As últimas mortes na noite do Porto levam a que a criminalidade esteja na ordem do dia da agenda politica nacional.
De um lado (CDS) culpa-se o governo por cortar na policia, do outro lado (PS) prometem-se a abertura de novos cursos para a PSP e GNR para o combate da criminalidade, existindo ainda aqueles (Câmara Municipal do Porto) que vêm na videovigilância em locais públicos a solução milagrosa para este problema.
Todos são coniventes no método de combate à criminalidade, mais policias, mais vigilância, mais formas de actuar a jusante.
Pois eu digo que o problema tem de ser combatido a montante.
Ninguém nasce a saber falar, ninguém nasce a saber andar, também ninguém nasce criminoso. A verdadeiras perguntas são: como se formam e formaram os marginais hoje? O que foi feito no sistema educativo para combater a marginalização? Que medidas foram tomadas para combater a secreção social, racial e económica existente no sistema educativo? Que politicas de inclusão?
Em síntese o que falhou na formação destes cidadãos e também o que aconteceu a nível social para que estes se tornassem criminosos?
Só respondendo a estas questões podemos desenhar politicas educativas e sociais para combater o problema da criminalidade.
Poupe-se nos policias, invista-se na educação.

"Será que em muitos casos

André Escórcio ... on Quinta, 13/12/2007 - 11:51

"Será que em muitos casos não é na actual escola que muitos desses futuros deliquentes se apercebem que a sociedade é permissiva a comportamentos menos cívicos ? Não será na escola escola que estes se apercebem que mesmo não estudando ou mesmo faltando às aulas continua a passar de ano ? Não será também na actual escola que muitos destas crianças são pela primeira vez recrutadas para estes gangs ?"

Diria mais, muitas vezes é a própria escola que estimula esses comportamentos, através da discriminação socioeconómica, cultural, racial, etc. Já para não falar do trabalho de desmotivação entre outras coisas de ordem mais técnica.

"Tem que existir investimento mas sobretudo uma mudança de atitude do sistema educacional que já provou que falhou."

Sem dúvida ;)

Primazias

Simão on Quinta, 13/12/2007 - 01:09

Sem dúvida que punir é necessário, o criminoso sabe que ao cometer o crime corre o risco de sofrer as consequências, no entanto é realmente primordial prevenir, porque mesmo conhecendo as consequências que podem advir, caso sejam apanhados, eu creio que ainda existem imensos criminosos que acreditam que vale a pena arriscar por maior que seja o castigo. Para eles existe sempre a possibilidade de não serem apanhados.
Assim sendo, e explicando da forma mais objectiva possível, penso que precisamos de: prevenir mil vezes mais (para que haja cada vez menos potenciais criminosos), investigar cem vezes mais (de forma a não deixar a identidade de criminosos por apurar, fazendo com que os criminosos não queiram correr riscos) e punir com 10 vezes mais força (mais um condicionante a ter em conta antes de arriscar cometer o crime).

Para tudo isto é necessário recorrer a bons meios de educação (e integração social); excelentes meios de investigação e leis mais severas (sempre proporcionais ao tipo de crime obviamente).

