O blogue de Cirilo Marinho

Acontece a todos, de quando em vez. Ele é o candidato que viu o PP socialista, ele é o blogger que lia liberalismo no sítio onde se pregava a igualdade, ele é o país que se projectava (pensava ele) no mundo através do Dakar.

Uma infindável quantidade de exemplos disponíveis, para quem queira refrear as baterias, diluir a truculência diária, e olhar distanciado para a envolvente, que nos trás de volta à simplicidade da existência formal.

Para resolver problemas metafísicos, nada como o calorzinho brasileiro "né?", a recolocar os andamentos em perspectiva. Nem que para isso tenha de cumprir um sonho impossível na Presidência da República (abram o link, está impagável!).

Pelo caminho, ficamos a saber que em subtituição ao termo mais sofisticado (escutas) o irmão latino propôe "grampos".

Assim como assim, sempre se chamam os bois pelos nomes (estão lição serve para todos).

Se bem se lembram, as SCUT's demoraram cerca 3 anos a construir e tiveram um período de carência de pagamento de 7.
Pois bem, passada a festarola, aguarda-se a "continha" (é já a partir deste ano).

Em 2001, Ferro Rodrigues adiantava o valor de 12 mil milhões de euros, a pagar em trinta anos.
Já em 2003, o Tribunal de Contas, entre críticas veementes, falava em 15 mil milhões de euros.
Ao chegar a 2005, mudou de opinião, avançando com um custo estimativo total de 17 mil milhões de euros.

O actual governo prepara-se para tomar decisões sobre "obras de regime" que demorarão 15 anos a completar, que custarão certamente um balúrdio incontável de dinheiro a todos os accionistas heterovoluntariados, ainda não calculado adequadamente.
Nem tão pouco se pode ainda especular sobre o período de tempo em que a factura se vai apresentar à porta do "mistério" das finanças.

Perante este magnífico historial de contabilidade enronica, a sociedade civil vai-se queixando.
Num gesto que ainda consegue ser mais espantoso do que todo este contexto, o sr. ministro "acha" que tem toda a legitimidade para decidir, sem ligar a apelos da dita.

Caro Primeiro-Ministro,

Que um dos maiores empresários portugueses vislumbre a possibilidade de Argentinização da economia portuguesa.

Que se fale em hipotética falência do estado e ninguém fique verdadeiramente chocado, surpreso, ou, no mínimo, indignado.

Que, mesmo num quadro optimista, os sindicatos insistam numa tresloucada metodologia negociativa, como se o direitos dos trabalhadores se equiparassem ao século XIX.

O contéudo desta notícia: http://www.ojogo.pt/21-316/Artigo521545.htm.

Que um agente do estado incumbido da protecção de todos os cidadãos se exima vergonhosamente de cumprir as suas funções e recorra à falsidade como labéu justificativo.

Que entidades privadas (no caso, associativas e com estatuto de utilidade pública) utilizem impunemente um espaço público para aí cometerem crimes premeditados.

Que os agentes de uma determinada área de negócio (espectáculo desportivo) se sintam frequentemente imunes à lei e ao tratamento igualitário a que todos temos direito numa democracia constitucional e com jurisdição independente.

O contéudo desta notícia: http://dn.sapo.pt/2006/01/05/sociedade/tribunal_nega_indemnizar_contaminado.html

Que o estado gaste vários milhões de euros num sistema de saúde com o argumento que é a melhor forma de apoiar os necessitados (melhor não abordar os défices crónicos da estrutura médico-hospitalar).

Que um orgão do estado ilibe outro alegando desconhecimento de causa (tipo, não sabia que as pistolas têm balas, logo, não matei ninguém).

Que 20 anos depois, o processo ainda circule em tribunal (!!!...).

Que o estado não se atribua um critério mínimo de decência e respeito por um dos seus cidadãos (I rest my case).

José Sócrates dixit:

Sobre o país:
"o País está preparado e com vontade de mudar"
"está consciente dos problemas e tem a ambição de mudar. Há um Portugal moderno, de progresso, que não se resigna"
"para fazermos as mudanças que temos de fazer, pôr as contas do Estado em ordem, relançar o investimento e a confiança".

