O blogue de Miguel Duarte

Retrato de Miguel Duarte

Relativamente a esta polémica, perguntaram-me agora mesmo o que eu penso do assunto.

A minha experiência diz-me que é pouco provável que alguém no topo da hierarquia do PS tenha dito alguma coisa directamente à Media Capital para acabar com o programa.

Vejo duas possibilidades:

- Excesso de zelo por parte da Media Capital que entendeu que não queria prejudicar o processo eleitoral com mais polémica e sofrer mais acusações e achou por bem calar a Manuela Moura Guedes;

- Algum negócio para os próximos meses que envolve o Estado e que a Media Capital, por vontade própria ou derivado de algum comentário de alguém (propositado ou não), entendeu ser melhor ficar calada.

O problema é que efectivamente à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo e toda esta situação parece ser muito pouco séria, num timing péssimo (antes das eleições). Por muito honestas e inocentes que fossem as intenções da Media Capital, tomou a decisão no momento errado.

Já não há muito para corrigir, e quem acabou efectivamente por ficar mais prejudicado foi o PS, mas, uma coisa parece-me que vão ter que fazer: passar o documentário que tinham preparado sobre o caso Freeport e solicitar à Manuela Moura Guedes para apresentar o mesmo. Eu se fosse o Partido Socialista estava neste momento a fazer uma chamadinha ao administrador da Media Capital a exigir que passem o documentário, em horário nobre. Quando pior for o documentário, melhor, pois mostraria que (em teoria pelo menos) afinal não querem calar ninguém.

No geral, este tipo de coisas só prova para mim uma coisa: a comunicação social está demasiado concentrada em Portugal e demasiado dependente do poder político, ou por ser controlada directamente por ele, ou por estar dependente dele nos seus negócios.

Retrato de Miguel Duarte

Cavaco Silva voltou a vetar uma lei, desta vez a das Uniões de Facto.

À partida eu não perceberia este veto, se a lei apenas desse direitos aos unidos de facto. Contudo, o problema, é que parece que a lei vinha efectivamente retirar liberdade de escolha às pessoas. Existem casais que não querem casar-se e não querem nem os direitos, nem as obrigações do casamento estendidas à sua relação. É importante não cairmos num sistema como penso ser o Inglês, onde segundo me contou um cidadão desse país, este colocava todas as mulheres com quem coabitava na rua antes de fazer dois anos de relação, para que a lei não lhes concedesse direito a pensão em caso de separação.

Ora esta lei vinha efectivamente criar obrigações de eventuais pensões aos unidos de facto e até a extensão de dívidas contraídas por um (supostamente em benefício do casal). E isto sem qualquer contratação nesse sentido, a não ser o facto de viverem na mesma casa.

É bom lembrar que casar-se não dói, nem é propriamente um acto difícil de fazer-se (caso se seja heterossexual, obviamente). O meu casamento apenas custou os actos de registo e foi feito em calças de ganga. E foi bom saber que existia a opção, com menos direitos e obrigações, de não o ter feito.

Retrato de Miguel Duarte

Existem por este país defensores desta ideia. Pois, no PSD tivemos este ano um bom exemplo do que resulta esta teoria na prática.

Vários possíveis candidatos, da "ala liberal" do PSD, foram pura e simplesmente excluídos das listas do mesmo. Estou a referir-me a Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas nas Legislativas e Assunção Esteves nas Europeias.

Retrato de Miguel Duarte

Existem momentos em que eu verdadeiramente me questiono sobre se quem manda neste país tem o mínimo de cabeça e seriedade nas propostas que apresenta.

Esta proposta no programa político do PS é basicamente uma anedota. Se ainda fossem 200€ de subsídio para ajudar no primeiro mês após o parto, eu ainda conseguia compreender que era uma ajuda (miserável, mas melhor que nada para quem tem dificuldades económicas). Agora 200€ numa conta poupança para o futuro cidadão levantar quando tiver 18 anos?

Quem é que vai decidir ter um filho por causa destes 200€? Que impacto é que estes 200€ vão ter na vida deste indivíduo? Quanta burocracia vai ser necessária e dinheiro se vai gastar (pelo Estado em funcionários, sistemas informáticos, etc.) para se receber este valor irrisório?

Quando me apresentam este tipo de medidas estão isso sim a dar-me razões para não votar no referido partido.

Retrato de Miguel Duarte

Existe uma coisa surpreendente, ou talvez não, no Médio Oriente, que é o facto de apesar da enorme fonte de rendimento que é o petróleo, tal não se ter reflectivo numa melhoria significativa do nível de vida para a generalidade da população dos países árabes.

Este artigo, no Economist, é interessante porque levanta várias questões:

- O Petróleo é uma eventual solução ou é ele próprio a causa dos problemas nestes países?
- É possível a democracia num país muçulmano, sem o risco de tudo terminar numa teocracia religiosa?
- Se a democracia fosse implementada nestes países, traria esta democracia o desenvolvimento económico?
- Deve o Ocidente promover o seu modelo de governação, ou nem por isso?

