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A candidatura de Soares deixou-me encavacado.

Tem-se centrado tudo em questões presentes, ou é as presidenciais, ou é o futebol, as presidenciais pouco farão por nós, e o futebol nada faz de relevante na sociedade, a não ser certos maridos que depois voltam a casa e mal tratam a família quando o seu clube perde. E ficam por se ver as visões para o futuro, projectos e ideias para a nossa sociedade e respectiva economia. Apresentam-se estudos de outros sobre viabilidade de empreendimentos, apresentam-se valores que outros dizem ter investigado, apresenta-se faz-se diz-se tudo o que outros dizem e fazem, mas nada de novo se cria, nenhum estudo novo se cria, tudo o que fazemos em Portugal é falar do que todos os outros já falam... criatividade ZERO, pro-actividade ZERO, originalidade ZERO.

Poderia parecer que o que aqui escrevo é exagero, mas é apenas baseado depois de saber as perspectivas do maior especialista mundial em bancos de energia Matthew Simmons que não é contestado por ninguém da área quando diz que o petróleo já está na curva descendente neste preciso momento. Ele avisa que está para decrescer e que jamais o mundo terá capacidade de dar resposta à falta de energia que aí vem, e iremos viver em anos de marasmo social.

Como será viver no futuro?

O futuro depende da energia, fóssil acima de tudo, o hidrogénio jamais colmatará as falhas que o petróleo vai deixar, todos têm medo de mexer mais na energia nuclear pois a sociedade não gosta tem custos associados e futuro incerto, o vento e as barragens jamais se conseguem criar em espaços de tempo para compensar a perda do petróleo... Pois a evolução de energias alternativas sejam elas quais forem nunca conseguirão em 10 anos substituir o petróleo que se perde em 5 anos. A curva do petróleo chegou aos limites, entre este ano e 2012 tudo aponta para que a produção comece a descendência, e os preços ao contrário de outras épocas estão em aumento progressivo nos últimos 5 anos, aumentando em pouquíssimo tempo de 25 dólares para 65 dólares o barril, mais do dobro.

Tudo o que consumimos é transportado, tudo o que produzimos usa energia(mais de 80% produzida por combustíveis fósseis), e os transportes irão ficar tão caros que jamais alguém irá mais comprar produtos que estejam a mais de 1000Km devido ao preço da energia para o transporte. Construímos dormitórios à volta das cidades porque ir para o trabalho de carro não é um custo muito alto, os grandes centros comerciais a Kms de nossas casas são usados pois vamos de carro ou transportes ainda com preços acessíveis de deslocação. Mas daqui a 15 anos isto começará a desaparecer como forma de vida, daqui a 25 anos é quase garantido que o petróleo que existir será tão baixo que dificilmente Portugal poderá competir com os primeiros da lista a receberem barris do médio oriente como EUA e China, cujos já estão em "guerra" pelo fornecimento vindo da Arábia Saudita. Os EUA já se preparam, já começaram a estratégia de controlo de países com petróleo para que as suas reservas se mantenham em valores o mais benéficos possível. Já olham para outros países do médio oriente para provável invasão e decorrente controlo, os EUA já avisaram a população que a guerra e a deslocação de soldados no médio oriente não tem fim à vista... os EUA não lutam por ideais nem por valores ou religião, eles lutam pela economia,
pelo controlo da energia.

As alternativas darão conta do recado?

Como será a sociedade depois? O vento, o sol, a água, e o hidrogénio (cujo precisa de energia para ser produzido e está longe de ser alternativa) poderiam ser soluções, mas só o seriam se já estivéssemos a investir neles desde os anos 80, pois para termos infra-estruturas para compensar o petróleo falamos de 40 ou mais anos de investimento investigação e construções (o petróleo como é hoje deixará de ser de fácil aquisição já nos próximos 20 anos), e não é só Portugal são todos os outros países também mesmo os norte Europeus, e em muitos maus lençóis os EUA.

Voltar ao desenvolvimento local.

