Retrato de Luís Lavoura

A França prepara-se para proibir o uso de vestimentas que cubram o rosto, nomeadamente o niqab árabe ou a burca afegã, em espaços públicos.

O uso destas vestimentas nada tem a ver com o islamismo, mas apenas com uma interpretação dele em termos de certos hábitos culturais prevalecentes em determinadas regiões. A imensa maioria das muçulmanas por este mundo fora não tapa o rosto e nada no Corão obriga a que o façam. Proibir estas vestimentas não é, portanto, uma agressão à liberdade religiosa.

Trata-se, indubitavelmente, de uma restrição à liberdade individual. Em princípio, as pessoas são e devem ser livres de se vestirem como quiserem. Mas mesmo essa liberdade não é total - as pessoas não são livres de andar nuas, ou com vestimentas reduzidas, em público, exceto em locais e situações especiais - na praia, em particular. Ou seja, já hoje há códigos de vestimenta impostos pelo Estado.

A mim parece-me que a proibição que o Estado francês se prepara para impôr é legítima e, de facto, conveniente. As pessoas devem estar minimamente identificáveis quando num espaço público, o que impõe o rosto descoberto. Isto é verdade até por razões de segurança.

Trata-se, também, de forma indireta, de colocar limites à dominação do espaço islâmico pela pregação integrista (salafista) financiada pela Arábia Saudita. Aquilo que algumas (cerca de 2.000) mulheres usam em França é o niqab, uma vestimenta típica da Arábia, em particular do Golfo Pérsico. Essa vestimenta tem a assinatura da sua origem - não se trata de uma marca do islamismo, mas da marca de um islamismo de influência saudita.

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