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Retrato de Luís Lavoura

Ontem fui a um concerto. Antes de ele começar, servi-me da casa de banho. Como de costume, à porta da casa de banho das mulheres havia uma fila de gente à espera. Espreitando para dentro dessa casa de banho (os construtores portugueses têm quase sempre a arte de fazerem casas de banho com um supremo grau de privacidade, que permitem a qualquer um espreitar lá para dentro), vi que tinha três sanitas. A dos homens, tinha duas sanitas e dois urinóis.

Eu não entendo esta falta de lógica das casas de banho. Metade da população são mulheres. De onde, nas casas de banho deveria haver pelo menos tantas sanitas para as mulheres quanto há sanitas e urinóis (tudo junto) para os homens. Assim, se a casa de banho dos homens tem duas sanitas e dois urinóis, a das mulheres deveria ter, no mínimo, quatro sanitas - não somente três. Mas, por diversos motivos, as mulheres demoram mais tempo a fazer as suas necessidades do que os homens, pelo que, de facto, o número de sanitas destinadas às mulheres deveria ser, talvez, 50% superior ao número de sanitas e urinóis destinados aos homens.

As casas de banho públicas deveriam ser semple planeadas com a casa de banho das mulheres com, pelo menos, o dobro da superfície da dos homens. Se para os homens bastam uma sanita e um urinol, para as mulheres são precisas quatro sanitas. Se para os homens é preciso acrescentar um urinol extra, então para as mulheres devem ser adicionadas duas sanitas extra.

Só assim deixará de haver bichas para a casa de banho das mulheres. Ou, pelo menos, as bichas para a dos homens serão do mesmo tamanho que para a das mulheres.

Igualdade não é fazer para os homens e para as mulheres casas de banho com áreas iguais. Igualdade é permitir que homens e mulheres tenham o mesmo tempo, ou a mesma falta dele, para fazerem em descanso as suas necessidades.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem na televisão o camarada Bernardino Soares, presidente da Câmara de Loures, gabar-se de, graças ao serviço de investimento por ele criado na Câmara, ter já conseguido que muitas dezenas de empresas investissem no concelho de Loures, criando muitos postos de trabalho. Fquei chocado.

Então o camarada Bernardino acha que é assim, fomentando a instalação de empresas capitalistas, que se melhora a condição dos trabalhadores? Não vê o camarada Bernardino que essas empresas que ajudou a instalar em Loures estão a explorar cruelmente o povo do município? Ou será que o camarada Bernardino teve o cuidado de fomentar apenas a instalação de microempresas, as únicas (conjuntamente com as empresas estatais) de que o Partido gosta?

A mim parece-me que o camarada Bernardino está a trair o povo e a fomentar a exploração capitalista. Rua com ele!!!

Retrato de Luís Lavoura

É isto que eu respondo aos enfermeiros que reivindicam um aumento generalizado de salário de 400 euros para todos eles.

Sabem que o salário médio em Portugal é de 800 euros? Querem, só de acréscimo, metade disso? Vão roubar para a estrada!!!

Ou então, façam como muitos dos vossos congéneres: emigrem para o Reino Unido (enquanto podem). Lá ganharão esses 400 euros a mais, certamente. A expensas dos contribuintes britânicos. De nós, não!

Retrato de Luís Lavoura

Fala-se muito dos países ditos "ocidentais" como sendo paradigmas da democracia, mas na realidade trata-se de democracias muito imperfeitas. Dou três exemplos, tirados de alguns dos países mais ocidentais que há na Europa:

(1) No Reino Unido, um partido (o partido conservador) aumenta a sua votação de uma eleição para a outra mas vê o número de deputados eleitos decrescer substancialmente.

(2) Na França, um partido (o En Marche) tem na primeira volta das eleições apenas um quarto dos votos, mas no final da segunda volta tem cerca de dois terços dos deputados eleitos.

(3) Na Espanha, pretende-se impedir a realização de um referendo, inclusive recorrendo à força policial para tal efeito.