Tudo isto são questões para as quais eu me sinto muito, muito dividido.

Retrato de Miguel Duarte

Aos poucos e poucos vai-se lendo nos jornais notícias sobre os primeiros sinais da retoma. Ora é uma nova empresa que se vai instalar em Portugal, ora são os pequenos investidores que começam a voltar à bolsa.

É verdade que estas notícias, de que dei o exemplo, não são propriamente novas ou supreendentes, mas, a retoma também se faz (se não essencialmente), de questões psicológicas. E é excelente que no meio da negridão dos últimos tempos algumas notícias pela positiva comecem a ser publicadas.

Este segundo semestre de 2009 seria certamente uma boa altura para os nossos políticos reflectirem sobre o que correu bem e correu mal nos últimos anos em Portugal no que toca à política económica e como reposicionar o país para aproveitar a recuperação económica que se está a começar a iniciar.

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Em vez de mais polícias na rua, que tal um método que reduz a criminalidade em média entre 41% e 73% e não envolve o sistema judicial? E que também poupa dinheiro?

Parece que nos EUA, tentando perceber a psicologia que leva a uma maior criminalidade em determinadas comunidades conseguiram encontrar a solução.

Basicamente, usam-se antigos jovens problemáticos para trabalhar em zonas problemáticas a mediar conflitos no momento da sua ocorrência. À medida que vão conseguindo evitar a ocorrência de conflitos, os comportamentos conflituosos e violentos vão-se tornando pouco "cool" e a própria comunidade começa a criar uma cultura que considera vergonhosa a violência e a criminalidade - "a violência faz-me parecer estúpido".

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Tirado do Público

Martim nasceu a 30 de Dezembro de 2006. Ana Leonardo já era acompanhada por uma comissão de protecção de crianças desde 2005 (desde que começara a faltar à escola). Aos 13 anos, quando o bebé nasceu, não aceitou o que lhe foi proposto: o acolhimento dela e do recém-nascido numa instituição. A criança foi-lhe retirada.

O bebé chegou ao Refúgio Aboim Ascensão a 26 de Fevereiro de 2007, encaminhado pela Segurança Social e pelo Tribunal e Família e Menores de Cascais (TFMC). A 16 de Julho, foi decretada a confiança judicial da criança ao Refúgio, tendo em vista a adopção. A mãe recorreu. E o pai, que tinha começado por não perfilhar o menino (só o fez em Junho de 2007), visitou-o pela primeira vez nesse mês.

Em Junho 2008, o Tribunal Relação de Lisboa confirmou a decisão do de Cascais. O caso ainda foi apreciado pelo Tribunal Constitucional, mas a decisão de entregar a criança para adopção transitaria em julgado em Maio deste ano. Villas-Boas limita-se a dizer que entende que a decisão da Justiça está sustentada e que uma criança só é encaminhada para adopção "quando a família não tem condições para ficar com ela".

Conclusão, na pior das hipóteses a criança até ao fim de 2007 deveria ter sido entregue para adopção, dado que a mãe efectivamente não tinha condições para educar o seu filho.

Em vez disso estamos em 2009 a finalmente tentar entregar a criança para adopção e claro, passados quase 3 anos a situação pode ter-se alterado.

A vítima aqui foi o Martim que ficou quase 3 anos numa instituição quando deveria ter estado a ser cuidado por uma família adoptiva.

Retrato de Miguel Duarte

... Lendo-se o artigo do Público ficamos a saber que Ferreira Leite afirmou:

“Vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social”

Mais à frente...

"A líder social-democrata revelou aos deputados quais serão duas “bandeiras fundamentais” do programa eleitoral: educação e justiça. Hoje, em Portugal, “não se premeia o mérito nem se condena o demérito”, justificou.

E ficamos todos basicamente na mesma. Sem perceber afinal que políticas assim tão diferentes o PSD vai fazer.

E também desinteressante é o anúncio da já esperada candidatura de Santana Lopes à CML:

“Foi presidente do partido, foi primeiro-ministro e foi deputado depois de ter exercido essas funções. E, depois do partido ter definido como critério que alguém candidato a uma autarquia não se devia candidatar a deputado por uma questão de seriedade perante o eleitorado, o Pedro Santana Lopes teve a humildade de optar por candidatar-se a uma autarquia.”

Eu sou um eleitor, não tenho neste momento em quem votar e faço questão de votar em alguém. O problema é que os políticos nacionais teimam em fazer difícil a minha decisão, não me dando absolutamente nenhuma razão para votar neles.

Retrato de Miguel Duarte

No Irão, em mais de 50 cidades a votação foi acima de 100%.