A tragédia da economia portuguesa é que ela atualmente não dispõe de qualquer vantagem comparativa que convide empresas estrangeiras de alta tecnologia a instalarem-se cá.
Desde há vinte ou trinta anos que essas empesas deixaram, progressivamente, de investir cá. Acabaram-se os investimentos da Siemens, da Continental, da Volkswagen. Os investimentos estrangeiros que Portugal ainda foi conseguindo captar foram cada vez mais provenientes de Espanha e de Angola, e não se destinavam a instalar em Portugal qualquer indústria minimamente avançada - as empresas espanholas investiram basicamente para poderem distribuir e vender cá os seus produtos fabricados em Espanha, os angolanos compraram ações em empresas portuguesas já instaladas.
Hoje em dia não há, basicamente, qualquer razão para um empresário estrangeiro investir em Portugal.
Outrora, nas décadas de 1960 a 1980, a mão-de-obra era barata. Mas agora já não é. Por menos dinheiro arranjam-se operários mais qualificados a menor distância da Europa Central - na Eslováquia, na Bósnia, na Hungria. Não podemos competir nesse campeonato. O abaixamento do preço da mão-de-obra, que o atual governo está a tentar (com sucesso) prosseguir, não leva (não tem mesmo levado) a lado nenhum.
Portugal pode e deve investir mais na formação da sua mão-de-obra e na melhoria dos seus sistemas de transporte para a Europa Central, nomeadamente nos seus portos e no caminho-de-ferro. Mas isso são investimentos que só a longo prazo poderão dar frutos. E que, mesmo eles, apenas nos colocarão a par de países como os referidos acima, não nos permitirão suplantá-los.
Portugal tem ainda vantagens ambientais. Indústrias poluentes ou desagradáveis, como a refinação de petróleo ou a produção de pasta de papel, são indesejadas na Europa Central; Portugal tem usufruído bastante desse facto.
A única vantagem que a curto prazo Portugal pode buscar é num abaixamento dramático da carga fiscal sobre as empresas (e na sua simplificação e estabilização). Nomeadamente, baixando dramaticamente o IRC. O objetivo tem que ser convencer grandes empresas industriais estrangeiras, possuidoras de tecnologias avançadas, a instalar-se cá para produzirem para exportação. Como a China fez.