Retrato de Luís Lavoura

Lisboa (central) é uma cidade de colinas. É natural que pessoas que andam a pé (não é o caso dos nossos políticos) evitem, na sua vida normal, andar a subir e descer colinas. As pessoas que vivem no topo de uma colina não sairão portanto, na sua vida normal, da região dessa colina. Não irão descer ao vale para depois subirem à colina do outro lado.

 

Pelos vales de Lisboa correm grandes avenidas com muito tráfego. Essas avenidas separam as pessoas, apartam-nas. Na sua vida normal, as pessoas não irão atravessar uma grande avenida para irem à loja ou ao jardim infantil que fica do outro lado.

 

Seria portanto normal considerar que, no desenho das freguesias de Lisboa, se apartassem em freguesias diferentes zonas que ficam sobre colinas diferentes, e se apartassem em freguesias diferentes os dois lados dos grandes eixos viários.

 

Os políticos lisboetas do PS e do PSD, porém, pensam de forma diversa. Acabam de produzir um mapa para as futuras 24 freguesias de Lisboa que é um verdadeiro aborto. (Aborto com o qual, no entanto, tudo indica que os lisboetas terão que viver de ora em diante.) Nesse mapa há uma freguesia que se estende desde as alturas das Amoreiras, pessando pelo vale da Avenida da Liberdade, até ao alto de Santana. Nesse mapa os cidadãos do Lumiar ficam na mesma freguesia que os de Telheiras, apesar de estarem separados uns dos outros por uma avenida com oito faixas.

 

Se é para fazerem tamanha burrice, mais valia deixarem estar tudo como está.

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