(Sobre o último exemplo, faço notar que o resultado de um referendo, isto é, a vontade do povo, pode ser contrário à Constituição; mas, a realização do referendo nunca pode, num país democrático, ser anticonstitucional.)

Retrato de Luís Lavoura

No seu blogue, Vital Moreira afirma-se a favor da continuada proibição de partidos regionais. Acontece que tal proibição é, pura e simplesmente, antidemocrática. Os interesses regionais, regionalistas, eventualmente independentistas, têm tanto direito a fazer-se representar no sistema político como quaisquer outros interesses particulares.

Retrato de Luís Lavoura

É lamentável a atuação da candidata do PS (e atual presidente da Junta) a uma Junta de Freguesia do concelho da Covilhã, em que rebaixou e gozou com o seu opositor, candidato do CDS, por este ser um ex-emigrante retornado da Venezuela.

É claro que o PS (ou qualquer outro partido) dificilmente pode exigir um grande nível de elevação de todos os seus candidatos, até a uma recôndita Junta de Freguesia. Mas tem a obrigação de se demarcar desta atitude xenófoba da sua candidata, desautorizando-a.

Tal como os imigrantes estrangeiros em Portugal, também os emigrantes portugueses retornados devem gozar de todos os seus direitos políticos, e não podem ser rebaixados nem humilhados devido à sua origem.

O PS deveria imediatamente demarcar-se desta sua candidata, desautorizá-la, retirar-lhe o seu apoio.

Retrato de Luís Lavoura

Deu muito brado durante as últimas semanas da silly season o facto de a Porto Editora ter editado uns livros de atividades para meninos da pré-primária com distinção entre os sexos - uns livros para meninos, outros para meninas.

Não me pronuncio sobre o conteúdo dos livros, que desconheço.

O que questiono é a necessidade ou conveniência de editar dois livros diferentes. Já tenho dois filhos, os quais andaram em infantários, os infantários não eram separados por sexos, meninos e meninas eram supostos, no infantário, praticar as mesmas atividades e brincadeiras. Nunca ouvi referir qualquer conveniência de, em tão tenra idade, fazer meninos e meninas praticarem exercícios ou atividades distintos.

Editar dois livros é certamente mais caro do que editar apenas um. Dá mais trabalho, as tiragens são menores e os custos de distribuição são maiores. Para que se deu a Porto Editora a mais trabalho e despesa sem qualquer necessidade didática que o justificasse? (Se houvesse necessidade didática, então também haveria infantários segregados por sexo. Ou então, mesmo nos infantários não segregados, as educadoras atribuiriam atividades diferentes aos meninos e às meninas.)

A razão é simples: o mercado. A Porto Editora sabe, ou julga saber, que há pais que querem dar uma educação supostamente diferenciada aos seus rebentos. Que há pais que querem explicitamente que os seus filhos realizem atividades e tenham livros supostamente adequados ao seu sexo.

O problema não está na Porto Editora. O problema está nos adultos que compram estes livros para as suas crianças. São eles que são sexistas. A Porto Editora limita-se a pressentir a existência de um mercado para o sexismo e a explorar esse mercado.

Retrato de Luís Lavoura

No passado sábado, cerca das 7:30 da manhã, eu estava em Cascais, quando comecei a ouvir na rua, pela janela aberta, um estranho crepitar. Fui à varanda e, com espanto, vi um incêndio, ainda numa fase muito inicial, num lote abandonado de terreno, coberto de erva alta e seca, que há junto ao prédio.

Naquela manhã bem fresca, mas soalheira, não havia qualquer causa natural para a ignição.

Na rua não se via vivalma, embora não seja raro haver, por ali, pessoas a passear cães àquela hora.

A ignição foi de causa humana, sem dúvidas. Mas o que poderá ter sido? Fogo posto? Um cigarro mal apagado atirado da janela de um dos prédios em volta? Um cigarro mal apagado atirado por alguém que estava a passear o cão?

Retrato de Luís Lavoura

Chegou a chuva! Aleluia, aleluia, que tanta falta tem feito!!!