Retrato de João Cardiga

Hoje vi o debate entre António Costa e Santana Lopes. Tenho de admitir que gostei e foi um dos melhores que vi nos ultimos tempos, pelo menos para mim.

Grande parte do tempo foi a discutir números, alguns deles "pornográficos", nomeadamente o crescimento da divida a fornecedores e passivo. Ficou claro como era gerido a Camarã e possivelmente é um tipo de gestão que também existe na Administração Central: se não se tem dinheiro então que sejam os fornecedores a pagar porque a "politica" não pode parar.

É uma gestão irresponsável e que faz com que mais dia menos dia pare mesmo tudo.

Após os números, vieram vários pontos a serem discutidos, mas o momento "alto" e diferenciador das candidaturas veio no fim: o trânsito.

Neste caso tive pena que António Costa não fosse mais longe nas suas propostas, mas pelo menos o seu guideline parece-me o mais correcto. Uma perspectiva de incrementar o custo de quem entra na cidade. Quanto a Santana Lopes, bem, julgo é suficiente a afirmação que teve sobre pessoas que não têm posses e que por isso têm de andar de carro!

Um pequeno àparte, mas que não poderia deixar de referir: Paula Teixeira da Cruz. Para mim é muito estranho, e muito dificil de explicar a escolha do PSD à presidência da Camarã. Além da responsabilidade que Santana tem, a verdade é que pelo trabalho que teve nestes ultimos anos em prol da cidade era de todo natural (e mesmo um reconhecimento do mérito do seu trabalho) ser ela a candidata do PSD.

P.S. Uma coisa deixou-me a pulga atrás da orelha: sendo a Liscont um trunfo enorme que Santana tinha, porque motivo é que ele não o trouxe para o debate?

Retrato de João Cardiga

Não sabia dessa ultima situação!

João Cardiga on Quinta, 30/07/2009 - 21:04

Bem fico sem palavras para comentar... É algo porque nenhum pai ou mãe deve passar!

Meus caros, a Paula Teixeira

Artur (não verificado) on Quinta, 30/07/2009 - 16:02

Meus caros, a Paula Teixeira da Cruz não porque ainda não consegui ultrapassar a grave dor de perder um filho com 21 anos à sua frente! Bastou vê-la no outro dia num debate para perceber que não é fácil.
Mas que seria uma muito melhor escolha para Lisboa, isso não tenho duvidas.

Paula Teixeira da Cruz não

Leonardo (não verificado) on Quinta, 30/07/2009 - 11:56

Paula Teixeira da Cruz não foi escolhida porque no PSD (e nos restantes partidos), as estruturas locais não têm a liberdade de escolher os seus candidatos, estes são impostos pelas cúpulas nacionais: Os "Barões" impõem a sua vontade, e em nenhum partido temos verdadeiramente uma cultura democrática, ou mesmo de mérito - temos oligarquias

Paula Teixeira da Cruz não

Leonardo (não verificado) on Quinta, 30/07/2009 - 11:55

Paula Teixeira da Cruz não foi escolhida porque no PSD (e nos restantes partidos), as estruturas locais não têm a liberdade de escolher os seus candidatos, estes são impostos pelas cúpulas nacionais: Os "Barões" impõem a sua vontade, e em nenhum partido temos verdadeiramente uma cultura democrática, ou mesmo de mérito - temos oligarquias

com a nova lei que permite a

Luis Menezes on Quarta, 29/07/2009 - 23:29

com a nova lei que permite a condução dos motociclos até 125cc por quem tem a carta de ligeiros poderemos assistir, espero eu, a muita gente a trocar o carro pela mais felxível e menos poluente 125 (scooter, motorizada, etc)

E já agora a scooter! Eu

Artur (não verificado) on Quarta, 29/07/2009 - 15:24

E já agora a scooter! Eu como pessoalmente tenho uma que utilizo muitas vezes quando tenho de ir a Lisboa, tal como em quase todas as cidades europeias, gostaria de universalisar ainda mais a sua utilização.
Mas temos que lutar contra um defeito muito nosso - o Provincianismo - que nos leva ao Comportamento Humano, que no fundo é para o compreender e dar resposta que existem a Politica e as Politicas!

Retrato de Miguel Duarte

Carros e Bicicletas

Miguel Duarte on Quarta, 29/07/2009 - 10:28

Quanto aos carros, simplesmente façam cumprir 3 princípios:

- Poluidor pagador - E isto é a nível nacional (não tem a ver com a CML), quem usa automóvel deveria pagar integralmente a neutralização dos poluentes que a construção do mesmo e as respectivas emissões causam;

- Utilizador pagador - Utilizar ruas e estacionamento tem um valor, já para não falar custos a nível de manutenção. Obviamente quem é utilizador destas estradas e estacionamento tem que pagar pela sua utilização e manutenção. Não é justo imputar estes custos exclusivamente aos lisboetas.

- Qualidade de vida dos habitantes - O automóvel tem que ser afastado das áreas de lazer e habitação. Ninguém vai passear para ruas poluídas e cheias de trânsito e quer viver com um tubo de escape e ruído a entrar-lhe pela janela.

Quanto à bicicleta:

Desde que me mudei para Lisboa que tenho vindo progressivamente a usar mais a dita. Lisboa é uma cidade ciclável em vários percursos ao contrário do que muitos dizem (e agora falo por experiência própria).

É evidente que era útil ter algumas vias cicláveis para me sentir mais seguro (ou passeios mais largos!), e alterar os horários do metro para facilitar o transporte das bicicletas no mesmo a todas as horas. Mas, no geral, tenho conseguido andar perfeitamente de bicicleta em Lisboa para pequenos percursos (ex: ir a Belém, ir à zona das Avenidas Novas, ir a Telheiras).

