Retrato de Luís Lavoura

Ouvi hoje de manhã na Antena 1 que a construção do novo Hospital Pediátrico de Coimbra, há longo tempo aguardada e há longo tempo em curso, está parada porque se descobriu que as fundações já construídas estão todas cheias de água. Parece que, literalmente, à medida que se despejava betão para as fundações esse betão se transformava em lama, devido à muita água existente no local. Segundo um entrevistado, a situação não era totalmente imprevista: sabia-se que no local escolhido para a construção passa uma ribeira subterrânea. A obra está parada e os decisores interrogam-se agora se será possível prossegui-la ou se, pelo contrário, se deverá recomeçar do zero, escolhendo um novo local (onde?) para instalar o Hospital Pediátrico - de que a cidade há muitos anos urgentemente necessita.

Esta história fez-me lembrar duas outras, melhor conhecidas, uma passada e outra futura. A história passada é a do túnel do metropolitano no Terreiro do Paço, em Lisboa. O malfadado túnel meteu água a jorros e está desde então em reparação. A versão atual é que abrirá em 2007. É melhor nem se falar do dinheiro que já se gastou com essa obra - a construção de um túnel no meio da água.

A história futura é mais grandiosa: o aeroporto da Ota. Não tem sido muito falado, mas pretende construir-se esse aeroporto numa zona onde atualmente passam duas ribeiras e que está atualmente parcialmente ocupada por um paul. Trata-se de uma zona baixa, por onde correm dois pequenos afluentes do Tejo, e alagadiça.

Veremos o que o futuro nos reserva. Adivinho o imbróglio que será quando se começar a construir as fundações do aeroporto e o betão se começar a liquefazer todo. Vai-nos custar os olhos da cara.

(Se por essa altura ainda tivermos olhos e cara.)

Que me lembre,

Cirilo Marinho on Sexta, 06/01/2006 - 02:35

a única administração pública com redução de competências foi a do Metro do Porto.
Isso diz algo acerca do centralismo acéfalo de um estado com excessivo peso na economia.

As condições hidrogeologicas do Terreiro do Paço e da Ota são bastante similares às condições da parte Occidental da Holanda. É perfeitamente possível construir nestes areas - o aeroporto de Schiphol foi construído no fundo de um lago, em solos argilosos.

É só escolher o método correcto de construir.

O que correu mal no caso do Terreiro do Paço foi que em 1995, quando os tuneis (Rossio-Baixa Chiado-Cais do Sodré e Restauradores-Baixa Chiado) foram construidos com TBM (Tunnel Boring Machine), o Metropolitano de Lisboa notou que seria muito mais barato se o tunelador continuava até Santa Apolónia (este prolongamento já era previsto) em vez de parar em Baixa-Chiado e começar de novo depois para acabar. O financiamento das estações Terreiro do Paço, Alfândega (cancelado) e Santa Apolónia seria assegurado depois. Este significou que as estações seriam construidas só três anos depois o tunel. As condições geotecnicas e hidrogeologicas do Terreiro do Paço são um desafio, mais é possível construir. Só que este sequência (premeiro o tunel, logo a estação) não é conselhavel neste situação.

O empreteiro que construi a estação do Terreiro do Paço não fez um investigação geotecnico correcto e não fez o avaliação dos riscos que é mandatorio nestes condições. Alem disso, a informação que o empreteiro do tunel acumulou, mão foi transmitido ao empreteiro da estação (como a substituição da argila por cascalho que permetiu a entrada da agua no tunel durante a perfuração do forro do tunel.

Sabemos todos o resultado.

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação