI como o diabo foge da cruz. Contudo, parece-me que já há muito que devería ter incetado conversações para obter estas ajudas. Se as medidas que tomou já foram duras, é pouco expectável que o FMI venha a pedir medidas muito mais duras, e se as pedir, como por exemplo a flexibilização do mercado de trabalho, tal apenas vai ser uma ajuda para que se tomem medidas reformadoras essenciais para o país e que nenhum governo tem tido coragem de tomar.

Adicionalmente, a intervenção do FMI tem a grande vantagem de contribuir de imediato para a redução do défice (ou evitar o seu agravamento) pois ao permitir o pedido de dinheiro emprestado a taxas de juro mais baixas do que actualmente os mercados oferecem a Portugal, tal vai reduzir naturalmente o valor dos juros pagos.

É triste que tenhamos que pedir ajuda externa, mas, fizemos asneira na governação do país e toda a ajuda é pouca para criar condições de crescimento a longo prazo (que não dependam do endividamento do Estado).

Retrato de Miguel Duarte

Na Holanda existe uma inovação que promote revolucionar o mundo da construção. Foi criada uma máquina que permite construir 400m2 diários de estrada/passeio com blocos. Os blocos são uma alternativa ao betume, mais amiga do ambiente (ajudam por exemplo a evitar cheias pois são permeáveis) e mais durável, além de mais estética.

 

Retrato de Miguel Duarte

Regressei recentemente de Cuba, uma viajem de lazer em que aproveitei também para conhecer ao vivo a ditadura cubana. O país tem turisticamente um potencial tremendo, a sua população é extremamente culta (logo no primeiro dia, deu para discutir a situação política no nosso país com um cubano) e Havana seria uma das cidades mais belas do mundo, não fosse a sua degradação extrema.

Infelizmente Cuba sofre de todos os males conhecidos dos estados Socialistas. Os salários são baixíssimos (um bom salário anda à volta dos 30€/mês), a falta dos produtos mais básicos é uma constante (o sal e o sabão são racionados, o leite é importado da Alemanha, vendendo-se a mais de 2€ o litro, as lojas de roupa estão quase vazias, não se vêem frutas e legumes à venda nas lojas alimentares), a corrupção e mercado negros são enormes, a pouca produtividade do país é visível um pouco por todo o lado.

O sistema falhou redondamente e apesar da lavagem ao cérebro diária do governo aos seus cidadãos, tal não é devido ao embargo americano, mas apenas, porque o país a nível económico não funciona. O embargo americano é, isso sim, a maior desculpa do regime para o seu fracasso. Lendo-se os artigos de Fidel Castro rapidamente se chega à conclusão que este é um dos mais ardentes defensores do livre comércio, queixando-se fortemente da falta de acesso de Cuba ao mercado americano para vender os seus produtos e dos custos astronómicos, calculados quase ao cêntimo, de Cuba não poder adquirir produtos nos EUA, como se tal fosse um direito natural, num discurso digno de um liberal clássico.

Apesar de me ter sido possível discutir política com cubanos, a liberdade de expressão é claramente reduzida, com os olhos dos CDRs (Comités de Defesa da Revolução) omipresentes em cada quarteirão, a lembrar a todos que o regime está em toda a parte e tudo controla. A imprensa é propaganda pura, semelhante ao Avante do nosso PCP.

Obviamente que nem tudo é mau, o nível de educação é claramente elevado, o país é extremamente seguro, não é visível a pobreza extrema que existe em outros países da América Latina ou os sem abrigo que existem nos países ocidentais e derivado das fortes carências existentes a população mostra um espírito empreendedor notável. Cuba, se beneficiasse de uma economia de mercado, estaria certamente entre um dos países mais desenvolvidos da América Latina, pois tem potencial humano e turístico para tal.

O regime, inspirado na China, prepara-se agora para fazer uma viragem apertada para o mercado, despedindo, num curto período de tempo, um milhão de trabalhadores públicos e esperando que estes encontrem emprego, ou criem o seu próprio emprego, em 178 actividades que serão liberalizadas. Num país onde não existe sequer subsídio de desemprego, uma loucura que poderá vir a ter consequências para o próprio regime, com vários cubanos a dizerem-me que temem pela sua segurança física, derivado de um previsível aumento da criminalidade, e por protestos que dão como quase certos. O fim do regime, para muitos cubanos, encontra-se próximo, muito próximo.

A maior ajuda que se poderia dar para acelerar este processo seria os EUA levantarem o seu embargo, eliminando a única desculpa que o regime tem para a pobreza e isolamento do país e permitindo que eventualmente mais empreendorismo privado (mesmo que sob a forma de mercado negro) e remessas de imigrantes, tão necessários para financiar a oposição, pudessem crescer.

Relativamente a isto e muito mais, vale a pena ler este blogue, de uma cidadã cubana a residir em cuba: http://www.desdecuba.com/generationy/