O blogue de Carlos Pinto

O que é feito das licenças para produção de energia eólica?

Quantas das empresas que obtiveram as licenças efectuaram realmente os investimentos de implantação?

Quais as empresas que venderam essas licenças antes do próprio investimento?

Quanto dinheiro ganharam essas empresas sem realizarem qualquer investimento apenas à custa das licenças garantidas pelo estado português?

Quem gere essas empresas?

Assisto com alguma estupefacção à alegria de alguns bloggers de direita com a apresentação da candidatura de Manuel Alegre. Confesso que, sendo de centro-direita, me deu algum gozo assistir às desavenças no PS na questão das presidenciais. Não gostando da atitude do Dr. Mário Soares, agora e no seu tempo de presidente da república, dar-me-ia um gozo sádico vê-lo afastado da 2ª volta das presidenciais. Mas nesta questão temos de ser lúcidos: Mário Soares está muito mais próximo do posicionamento político da direita do que Manuel Alegre. Manuel Alegre é um candidato mais próximo do PCP do que do centro, alguém que poderia ser muito interventivo defendendo políticas de esquerda ao contrário de Mário Soares que já não terá energia ou vontade para intervir demasiado e, mesmo essa intervenção, não seria tão radicalmente à esquerda como a de Manuel Alegre.
Mesmo em termos estratégicos a candidatura de Manuel Alegre é muito prejudicial à direita. Cavaco está neste momento no seu auge nas sondagens. Não sendo um bom político de campanhas eleitorais, Cavaco irá perder votos assim que começar a falar (ou a comer bolo-rei) e não tem espaço nenhum para crescer à direita (onde já cobrirá a esmagadora maioria do eleitorado). A única hipótese de crescer seria à esquerda com os insatisfeitos com a candidatura de Mário Soares. Com a candidatura de Manuel Alegre esse nicho está tomado. A candidatura de Manuel Alegre irá ainda roubar votos à abstenção que, como se sabe, tende a beneficiar candidatos que querem ganhar à primeira volta como é o caso de Cavaco.
Na eventualidade de haver uma segunda volta, a candidatura de Manuel Alegre constitui um perigo muito maior que a de Mário Soares. Se houver uma segunda volta, isso quererá dizer que a esquerda teve a maioria dos votos na primeira volta. E aí surgem dois cenários. O mais plausível, de momento, será o de uma segunda volta Cavaco-Soares em que Cavaco mesmo não ganhando muitos votos à esquerda de Soares irá beneficiar da passagem de votos da esquerda para a abstenção (não me parece que estejamos ainda em tempo de engolir sapos) e muito, muito, provavelmente ganhar. Já no cenário cada vez mais plausível, e acredito que com a campanha se torne mais e mais, de Manuel Alegre passar à 2ª volta o cerco já se aperta para Cavaco. Manuel Alegre une mais a esquerda (mesmo a que vota em Soares) do que o próprio Soares. Cavaco, sem terreno para crescer, nem podendo beneficiar da abstenção iria muito provavelmente perder. E, de repente, aquilo que parecia um passeio para a direita tornar-se-ia num pesadelo de 5, ou 10, anos.