Está na moda criticar o facto de o interior de Portugal estar cada vez mais despovoado. Critica-se que haja aldeias, e até vilas, nas quais poucas ou nenhumas crianças nascem.
Porém: se não há nesse interior empresas produtivas, para que queremos nós que lá haja pessoas a viver? Se nesse interior não é rentável viver, então é normal e adequado que ninguém lá viva.
Também: há muitos países da Europa (e não só), países ricos como por exemplo os escandinavos, nos quais há extensões enormes nas quais ninguém habita. Esses países não ficam mais pobres por esse facto. Qual é o mal se em Portugal também passar a haver extensões enormes sem nenhum habitante?
As pessoas querem, também, a conservação e ressurgimento da Natureza. Para que esse objetivo seja alcançado, não será desejável que haja, cada vez mais, algumas regiões quase, ou totalmente, desabitadas, nas quais a Natureza possa recuperar, e evoluir, sem intervenção humana de monta?
Dizem que em Portugal há incêndios altamente destrutivos. Devia-se ter em conta que grande parte dos meios utilizados a combater esses incêndios são, na verdade, utilizados para proteger casas espalhadas a esmo pelo meio da Natureza. Não seria desejável que menos pessoas morassem espalhadas pelo território em aldeias minúsculas que depois se torna necessário proteger dos incêndios?
Eu proponho que, em vez de nos preocuparmos com a falta de crianças no interior de Portugal, nos deveríamos preocupar com o excesso de velhos nos centros das cidades, notoriamente de Lisboa. Que sentido faz que, numa cidade que é para as pessoas trabalharem, as casas estejam ocupadas por velhos até à sua morte? Não deveriam esses velhos, que já não têm necessidade nenhuma, em termos profissionais, de habitarem as cidades, uma vez que estão reformados, voltarem para a província, da qual aliás muitos deles são originários?














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