Sobre a estratégia:
"o principal sinal que o Governo deu é o de que não desistirá de prosseguir uma linha de defesa intransigente daquilo que considera ser a defesa do interesse geral"
"atracção de investimento estrangeiro depende do reforço da confiança e da estabilidade da economia [...] um País que pode oferecer muitas oportunidades".

Sobre as presidenciais:
"A Democracia portuguesa é muito mais madura do que alguns estouvados com uma visão apenas oportunística da política pretendem"
"Quanto mais eu sentir que Mário Soares necessita de ajuda, mais eu o ajudarei".

Retirado da entrevista ao Correio da Manha: http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=186241&idselect=193&idCanal=193&p=94.

Ainda há dúvidas sobre o senhor a quem o PM vai oferecer a sua cruzinha?

Também vi o debate do estado da nação (curioso como um só média se insinua tão livremente como debatente autorizado do momento político/económico/social do país).
E esperei para ler os blogs e jornais, a fim de não repetir alguns dos argumentos já disparados.
Optei por seleccionar um momento que diz respeito a todos os liberais (especialmente nós, MLS). Refiro-me à usurpação da agenda liberal por parte do BE e sus muchachos.

A proposta (Miguel Portas): Proteccionismo do Estado (às empresas) ao manter salário mínimo baixo - suba-se para 500€.
A explicação (Boaventura S.S.): Muitas empresas podem falir, mas as que resistirem vão ser mais pujantes e eficientes (não estou a inventar, foram mesmo estes os termos).

Na pura inocência de pensar que a abertura à concorrência e ao empreendedorismo resolvia estes problemas (as empresas ineficazes), não se vislumbrou a solução miraculosa (que Pacheco Pereira, tristemente abandonado a representante do bom senso, apelidou de Marxismo ao contrário): O Golpe Anarco-Capitalista Invertido, não por acção da deslocalização selvagem do capital, mas por acção radical do estado português, num sinal de renovação económica que se saúda, caso venha a ser aplicado.

Em tempos, o bafejado foi o Sr. Cardeal Pina Moura.
Agora saíu o Euromilhões a umas das faces prominentes da famosa 3ª via socialista - O Sr. Schröder.

Nem por sombras se deve pensar que, neste blog liberal, se revela ou revelará algum tipo de epicondilose (vulgo "dor de cotovelo") contra a criação de riqueza (pessoal ou colectiva).
Mas, na hipótese remota de algum destes personagens acreditar na dignificação da "classe" dos políticos, talvez fosse boa ideia começar por não aceitar empreguinhos nas áreas de decisão política onde esteve (ou estiveram) envolvido(s).

Como bem apregoam, os socialistas/estatistas passam pelo poder decisório para tirar o "povo que mais ordena" da miséria.

Habitualmente começam (e acabam) por si próprios...

Como mínimo, 80% do tempo de antena eleitoral será uilizado para nos fazer convencer das "vantagens estratégicas" de ser o Sr. Todo-Poderoso-Estado-Português a gerir os recursos que, tão caridosamente (e voluntariamente), lhe afectamos todos os meses. Como se tem visto. Nem que, para isso, seja preciso recorrer "aos que sofrem e aos que nada têm", como argumentário defensor do poder redestributivo do dito.

Para nosso manifesto azar, uma leitura mais aprofundada dos seus actos de gestão, leva-nos a um estado geral de desmotivação, bem característico dos apropriados pelo Rendimento Mínimo (et pour cause!...).

Quer seja no Metro de Lisboa, quer seja nas SCUT's, a dura realidade confronta-nos com gestão danosa, irresponsável, a raiar a fraude e o compadrio. O chorrilho de erros e enganos não pode ser só justificado por má gestão. O lugar comum aponta o caminho do sistema. Mas a verdade é que tem razão.

Quem pretenda, pode ler com mais atenção os relatórios do Tribunal de Contas. Por desporto. Ou masoquismo.

A última data assinalada no calendário gregoriano como totalmente prescrita, revestiu-se de uma importância fulcral, embora frequentemente negligenciada, no desenvolvimento de uma economia de mercado (embora de tendência socializante e estatísta) assente num sistema democrático de defesa dos direitos e liberdades individuais (fortemente atacado, presentemente, pelos corporativismos, pelo lobbying e pelo deficitário acesso à justiça).

Dessa forma, registo a efeméride, com uma referência - ligeiramente sarcástica, reconheço, mas razoavelmente fiel ao nosso revolucionário passado recente.