Concordo, mas

jvaldoleiros on Quarta, 12/12/2007 - 23:55

Antes de mais concordo em absoluto que em muito importante antes de tudo investir em educação e poupar nos polícias.
Mas será em investir no actual sistema de educação ? Será que a actual escola está voltada para educar as novas gerações ou simplesmente para ocupar os tempos das criancinhas enquanto os pais estão ocupados durante o dia (e não disse a trabalhar) ? Será que em muitos casos não é na actual escola que muitos desses futuros deliquentes se apercebem que a sociedade é permissiva a comportamentos menos cívicos ? Não será na escola escola que estes se apercebem que mesmo não estudando ou mesmo faltando às aulas continua a passar de ano ? Não será também na actual escola que muitos destas crianças são pela primeira vez recrutadas para estes gangs ?
Tem que existir investimento mas sobretudo uma mudança de atitude do sistema educacional que já provou que falhou.
Poupar nas polícias, mas sobretudo gerir melhor a qualidade dos serviços que a polícia disponibiliza à sociedade. Dar uma melhor formação aos seus elementos. E sobretudo que o Estado tenha a consciência que deve facilitar e não dificultar o trabalho dessa mesmas polícia.
Não será de certeza com polícias de baixa formação académica, ou sentados nas esquadras a cumprir calmamente os seus respectivos turnos ocupados com trabalhos administrativos que a segurança das ruas vai melhorar. Não será de certeza motivante para a própria polícia deter um deliquente em flagrante delito e passado umas horas ver essa mesma pessoa a sair em liberdade. Não será de certeza motivante continuarem a ser vistos como uma força repressiva em vez de serem reconhecidos como uma organização que tem como principal função a defesa dos direitos de cada um de nós, a começar pela segurança de pessoas e bens.
Concordo também absoluto que se devem eliminar as fontes de ganhos ilícitos. E dai concordar com a legalização do negócio da prostituição ou com a legalização da comercialização de drogas. Mas acho que o Estado não deve desresponsabilizar-se do seu papel tutelar em alguns assuntos, como por exemplo na garantia das segurança das pessoas. Quando se liberaliza a criação quase sem controlo de empresas de segurança permitiu-se que estas se tenham tornado como mais uma fonte de ganhos ilícitos (no fundo é essa a guerra que existe no Porto).
Em resumo existe muito para reflectir neste tipo de questões e não serão de certeza os poderes instituídos que irão mudar alguma coisa significativa a partir de dentro do sistema.

Ah, então também concordas

André Escórcio ... on Quarta, 12/12/2007 - 16:24

Ah, então também concordas com o post?
Em lado nenhum defendi ou defendo ou defenderei o fim do estado de direito e como tal os processos crime ou a investigação policial.

"Só respondendo a estas

Tania Girao on Quarta, 12/12/2007 - 16:53

"Só respondendo a estas questões podemos desenhar politicas educativas e sociais para combater o problema da criminalidade.
Poupe-se nos policias, invista-se na educação."

O facto de eu concordar com a prevenção não me leva de modo algum a concordar com a "poupança" na policia.

Tânia achas que as pessoas

André Escórcio ... on Quarta, 12/12/2007 - 16:09

Tânia achas que as pessoas nascem más?

Caso respondas sim, eu digo-te então que estás a tirar a culpa dos criminosos e atribuí-la a um determinismo genético.
Se responderes não é porque admites que os criminosos são fruto do ambiente em que se desenvolveram, sendo que a educação é uma das formas em que se pode melhor influencias esse ambiente.

Só para relembrar quando falo em prevenção não falo apenas em educação, esta será talvez a mais influente forma de prevenir, mas a intervenção tem de ser feita também ao nível social.

É óbvio que eu não acho

Tania Girao on Quarta, 12/12/2007 - 16:19

É óbvio que eu não acho que todos os criminosos o são por razões genéticas, nem sequer sei se as razões são genéticas, mas a verdade é que há pessoas que vivem no mesmo ambiente, sob as mesmas condições, às vezes até irmãos e não vão pelo mesmo caminho...

E eu continuo a dizer que apesar de achar que o melhor é a prevenção, seja esta de que tipo for, se não resultar ... a punição tem que existir...

Um bocado ao lado...

Tania Girao on Quarta, 12/12/2007 - 14:32

Vou passar um bocado ao lado do tema inicial deste post, porque nesta questão dos assassinatos da "noite", é um bocado dificil apostar na prevenção através da educação.
A posição do Luis é mais objectiva nesse aspecto.

Mas na questão da punição vs prevenção(educação) tenho algumas ideias para deixar (e eu sei que esta questão não é tão linear como a esta frase deixa transparecer).

1º Concordo que se aposte fortemente na prevenção, através da educação, não só porque leva a que haja uma tendência de melhorar a sociedade na questão da criminalidade, mas também porque provavelmente leva a uma melhoria da sociedade a todos os niveis e não apenas no que diz respeito à criminalidade.

2º O combate à criminalidade não pode ter como principal premissa a prevenção, primeiro porque eu não acho (opinião puramente pessoal) que todos os cidadãos sejam "bons" e que mudem devido à influência da sociedade, mas principalmente porque caso a prevenção não resulte, tem que haver um "plano B".

Só queria acrescentar uma coisa, que pode até ser politicamente incorrecta, e que nunca vi ninguém dizer, mas em relação aos crimes violentos, a punição muitas vezes é das poucas coisas que pode "sossegar as vitimas".

