No tempo da Outra Senhora só havia duas profissões liberais - médicina e advocacia - cuja deontologia se considerava necessitar a existência de uma Ordem protegida por lei.
Hoje as profissões liberais multiplicaram-se e tornou-se uma questão de prestígio cada uma delas ter a sua Ordem. Além da Ordem dos Médicos há hoje a Ordem dos Médicos Dentistas e a Ordem dos Psicólogos, e já vem a caminho a Ordem dos Dietistas e Nutricionistas. Mas mesmo entre as profissões não liberais multiplicam-se as Ordens, todas elas protegidas pelo Estado, como por exemplo a Ordem dos Biólogos e a Ordem dos Engenheiros. A todo o momento ouvimos falar de mais um grupo profissional (por exemplo, os professores) que quer passar a ter a sua Ordem. É uma questão de prestígio, de status - mas ambém é uma questão monetária.
Revolta-me a existência de todos estes órgãos que, supostamente, exercem funções reguladoras que deviam pertencer ao Estado mas que as exercem, quando as exercem, de forma corporativa. Se não considero correto que o Estado participe no jogo económico, também não considero correto que o Estado se demita das suas funções reguladoras e judiciais. E temo que estas Ordens todas só sirvam, na prática, para extorquir dinheiro aos profissionais e para limitar o acesso à profissão, isto é, para eliminar o constitucionalmente consagrado direito ao trabalho.














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