O caso recente Lewis "Scooter" Libby, no qual Bush concedeu um perdão parcial ao ex-chefe de gabinete de Cheney tem gravidade em si próprio. Denuncia (para quem ainda tivesse dúvidas) a cegueira e parcialidade desta Administração e a sua falta de respeito pelas instituições.
No entanto, mais grave que a decisão, é a sua possibilidade - é a própria existência do direito de clemência. Há três questões que justificariam a sua extinção imediata em qualquer país em que exista este poder.
Por um lado, viola grosseiramente o princípio da separação de poderes. Trata-se de o Executivo interferir em decisões do Judicial. Quando abrimos essa porta não nos podemos espantar muito com casos como o de Libby. Em algum momento, algum mau governante há-de de utilizar este poder em benefício próprio e da sua clique.
Por outro lado, viola o príncípio republicano, sendo uma sobrevivência monárquica. Um poder absoluto arroga-se o direito de distribuir perdões pelos seus súbditos, sem qualquer critério legal ou formal, dependendo apenas da sua vontade.
Por fim, este poder autocrático tem proveniência religiosa. Dependendo o poder real do poder divino, explica-se o motivo pelo qual se entendia que os reis podiam interferir com as decisões dos juízes. Todo o poder vem de deus e como deus pode punir, pode também perdoar.
Creio serem motivos mais que suficientes para que se defenda o fim desta instituição bárbara.














Administração Bush/Cheney
Filipe Brás Almeida on Quarta, 04/07/2007 - 17:30O desfecho era previsível. Mais importante é o teor do caso em si. Noutra era da história Americana, o Cheney ter-se-ia arriscado a ser pendurado por um corda por traição, apenas pelo Plaime Affair.
Tenho seguido este caso com bastante atenção desde o seu início. Não vejo isto como um caso isolado mas sim em conjunto com outros casos nomeadamente o despedimento dos District Attorney's que mantinham acusações contra políticos Republicanos, o «self-sustaining» fiasco que foi a interferência do Doug Feith na comunidade de inteligência, etc, etc.
O Departamento de Justiça chefiada pelo Alberto González está a ser governada como se fosse um bordel, alias em linha com o trajecto desta administração - um atentado à verdade, à razão, e à estabilidade e paz no mundo.
Bordel
Luís Lavoura on Quinta, 05/07/2007 - 09:03Atenção que o MLS é a favor da legalização dos bordeis... desde que sejam bem governados, claro. Bordeis governados pelo Alberto González continuarão a ser estritamente proibidos.
Luís Lavoura
Excelente post
Luís Lavoura on Quarta, 04/07/2007 - 09:28Eu nunca tinha visto a coisa desta forma.
Luís Lavoura
muito bem
Filipe Melo Sousa on Quarta, 04/07/2007 - 09:08sai um comentário pertinente para o Speakers' Corner
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