Retrato de Luís Lavoura

Os agricultores de Entre-Douro-e-Minho manifestam-se hoje, em Lisboa, pedindo ao Estado apoios por causa da situação de seca. Afirmam não ter suficiente forragem para as suas vacas leiteiras. A queda na produção de forragens foi de 30 a 40%. Lembram que a sua região produz 45% do leite produzido no continente, devido a um "altíssimo encabeçamento por hectare" - nas palavras de um seu dirigente associativo - isto é, devido ao elevado número de vacas por hectare de terra existente no Entre-Douro-e-Minho.

Não perceberão a contradição em que eles próprios caem? A solução, óbvia, para a sua situação, é diminuirem o número de vacas. Se a seca causa problemas a estes agricultores, se a forragem é insuficiente, isso deve-se a eles terem aumentado em excesso o número de vacas. Aumentaram-no tanto que, vinda a seca, não conseguem alimentar os animais.

É responsabilidade dos agricultores precaverem-se contra secas (ou outras intempéries que possam diminuir a produção de forragens) diminuindo o encabeçamento de animais. Se os agricultores estão em maus lençóis, isso é em parte por sua culpa.

A solucao liberal para a

Pedro Barata (não verificado) on Sexta, 23/12/2005 - 18:51

A solucao liberal para a questao do gado e razoavelmente simples: incentivar a criacao de seguros ligados a meteorologia, que permitam ser accionados em tempo de seca, em paralelo com os seguros de colheita. Se se considerar, como e bem possivel, que existem disorcoes previas no mercado de informacao, originando que os criadores nao saibam correctamente calcular o risco de seca, entao nesse caso, o Estado pode eventualmente suprir essa "falha", eventualmente obrigando os criadores a terem seguro (analogia com o seguro de responsabilidade civil automovel).
Se o Estado, enquanto representante social, achar que e legitimo limitar a criacao de gado numa determinada regiao, deve comercializar direitos de criacao, semelhantes aos direitos de emissao por poluentes.

Retrato de Miguel Duarte

O Estado nada tem a ver com isto

Miguel Duarte on Terça, 25/10/2005 - 17:15

O Estado de facto nada tem a ver com isto. Cada agricultor deve saber se tem recursos para alimentar os seus animais e fazer eventuais seguros que sejam necessários.

Gado é uma indústria como outra qualquer. Se na minha empresa não há matéria prima para trabalhar, a culpa é nossa, não é do Estado, nem vamos pedir ao Estado para nos arranjar a matéria prima ou pagar por aquilo que não produzimos.

primeiro há que liberalizar o mercado

FM Pires (não verificado) on Quarta, 26/10/2005 - 09:54

Concordo que Gado deveria ser uma indústria como outra qualquer mas é preciso ver que isso não é o caso hoje em dia.

Estes agricultores competem com produtores franceses e holandeses que beneficiam de subsídios muitas vezes chorudos da PAC. Como até aqui esses subsídios são atribuídos por volume de produção, quem produz mais (frança sobretudo) recebe mais, o que lhe permite vender mais barato, produzir mais, logo receber mais, etc....ou seja uma economia de escala alavancada por um subsídio.

Também acho que o estado não deve ter nada a ver com isso, mas primeiro tem de oferecer firme oposição a medidas que distorçam os mercados como é o caso da PAC. Só depois se poderá dizer a um agricultor/criador para aprender a gerir a sua produção sozinho.

FMP

que exagero... acho mal e

Vitor Jesus on Terça, 25/10/2005 - 13:50

que exagero... acho mal e triste eles irem pedir ao governo uma solucao para os problemas deles com a atitude de ter sido o governo a criar o problema. Isso estamos totalmente de acordo.

Agora planear o numero de cabecas de gado em funcao da chuva e' que me parece exagerado. O que eles deveriam ter feito, e deverao fazer, e' saber qto custa alimentar o gado todo -- incluindo cenarios em que a natureza nao providencia comida (ou la o que eles precisam).

Mas nao me parece que a solucao seja estabelecer uma metrica do tipo numero de vacas por milimetro de pluviosidade.

(abraco. embora discorde de muita coisa, essencialmente pormenores, da-me muito prazer ler os teus posts)

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