Retrato de Miguel Duarte

Os bancos portugueses têm estado a solicitar que os 12 biliões de Euro que foram colocados de lado para o caso de ser necessário ajudar os bancos não sejam usados como estava previso (uma nacionalização de parte dos bancos), mas sim para amortizar parte das dívidas que o Estado tem à banca nacional.

A mim parece-me uma muito boa ideia, tal como seria boa ideia o Estado poder usar parte do dinheiro que tem recebido para amortizar dívidas que tenha a empresas privadas.

Não faz qualquer sentido andar-se por esta altura a "ajudar" a banca via a entrada do Estado, mesmo que temporária, no capital dos mesmos e se o Estado amortizar o que deve, esse dinheiro poderá ser usado pela banca para emprestar a outros clientes (ex: empresas exportadoras) e para a própria banca amortizar parte da sua dívida ao exterior.

Retrato de Luís Lavoura

tu também podes ajudar

Luís Lavoura on Sexta, 29/07/2011 - 09:07

O Miguel também pode ajudar a banca nacional, se o quiser. Suponhamos que o Miguel pediu a um banco nacional um empréstimo, à taxa de juro de 3% e com o prazo de 30 anos, para comprar a sua casa. O Miguel pode agora mesmo ir a um banco estrangeiro (holandês, alemão) e pedir que lhe emprestem à taxa de 5% a quantia que deve ao banco português, para amortizar imediatamente aquilo que deve ao banco português. Desta forma, ajudaria o banco português.

O Miguel está disposto a fazer isto? Creio bem que não! O Miguel não vai pagar uma taxa de 5% a um banco estrangeiro para poder amortizar o empréstimo a 3% que tem no banco português!

Aquilo que o Miguel está a pedir que o Estado faça é análogo: pede que o Estado use o dinheiro que o FMI lhe empresta, a curto prazo e a uma taxa de juro nada baixa, para amortizar obrigações de longo prazo e baixo juro que tem junto da banca portuguesa.

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