E o mais interessante, é que existem zonas de Lisboa extremamente agradáveis. Dá-me muito prazer atravessar a Rua Augusta e Rossio de bicicleta ou andar junto ao rio (percurso que agora com a nova via ciclável ficou excelente).

O que eu posso testemunhar

Artur (não verificado) on Quarta, 29/07/2009 - 09:57

O que eu posso testemunhar enquanto estive a morar em Lisboa e depois da minha mudança para Cascais trabalhando em Lisboa é que o nivel de organização dos sistemas de transporte publico é bastante deficiente e perde-se tempo mais e perde-se flexibilidade. O problema é sempre a Gestão.
O principio do Utilizador-Pagador é sempre aquele que garante maior eficácia, colocando em cada individuo a capacidade de decidir qual a melhor solução para ele proprio.
O pagamento de taxas para entrada e saida das cidades deverão ser instrumentos da gestão de pormenor - as zonas de maior dificuldade de escoamento de transito poderão ter taxas em determinadas horas.
Mas de facto o mais importante era termos uma Lei de Arrendamento que permitisse que fosse mais fácil viver em Lisboa e trabalhar em Lisboa e desertificar as zonas limitrofes das cidades cujo ordenamento do território é no minimo inadmissivel.

Retrato de Luís Lavoura

sim

Luís Lavoura on Quarta, 29/07/2009 - 10:31

Concordo totalmente com esta frase:

"O principio do Utilizador-Pagador é sempre aquele que garante maior eficácia, colocando em cada individuo a capacidade de decidir qual a melhor solução para ele proprio."

Se a cidade de Lisboa (refiro-me apenas ao centro da cidade) está cheia de carros, então, pelo princípio da Oferta e da Procura, deve ter que se pagar para entrar na cidade. As pessoas terão então a liberdade de adaptar o seu comportamento para evitarem entrar na cidade, se cosiderarem que o preço que pagam pela entrada é determinado caro para aquilo que lá têm a fazer.

O Hugo diz que dessa forma Lisboa perderá a sua atração - pois bem, eu concordo com ele. E qual é o mal disso? Naturalmente que há muitos negócios que hoje em dia estão situados em Lisboa mas cujo valor acrescentado não justifica que cá estejam. Esses negócios não poderão suportar a taxa de entrada em Lisboa e, portanto, deslocalizar-se-ão para a periferia. Farão eles muito bem! Lisboa ficará então mais desanuviada, e a periferia mais sobrecarregada. Haverá portanto maior equilíbrio. Mas não é precisamente esse mesmo o fim geral de todo o mercado? É.

Luís Lavoura

Entrar em Lisboa é

Luis Menezes on Terça, 28/07/2009 - 23:08

Entrar em Lisboa é diferente de usar as estradas (eixo norte-sul, etc) que passam por Lisboa para, por exemplo, se deslocarem para Sintra, Loures ou outras zonas ao redor de Lisboa. O que acontece agora é que pagas portagens nas pontes quer tenciones ir para a Baixa ou para a Amadora. Passa por melhorar a cobertura dos transportes para essas zonas limítrofes (o que só de si é um projecto gigantesco). Concordo pagar para se circular/estacionar em Lisboa cidade, determinando zonas (como em Londres e outras cidades europeias).

Por outro lado, o problema também tem a ver com a desertificação de Lisboa. Havendo mais pessoas a morar no centro de Lisboa (e havendo condições para todas as classes sociais aspirarem a isso e não só as média-alta e a alta) resolves muitos problemas de trânsito (e certamente não vai ser com 50 milhões de euros em ciclovias em locais como Monsanto/Benfica). Percebo que o António Costa goste de andar de bicicleta mas não vejo para que vai servir aquela ciclovia especificamente quando poderia mais facilmente (e talvez gastando menos dinheiro) fazer alguns km da mesma dentro do centro da cidade.

Retrato de João Cardiga

Tentar explicar por dois angulos...

João Cardiga on Terça, 28/07/2009 - 22:38

Bem vou tentar defender por dois angulos:

"Agora os de fora é que têm de pagar por todas as incompetências feitas em Lisboa?"

1 - Não. Mas devem pagar pelos custos adicionais que incutem na cidade de Lisboa. A verdade é que o trânsito significa mais custos para a cidade, custos esses que são suportados pelos lisboetas, mas cujo usofruto é dos lisboetas e das pessoas que não moram em Lisboa.

2 - Uma cidade deve preferencialmente, e aqui é minha opinião pessoal, priveligiar os transportes publicos por um motivo de uma maior mobilidade interna. Dado que a maioria do trânsito é externo à cidade (não é dentro da cidade), para reduzires o trânsito tens de focar nesse tipo de trânsito.

"Isto porque as pessoas que vêm a Lisboa têm muito maior necessidade de usar o carro do que aqueles que lá vivem."

Não vejo porquê? Na região limitrofe existem várias alternativas de transportes, porque é que existe necessidade de eles entrarem?

os de fora que paguem

Hugo Ferreira Garcia (não verificado) on Terça, 28/07/2009 - 22:21

Eu fico sempre mal impressionado quando os candidatos a Lisboa vêm dizer: Vamos resolver os nossos problemas pondo mais custos aos que vêm de fora.

Agora os de fora é que têm de pagar por todas as incompetências feitas em Lisboa?

Podiam pensar em criar melhores transportes públicos, ou taxar toda a gente por igual. Isto porque as pessoas que vêm a Lisboa têm muito maior necessidade de usar o carro do que aqueles que lá vivem.

MAs à medida que Lisboa vai deixando de ser Lisboa Menina e Moça para se tornar velha feia e abandonada eu vou vendo alguma justiça espontânea.

É que esse tipo de medidas umbigo-centricas só serve para retirar ainda mais interesse a Lisboa.

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