O blogue de Miguel Duarte

Retrato de Miguel Duarte

Declarações de António Marto, bispo de Leiria, sobre a eventualidade de vir a ter conhecimento de pedófilos na Igreja em Portugal:

"Quando chega uma queixa, terá de verificar se tem fundamentos, depois instaurar o processo e, além disso, respeitar a lei civil", declarou o vice-presidente da CEP admitindo que no caso português não existe a obrigatoriedade de denunciarem os crimes às autoridades.
"A nossa lei, tanto quanto me consta, não obriga a fazer isso", referiu, explicando que na eventualidade de uma denúncia ter fundamento "dirá à vítima para recorrer à autoridade civil ou ao próprio abusador para ele mesmo se auto denunciar".

Sou ateu, mas os meus princípios morais parecem-me ser um "pouco" mais elevados que os deste bispo...

Retrato de Miguel Duarte

Ainda onde falei em como a solução para os problemas energéticos do mundo poderia ser a Energia Atómica. Pois, enquanto dizia isto, os nossos amigos do Texas arranjaram uma solução para se tornarem ecologistas, por preocupação com os seus bolsos. Parece que, para se extrair o crude até à última gota, é necessário injectar carbono nos poços de petróleo, ora, tal significa que estas empresas vão injectar mais 50% de carbono nos poços do que aquele que é extraído sobre a forma de crude. Estão até disponíveis para pagar cerca de 10 dólares por tonelada de carbono. Uma vez injectado nos poços, o carbono fica preso a kilómetros de profundidade, pelo que não regressará à superfície tão cedo.

Na prática, tal significa que, se esta tecnologia vingar e for útil, a extracção de crude será mais ecológica que a utilização de renováveis no que toca ao CO2, pois será negativa em termos de emissões.

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Existe uma boa probailidade, tendo em conta as sondagens e apesar do sistema britânico de cículos uninominais, de nem os Conservadores, nem Trabalhistas, conseguirem a maioria absoluta. Se assim fosse, seria a primeira vez desde 1974 que os Liberais chegariam ao poder no Reino Unido, com hipótese para equilibrar o anti-europeísmo conservador e para alterar o sistema eleitoral, como é seu objectivo há já muito tempo. Tradicionalmente os Liberais têm uma significativa percentagem do voto mas uma representação muito menor no parlamento local.

Logo dos Liberais Democratas

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Imagens classificadas do exército americano, via WikiLeaks, em que se vê um ataque a um grupo de indivíduos no Iraque. No grupo, sabe-se agora, estavam dois repórteres da Reuters e a razão do ataque foi a confusão entre as (2) câmaras fotográficas e AK47. Após o primeiro ataque, chega uma carrinha para recolher os mortos (com duas crianças no interior), que também é atacada.

Pergunto-me, que treino é dado aos militares americanos? O grupo de indivíduos em causa não estava a praticar qualquer actividade beligerante, apenas dois estavam supostamente armados e o ataque foi feito completamente à queima roupa sem qualquer aviso ou hipótese de rendição.

 

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Relativamente aos que afirmam que existem "salários excessivos", eu respondo que um salário não é excessivo desde que exista quem esteja disposto a pagar por eles. É evidente que uma pessoa que ganhar 500 ou 5000 vezes mais por mês que um cidadão comum não é mais produtiva 5000x ou melhor profissional 5000x. Para receber esses salários apenas basta ser-se considerado estar entre os melhores para que se tenha poder negocial e a procura por esses profissionais (gestores, cantores, desportistas), seja superior ao valor da oferta de pessoas com características semelhantes.

Um gestor de topo pode ganhar milhões pela simples razão que é suposto ter talento para dar a ganhar ao accionista mais alguns milhões que um gestor "normal" daria. É fácil de perceber que se acreditarmos que alguém nos pode dar a ganhar mais 100 milhões, estamos facilmente dispostos a dar-lhe 10 milhões para o seu bolso em troca, ou que um futebolista que nos pode ajudar a ganhar o campeonato por marcar mais golos e que todos querem ver, vale muito dinheiro para um clube de topo que também ganhará muito dinheiro em publicidade, prémios e vendas de direitos. Um Ronaldo não é obviamente 1000x melhor que um futebolista da 2ª divisão, se calhar só é 2x melhor, mas a sua produtividade e popularidade compensam financeiramente a um clube de topo, que se só tivesse futebolistas bons não poderia ganhar o campeonato ou gerar tantas receitas.

Dito isto, reconheço que existe uma falha de mercado, que se prende com o facto de as grandes empresas estarem muitas vezes tão dispersas em bolsa que não têm propriamente um accionista que se sinta dono das mesmas. O envolvimento dos fundos de acções na gestão das empresas não é obviamente muito grande, e o dos pequenos accionistas ainda menos, sendo que as trocas de participações entre empresas implicam que muitas vezes são os gestores das empresas que têm poder para aumentar os seus salários (e dos seus amigos gestores) sem qualquer controlo de um patrão. Penso por isso que se torna necessário alguma regulação a este nível. Por exemplo, quaisquer prémios dados aos gestores de topo poderiam por lei implicar que os trabalhadores também os deveriam receber (na devida proporção obviamente) e deveriam ser proíbidos prémios relacionados com a performance de curto prazo da empresa (ex: os prémios deveriam ser pagos em acções, que só poderiam ser vendidas após 10 anos). Existem casos de empresas em Portugal, em que os gestores tiveram direito a prémios, mas os trabalhadores viram esse direito cortado derivado dos lucros terem ficado abaixo do previsto. Qual é o sentido e ética de situações como esta?

