Retrato de Luís Lavoura

O que o meu post de ontem pretende mostrar é o seguinte. O sistema capitalista é inerentemente superior a um sistema monopolista quando se trata de fornecer ao consumidor produtos como pares de sapatos, para os quais produtos o gosto do consumidor é o principal. Num sistema monopolista, como o soviético, a loja dispõe de apenas um tipo de sapatos e os desejos subjetivos, individuais, dos consumidores ficam frustrados. Num sistema capitalista, a loja dispõe de dezenas de tipos diferentes de sapatos e o consumidor fica satisfeito porque pode escolher aquele de que mais gosta.

No entanto, quando se trata da saúde e da educação, pelo contrário, o sistema capitalista não é necessariamente superior a um sistema monopolista, e até pode ser pior. Isto acontece porque, nesses serviços, os gostos dos consumidores são largamente irrelevantes. Não é por uma pessoa gostar mais de um médico, ou por ele lhe ter sido recomendado por alguns conhecidos, que esse médico aplicará o tratamento correto. Não é por um pai achar uma escola particularmente atraente que pode garantir que a educação prestada por essa escola é verdadeiramente a mais adequada.

De facto, os exemplos abundam de sistemas monopolistas que, na educação ou na saúde, tiveram desempenhos iguais ou superiores aos de sistemas de mercado. No meu post de ontem referi o sistema de ensino soviético, que não era inferior ao de países capitalistas com um nível de riqueza idêntico. Poderia também referir que, durante muito tempo, o ensino em Portugal foi em larga medida um monopólio da Igreja, e nem por isso era muito mau.

"Num sistema monopolista,

Anónimo (não verificado) on Quarta, 14/11/2012 - 12:48

"Num sistema monopolista, como o soviético, a loja dispõe de apenas um tipo de sapatos e os desejos subjetivos, individuais, dos consumidores ficam frustrados."

Ridículo. Em primeiro lugar isso não correspondia à verdade do socialismo real. Em segundo lugar, se o socialismo ainda existisse, recorrendo à internet seria fácil criar sites onde produtores e consumidores se encontrassem e assim determinassem a produção necessária de cada produto para um dado período.

Mas adiante. Gostei muito do post de ontem. É raro ver entre liberais alguém a querer debater as limitações e falhas do mercado em temas tão importantes. De facto foi a primeira vez que eu (que sou de esquerda e defendo naturalmente saúde e educação pública) encontrei as *razões* para a não-privatização da saúde e educação mesmo que a economia continue a existir num quadro predominantemente de mercado.

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