As populações terão de desenvolver tudo localmente pois as deslocações com veículos será caríssima tanto para transporte de bens como para transporte de pessoas para o trabalho. Os bairros terão mais pessoas a deslocarem-se a pé e de bicicleta, terão de desenvolver esforços para criar tudo o que consomem o mais localmente possível, os grandes centros comerciais deixarão de ter os clientes de hoje, e o comércio local será a grande força de vivência das populações. Se hoje 1Km poderá custar 0.05 cêntimos em combustível daqui a 20 anos poderá valer mais que 1 hora de parque num
centro comercial.

Resumindo, o mundo como o vemos agora passará por um marasmo, onde a globalização terá um ferimento quase fatal. Os empregos e a forma de deslocação aos mesmos irão mudar, a agricultura nos países desenvolvidos terá um aumento quando todos menos esperavam pois terão de cultivar muito mais para própria subsistência, o desenvolvimento local será a parte mais importante da nossa vida diária ao contrário dos dias de hoje. Os jornais nacionais darão espaço para os jornais locais, os autores de best sellers nacionais e internacionais terão de se contentar com os best sellers locais e fazerem trabalho extra escrita, tudo terá uma forma de funcionamento
diferente que deve desde já ser preparada.

Poderíamos pensar em soluções para que nos próximos 20 anos as pequenas vilas e aldeias ficassem independentes da energia para consumo caseiro? Criar soluções de vivência em comunidade onde a energia é rara? Manuais de desenvolvimento em comunidades pequenas para a sua independência?

Isto requer um grupo de estudo de pessoas com capacidade de visão, e entendimento nas várias áreas de actuação.

Caros membros e simpatizantes,

Na próxima 4ªfeira, 31.08.2005 pelas 21:00, terá lugar mais uma
tertúlia no espaço "Loucos e Sonhadores", Travessa Conde Soure, nº 2
(Junto à Ler
Devagar) no Bairro Alto.

O tema será:
Partidos politicos brasileiros e o fenómeno Lula-PT

Convidado Especial:
Jorge Gustavo
Universidade Regional de Blumenau - Santa Catarina

Participação aberta a todos os interessados.

Luís Guerreiro

MLS-Secretário

O combate que se trava hoje nos um pouco em todo o mundo Ocidental, com especial intensidade nos Estados Unidos, apesar do que é propagandeado, não é um combate essencialmente cultural. Repito. Não se trata essencialmente de um combate de entre duas culturas divergentes.

Nem sempre “conservadores” e “liberais” (eu explico as aspas no fim*) se regem por códigos diferentes, e nem sempre os valores que respeitam em áreas como a política, economia, justiça, etc, são tão dissimilares como isso. É claro que nos dois extremos do espectro pode-se dizer que são diametralmente opostos. Mas isso é, na minha opinião, não é essa a natureza da questão do liberalismo - conservadorismo.

Para perceber do que falo é melhor ver o que regra geral aparece nos meios de comunicação como exemplos da tal luta cultural (que na maior parte das vezes os jornalistas não têm a capacidade ou vontade de por em perspectiva). Veja-se o exemplo da religião V. estado que é sempre desenhada como uma luta entre fieis e ateus (e as respectivas organizações) quando o que está em questão não são as respectivas diferenças de crença mas sim a influência que a religião deve ter para o cidadão comum. Ou o tema da sexualidade, em que se põe a questão como se o objectivo fosse a definição de normalidade quando o verdadeiro problema é sim a definição do poder que a comunidade tem (ou não) para definir padrões comportamentais.

As questões essenciais que emergem destes dois exemplos (e de muitos outros que podia ter escolhido) são sempre as mesmas: o individuo e colectivo. Maiorias e minorias. Direitos e limites. A imagem que sempre se passou sobre todos estes temas está errada. Sempre quiseram fazer crer que se está a discutir moral, quando na realidade se está a discutir autonomia individual.

A grande confusão que surgiu de todos estes temas actuais foi que as pessoas habituaram-se a pensar numa lógica colectiva, a pensar em reposta para a sociedade em geral em vez de pensarem em respostas para si. O problema nunca é a forma como gerimos as acções que só a nós nos dizem respeito mas sim quando procuramos razões para justificar a colonização intelectual dos outros e quando usamos meios para criar uma ortodoxia.

