Diz Luís Rocha, no Blasfémias, que este fim de semana haverá circo no Porto, referindo-se à Red Bull Air Race.
Por todo o mundo, cidades e países competem para atrair determinado tipo de eventos. Aqui bem perto de nós, a cidade de Valencia dispõe da vela e da fórmula 1 (não sei exactamente em que datas ou em que moldes; sei que Valencia as teve, e é isso que conta em termos de notoriedade) e tal faz parte de uma estratégia para colocar a cidade no mapa das atracções turísticas associadas ao glamour e ao Mediterrâneo, competindo internamente com o papel internacional de Madrid e Barcelona e internacionalmente com o Monaco. Tal poderá trazer benefícios à economia local e é, portanto, apoiado pelos poderes locais.
Já para não falar nos Emirados Árabes Unidos, cujo emirado mais conhecido (o Dubai) o é precisamente graças a uma intenso investimento em glamour, expresso em construções exorbitantes e, também, numa poderosa campanha de marketing viral (quem não recebeu já dezenas de mails com aquele campo de golfe no topo de um edifício?). Também lá têm os aviõezinhos.
Num momento em que o único ícone que empresta visibilidade internacional (e estamos a falar de marketing, de imagem, de "circo" propriamente dito, porque por mais "vazio" que seja o marketing, é sempre necessário) à cidade do FC Porto está sob ataque regular do sr. Platini (as últimas declarações vêm impedir que se deixe de falar no caso), a Red Bull Air Race é a melhor resposta para dar visibilidade mundial à cidade. Ou deveria dizer às cidades: as excelentes imagens circenses com toda a beleza da Ribeira, das caves e da Ponte, transmitidas para milhões de telespectadores em todo o mundo, fazem mais pela notoriedade internacional do Porto e de Gaia do que qualquer campanha fotográfica de promoção, ou do género Allgarve. Se o investimento é público - parece-me um excelente investimento.
Mas por cá, já o dr. Salazar dizia que não gostamos muito de circo.

nation branding

Luis Menezes on Domingo, 07/09/2008 - 14:07

por cá tentam-se muitas vezes estes exercícios de branding, de cidades, regiões e até do país (com a muito falada Europe West Coast). Mas o certo é que resultados visíveis têm sido poucos, ou pelo posicionamento das campanhas e do branding geralmente estar um pouco fora daquilo que seria esperado, ou porque simplesmente estes exercícios por vezes levados demasiado a leve para se conseguirem os resultados esperados.
Assim, no Porto temos este fim de semana um exercício duplo. Por um lado a Red Bull, muito batida nestas andanças, dá show e faz deste evento uma brand experience que poucos irão esquecer. Por outro, o Porto tentar ir a reboque da Red Bull, tentando colher para si alguma visibilidade ao longo destes 3 dias. No entanto falta medir o retorno deste evento. Se para a Red Bull é óbvio, para o Porto não será tanto. Ou seja, afinal quantas pessoas virão ao Porto por terem visto na tv imagens deste evento? Até o branding tem um ROI que deve ser medido.
Mais nation branding em: http://www.cfr.org/publication/14776/

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