"Nestes casos de

André Escórcio ... on Quarta, 12/12/2007 - 12:21

"Nestes casos de assassinatos profissionais, o que é preciso investigar é quem pagou por estes crimes e qual a fonte do dinheiro para os pagar. Ou seja, deve haver uma atividade, provavelmente ilícita, e possivelmente a precisar de ser liberalizada, que dá muito dinheiro a certa gente e que se torna a motivação para que essa gente pague (muito) dinheiro a assassinos profissionais para que estes matem os adversários."

Lá está, tal como os partidos que referi, estás a falar do combate à criminalidade depois esta ter acontecido.
Eu prefiro que esta seja evitada, que se aposte na prevenção, punir é fácil mas pouco eficaz.
São necessárias politicas preventivas ao nível da criminalidade.

Retrato de Luís Lavoura

Não

Luís Lavoura on Quarta, 12/12/2007 - 13:23

Não estou a falar de combater a criminalidade depois de ela ter ocorrido. Estou a falar de eliminar os motivos económicos da criminalidade.

Usualmente, esta criminalidade, do tipo mafioso, está ligada à exploração de negócios ilícitos, nomeadamente redes de prostituição, ou tráfico de droga, ou outros. São negócios que dão muito dinheiro a quem os controla, e esse dinheiro serve, em parte, para pagar a bandidos profissionais, os quais levam a cabo estes crimes. Para eliminar esta criminalidade é necessário eliminar essas fontes de dinheiro. Isso só se faz tirando esses negócios da clandestinidade, isto é, liberalizando-os.

Ou seja, eu estou a falar de prevenir a criminalidade, de a evitar, através da eliminação do dinheiro que a alimenta.

(Note-se que a mafia de Al Capone, na Chicago dos anos 1930, se alimentava precisamente do contrabando de álcool, o qual nesse tempo era uma droga proibida. Com a legalização do álcool, deixou de haver mafia ligada a esse contrabando.)

Luís Lavoura

Ah ok Luís então estás a

André Escórcio ... on Quarta, 12/12/2007 - 16:02

Ah ok Luís então estás a apoiar o post, eu também falo em intervenção ao nível da sociedade e da educação.
Pensava que estavas a dizer que não concordavas.

Retrato de Luís Lavoura

nem isso

Luís Lavoura on Quarta, 12/12/2007 - 09:58

Nos casos vertentes, em que tivemos um assassinato - obviamente bem planeado - com rajadas de metralhadora, e outro assassinato - obviamente ainda melhor planeado - com uma bomba num automóvel, não se põe a questão de saber como se formam os assassinos. Trata-se claramente de assassinos profissionais, pessoas que estiveram a aprender e a treinar-se para praticar estes crimes, e que embolsaram (muito) dinheiro por os cometer. São profissionais como quaisquer outros.

Nestes casos de assassinatos profissionais, o que é preciso investigar é quem pagou por estes crimes e qual a fonte do dinheiro para os pagar. Ou seja, deve haver uma atividade, provavelmente ilícita, e possivelmente a precisar de ser liberalizada, que dá muito dinheiro a certa gente e que se torna a motivação para que essa gente pague (muito) dinheiro a assassinos profissionais para que estes matem os adversários.

Ou seja, penso que este post falha completamente o alvo, no que a estes crimes específicos diz respeito.

Por exemplo, fala-se em "tráfico de seres humanos". Convem então perguntar, se não conviria legalizar os bordeis e se não conviria liberalizar a imigração, por forma a que as brasileiras pudessem vir para cá prostituir-se à vontade e às claras em negócios legais, em vez de termos "empresários da noite" mais ou menos ilegais.

Luís Lavoura

policias de presença

Hugo Garcia on Quarta, 12/12/2007 - 09:53

Resolver os problemas de crime organizado com policias de presença não faz qualquer sentido.

Mas claro que quando um primeiro ministro diz que se contrataram mais mil ou dez mil polícias, consegue-se mais aceitação perante o público.

As formas de se combater o crime organizado em questão passa por vários pontos:
liberalização das drogas
liberalização da prostituição
melhores polícias de investigação (não estou a criticar as nossas polícias mas a falta de equipamentos e processos de investigação)
estudo e análise de determinados grupos sociais que possam estar relacionados com tráficos de pessoas (claques, grupos de extrema direita).

e repetindo a ideia do André, são necessárias intervenções preventivas a nível social e de educação.

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