Retrato de Luís Lavoura

No PÚBLICO da passada segunda-feira, secção Local Lisboa, vem "noticiado" que a Siderurgia Nacional no Seixal está há dez anos à espera que a REFER e a CP construam um ramal de caminho-de-ferro que dê acesso à fábrica e lhe permita "escoar parte da produção por caminho-de-ferro retirando à estrada centenas de camiões por dia". O ramal em questão, de apenas 3,5 quilómetros, custará cerca de cinco milhões de euros. A siderurgia portuguesa é "uma das únicas no mundo que não está ligada à ferrovia". Parte significativa da produção de ferro da siderurgia vai para Espanha, pelo que o caminho-de-ferro seria ideal para o escoamento e, também, para o abastecimento da siderurgia com ferro-velho.

Ontem ficámos a saber que o Estado português se prepara para oferecer 175 milhões de euros a um investidor privado que quer instalar uma nova papeleira em Setúbal, incluindo nessa oferta a construção de um ramal de caminho-de-ferro para aceder à nova fábrica.

Aqui se vê, com apenas dois dias de diferença e de uma forma particularmente chocante, os filhos e enteados que há em Portugal. Uma empresa espera dez anos por um ramal de caminho-de-ferro, a outra tem-no oferecido à partida. Um ramal que custa cinco milhões de euros tem fraca prioridade, mas já não faltam 175 milhões de euros para apoiar um outro empresário.

Com este tipo de favorecimentos, e negócios arranjados por acesso direto ao primeiro-ministro, este país não vai a lado nenhum.

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