Como disse anteriormente não é uma guerra de cultura mas sim uma guerra muito mais antiga e que tem ocupado o “palco” desde o começo da idade moderna (talvez mesmo antes sobre formas menos óbvias), é um conflicto entre aqueles que acreditam em visões (impossíveis) de simplicidade e uniformidade e aqueles que aprenderam a viver com um mundo complexo e diverso em que a verdadeira ameaça não é a pessoa que discorda do que dizemos mas sim aquela que nos quer impedir de fazermos as nossas próprias escolhas.

*Parece-me claro quanto a mim que as definições correctas de liberal e conservador não assentam tanto no que o individuo acredita ou pensa mas sim no seu respeito pela individualidade.

O combate à fraude fiscal é hoje uma mera ilusão.
Hoje todos os políticos sabem que acabando com a fraude fiscal vamos aniquilar tudo o que resta da estrutura empresarial em Portugal. O desemprego irá subir ainda mais, o investimento vai descer e atingiremos o fosso económico apelidado de estagflação.
Muitas empresas apenas se mantêm em Portugal porque conseguem fugir aos impostos, outras tantas há que se forem obrigadas a pagar os impostos adequados, simplesmente fecham as suas portas.
Já as empresas que pagam os seus impostos têm entre os seus clientes os que fogem e por isso saem igualmente prejudicados com o seu encerramento.
E o pior de todo este cenário é que há socialistas e sociais-democratas que vêem este argumento como uma justificação para não cobrar os impostos e permitir a fuga ao fisco.
A verdade é que nós temos um nível de impostos completamente insustentável e fugir aos impostos é hoje mais rentável do que ser eficiente na actividade que se pratica. E é lógico para qualquer pessoa que a nossa economia não pode ser baseada em fuga aos impostos.
A única solução é acompanhar o combate à evasão fiscal da descida dos impostos, mas ainda essa será pouco. Se por outro lado, formos gastar o dinheiro em iniciativas que só têm retorno passado 10 anos estamos a condenar o país à falência. É imperativo reduzir a despesa pública para valores aceitáveis.
Para se conseguir fazer na sociedade um bom trabalho social primeiro precisamos de potenciar o emprego e criar riqueza para sustentar as várias iniciativas. Só aí podemos fazer uma diferença a nível de garantir mais direitos e mais justiça social.
A base para a nossa economia tem de ser baseada em Justiça e Eficiência e o sistema que temos actualmente não nos permite nenhuma delas.

Retrato de Miguel Duarte

Já se falou aqui muito em elefantes brancos, uma espécie de elefantes, que ao contrário de outros, infelizmente, está muito longe da extinção. Hoje, não vou escrever sobre os portugueses, que se têm reproduzido muito bem, graças a políticos como o Santana Lopes e José Sócrates, mas dos Gregos! :)

Eram investimentos mesmo necessários para o país:

It would have been worth it even if the cost had been double what we paid, says Spyros Cladas, who goes by the Orwellian title of General Secretary of Olympic Utilisation. The benefits were material with new infrastructure, but also (the Olympics) gave Greece a new identity and better recognition.


Mas parece que houve alguma falta de planeamento:

A senior government official once admitted to me that the only plan he had seen prior to the Games simply had "conference centre" marked next to a list of almost every facility. To make matters worse, the authorities failed to see the wisdom of constructing temporary venues for some sports, as previous Olympic host cities have done. Everything in Athens is set in concrete, even the facilities for sports which are of minimal interest to the average Greek, such as baseball, softball and hockey. These are three of the immaculate stadiums now standing idle at the Hellinikon complex. They are top quality buildings each and every one. At the baseball stadium the sprinklers pump out gallons of water every day to keep the grass in perfect condition. But the bright blue plastic seats are all empty and nobody knows when or if they will ever be filled again.


Isto faz-me lembrar tanta coisa. Dá-me uma sensação de coisas que já vi em algum lado. Graças ao excelente Governo Grego, os cidadãos gregos têm agora imensos estádios, em Atenas, que não utilizam e ainda precisam de pagar por eles:

My government asks us to pay 100 million euros ($121m) per year from our taxes (to maintain the Olympic venues) and I don't use them, I don't see them, I don't go there as a viewer or as an athlete. Nobody uses them and nobody tells you what's going to happen next year. Wouldn't you get mad?


