Retrato de Luís Lavoura

Há quem argumente que, para as pensões de reforma, um sistema baseado na capitalização de poupanças individuais é superior porque cria poupança.

Mas isso é falso. Num sistema de capitalização, os trabalhadores poupam para a sua reforma através da aquisição de diversos produtos financeiros. Simultâneamente, os reformados, para financiar a sua velhice, vendem os produtos financeiros que acumularam durante os anos de trabalho. No balanço total, o que acontece é que os trabalhadores compram produtos financeiros aos reformados; a poupança total pode ser nula, ou ligeiramente positiva (os trabalhadores poupam mais do que os reformados consomem), ou ligeiramente negativa; não há qualquer motivo para supôr que vá sistematicamente haver uma poupança global.

A curto prazo, se Portugal transitasse do seu sistema atual, baseado na solidariedade inter-generacional, para um sistema de capitalização, também não haveria qualquer poupança: os trabalhadores passariam a aforrar mas, em contrapartida, as pensões dos idosos teriam que ser financiadas por dívida. Ou seja, haveria poupança de um lado e dívida do outro, e nada nos permite supôr que a poupança fosse ser superior à dívida.

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