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Tirando as questões económicas, que como o Luís Lavoura afirmou, são uma questão que compete aos operadores energéticos decidir, e não aos governos, o nuclear era uma solução que me colocava grandes dúvidas devido em primeiro lugar ao problemas dos resíduos e num segundo lugar (por estar mais descansado), aos problemas de segurança.

A questão dos resíduos felizmente parece estar em vias de resolução graças aos desenvolvimentos tecnológicos, ao nível da capacidade de perfuração, da indústria do petróleo. Os Estados Unidos estão neste momento a analisar a hipótese de enterrar os resíduos entre os 3 e 5 kilómetros de profundidade, uma profundidade tal que segundo os especialistas é suficiente para efectivamente resolver o problema, dado que existe uma grande quantidade de locais com estabilidade geológica suficiente para termos a certeza que os resíduos aí irão permanecer durante os milhões de anos necessários para perder a sua perigosidade. Desde que um operador privado garanta um fundo para dar esta solução final aos resíduos, penso que a questão ficará encerrada, não passando as gerações presentes custos para as gerações futuras, que não têm culpa nenhuma das nossas necessidades energéticas (e tecnologia arcaica).

Quanto à questão da segurança, aquilo que me tem sido dado a entender, é que uma central nuclear dos dias de hoje (3ª geração) é muito mais segura que a generalidade dos reactores em funcionamento que nos foram deixados pelos nossos pais. O risco está lá sempre, mas a realidade é que os combustíveis fósseis matam pessoas todos os dias (por exemplo com problemas respiratórios nas cidades) e com um grau de certeza bem maior que a incerteza da Energia Nuclear.

Gerações de Reactores Nucleares

Face a estas evidências e tendo em conta que os próprios ecologistas embirram muitas vezes com as chamadas alternativas, por motivos como a matança de aves dos geradores eólicos até à destruição de ecosistemas pelas barragens. Passando pelas questões económicas (o nosso país necessita de ter acesso a energia barata), estratégicas (a Europa não deve estar dependente de países terceiros para a produção de energia) e ambientais (é necessário efectivamente, para bem do planeta, emitir-se menos carbono), a energia nuclear parece-me cada vez mais uma opção a ser tido em consideração no nosso país e na Europa.

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Em vez de aceitar os erros cometidos, enquanto mau engenheiro que aparentemente era nos anos 80, envia ao Público uma carta a acusar o jornal de mau jornalismo. Na altura mais valia não ter assinado projecto nenhum, nem por favor, dado já ser deputado. Erro cometido, 20 anos depois, mais vale assumir que cometeu erros no passado. São mais os danos com atitudes como a que agora teve, do que simples admitir de arrependimento (que deveria ter e aparentemente não tem).

Retrato de Miguel Duarte

Hoje atingiu-se mais um marco da física de partículas com mais um recorde batido pelo LHC (Grande Colisionador de Hadrões), e a passagem a produção desde dispendioso equipamento (o maior acelerador de partículas do mundo).

 

 

Pode-se acompanhar a experiência passo a passo na página do CERN no Twitter.

Retrato de Miguel Duarte

Sou um participante no esquema de microcrédito do kiva.org, um site que me permite emprestar pequenos montantes de dinheiro a negócios espalhados pelo mundo. Acredito que emprestar dinheiro para pequenos negócios é uma forma muito mais salutar de ajudar o próximo que a caridade, permitindo a quem o recebe tornar-se independente e, no meu caso específico dado que apenas empresto a mulheres, contribuir para uma maior igualdade.

Recentemente no blogue do kiva foi publicado um pequeno artigo sobre o impacto da religião na pobreza, por um membro da equipa que está em viagem pela Indonésia (uma das muitas regiões onde opera). Segundo o mesmo, na Indonésia, existe uma aldeia essencialmente cristã que parece muito menos pobre que as aldeias circundantes. Aparentemente a razão de tal acontecer, é que as aldeias circundantes, sendo Hindus, gastam uma proporção muito maior dos seus rendimentos em templos, oferendas e festas religiosas.

A pergunta colocada pelo autor do artigo é para mim muito relevante:

one must question whether the money spent on daily offerings and ceremonies would be better spent on food, education or housing needs

Curiosamente, o mesmo poderia aplicar-se em Portugal ao famoso dízimo de muitas igrejas evangélicas, que certamente apenas contribui para fazer mais pobre quem já é pobre. No fundo, este tipo de acções é apenas mais um facto que torna mais pobre quem já é pobre, tornando-os ainda mais dependentes da caridade religiosa em vez dos seus próprios recursos.