A minha grande conclusão é que o Governo Grego também nunca ouviu falar de "estudos financeiros". Será que não podíamos aprender um pouco com os outros, para variar?

Nota: As citações foram retiradas de um artigo da BBC News

A Fátima não é capaz de estar muito tempo calada sem mandar mais um daqueles brilhantes comentários.
Agora veio dizer que se tivesse imunidade política, jamais a utilizaria. Segundo esta senhora de grandes valores, utilizar imunidade política é uma grande falha de moralidade.
Fugir do pais num porta-bagagens para apanhar um avião em Espanha até ao Brasil é aceitável e compreensível, mas utilizar o direito concedido de imunidade política era completamente imoral.

Não percam o próximo episódio,
porque nós TAMBÉM NÃO !

Retrato de Miguel Duarte

A decisão política está tomada e José Sócrates já assumiu que vai avançar com a construção de um novo aeroporto internacional na Ota. Mas só agora, com o lançamento de um concurso público para seleccionar o novo consultor financeiro que desenvolverá os estudos de viabilidade económica do projecto, é que se irão dar os primeiros passos para aferir se o investimento representa uma boa aplicação dos recursos económicos e tem condições para ser um sucesso.


Fonte: Público

Só tenho uma palavra: Demissão

Quem se prepara para gastar entre 2.500 a 4.500 milhões de € sem qualquer estudo económico não é merecedor da confiança de quem quer que seja. Decisões deste nível têm que ter fundamentação económica, é o nosso dinheiro (de contribuintes) e o nosso futuro que está em jogo.

Hoje a nossa função publica deu-me mais um banho de realidade.
Precisava de ir à segurança social e aproveitei para ir à loja do cidadão onde tudo é super-rapido... ou não...
Sabendo já de um grande atraso fui as 3:30 da tarde antes de ir visitar um cliente.
Assim tinha tempo para ir ao cliente voltar ao emprego, esperar pelas seis horas e voltar lá para ser atendido.
Qual não foi o meu espanto quando la cheguei e me disseram que já não davam mais senhas. Faltavam QUATRO HORAS para o encerramento, as 19:30 e já não davam mais senhas. Estamos em pleno Agosto, há pouca gente em Lisboa e eles têm uma fila de espera de mais de QUATRO HORAS e interrompem assim a distribuição de senhas.
Quando Portugal tem uma função pública de uma dimensão exorbitante, como é possivel que demorem tanto para nos atender?
A resposta que me deram foi: tem de vir amanhã o mais cedo possível. Concluem eles que eu não tenho mais nada que fazer, tenho como profissão ser cliente da função pública.
Isso porque Portugal vive inteiramente para a função publica.
Quando a grande fatia da riqueza gerada em Portugal é utilizada para alimentar o estado e a função publica, devemos concluir que todos estamos ao seu dispor e trabalhamos para esta.
Afinal não é a função publica que serve o país, é o país que serve a função publica.

Mas eu nem pedi segurança social nenhuma. Com os gastos que o nosso estado tem, com o tempo que nós perdemos de trabalho para tratar destes assunto e com a ineficiência do serviço como seria possível não termos uma segurança social falida?

Eu não quero ter segurança social, eu não quero ter mais um cartão na carteira, não quero mais um número para preencher, não quero tirar mais essa fotocopia, nem mais um assunto para ter que me chatear ocasionalmente.

Quero a liberdade de abdicar da segurança social.

Retrato de Luís Lavoura

Durante os próximos 3 anos, subsídio fiscal até 250 euros a quem compre um computador pessoal. Justificação: apoio à sociedade de informação.

Muitas pessoas compram um computador só para jogar. Ou então para escrever cartas em word. Ou então para fazer cálculos em excel. Ter um computador de forma nenhuma significa que se participe na sociedade da informação.

(Pode também ter-se um computador só para blogar...)

É este tipo de atividades que, indiretamente, o governo pretende agora subsidiar.

E há boa justificação? Não. Os computadores são (cada vez mais) baratos. Caro é o software, e a utilização da internet. O hardware, o computador, é barato, pelo que não se justifica ajudar na sua compra.

Mais um disparate, cheio de boas intenções, do governo.