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Bloggers Unite - Blog Action Day

(este post insere-se na iniciativa Blog Action Day pelo Ambiente)

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Já que conhecemos os riscos do atual modelo de desenvolvimento, temos recursos e tecnologia e sabemos o que deve ser feito para alcançar a justiça social e cuidar do planeta, a opção pelo desenvolvimento sustentável depende apenas da vontade política dos governos e da sociedade. Ou seja, trata-se de uma escolha ética.
Manifesto pelo Desenvolvimento Sustentável / 2006 do Instituto Ethos

Parecem modelos perfeitos, mas são verdadeiros fracassos de vendas. Os consumidores europeus continuam a optar por versões mais potentes e não estão dispostos a pagar mais para terem meios de transporte energicamente eficientes.
Diário Económico

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Muitas vezes são as empresas criticadas por não desenvolverem produtos ecológicos ou por seguirem lógicas produtivas socialmente nefastas. No entanto, se realmente defendermos a liberdade e a responsabilidade deveremos, para além de inquirir as empresas, confrontar os consumidores com os seus actos e as suas opções. Não é justo nem benéfico utilizar as empresas como saco de boxe da má consciência global e por outro lado tratar os consumidores como se fossem crianças.

Os clientes, os consumidores, são a chave para alguns dos dilemas que se colocam no que respeita à exequibilidade da ética empresarial. Proliferam os rankings de empresas que são boas empregadoras, desenhados por instituições ou órgãos de comunicação; há também já múltiplos fundos éticos e até índices como o FTSE4Good, destinado a facilitar o investimento socialmente responsável e a aposta em empresas guiadas por uma gestão transparente. A ética do consumidor é a melhor contrapartida que pode haver para uma ética da empresa. À responsabilidade da empresa deve corresponder a responsabilidade do consumidor, que se deve preocupar em adoptar um consumo consciente e crítico face a políticas de contratação, higiene, segurança, transparência, honestidade no seio das empresas que produzem os bens ou fornecem os serviços que vai adquirir. De facto, muita da crítica ao capitalismo é uma crítica à democracia na medida em que é uma crítica à capacidade de escolha de cada indivíduo. A maturidade em todas as escolhas que efectuamos é decisiva para formatar os Estados em que vivemos, as sociedades em que nos movemos e os mercados que nos abastecem. Isto corresponde precisamente à prossecução do projecto iluminista numa época pós-convencional de, como Kant afirmou, sermos capazes de nos guiarmos por nós próprios, assumirmos o peso de sair da menoridade confortável a que o consumo automático nos restringe.

A ética do consumo não faz parte da ética empresarial – mas é a consequência lógica da mesma, uma exigência de justiça; movendo-nos no plano da ética e não do direito, a coação não pode ser jurídica. No entanto, a coacção moral num sujeito colectivo como é a empresa só pode dar-se através de algo tangível. O consumerismo (ético e ecológico) é a recompensa prática da empresa ética e a punição da empresa que se furta a ser responsável.

esclarecido. é uma

André Escórcio ... on Segunda, 15/10/2007 - 18:45

esclarecido. é uma questão de perspectivas.

Igor, o meu comentário não

André Escórcio ... on Segunda, 15/10/2007 - 17:20

Igor, o meu comentário não era um ataque. Apenas uma correcção técnica de alguém que estuda comportamento organizacional.
O termo correcto para o que referes no teu texto é responsabilidade social.

Deixo-te um link que explica muito bem e de forma muito sintética o termo:
http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/Gestao/ResponsabilidadeSocial/

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LOL nem eu entendi isso como

Igor Caldeira on Segunda, 15/10/2007 - 17:42

LOL nem eu entendi isso como um ataque :-P
A verdade é que é um tema que me interessa porque a minha tese de mestrado é justamente sobre ética empresarial. Grande parte da ética empresarial é de facto responsabilidade social, mas são dois conceitos que não se sobrepõem completamente; o que eu afirmo é que a ética empresarial exclui a filantropia (aqueles donativos que as empresas adoram dar às IPSS e às ONG e que estão completamente desligados dos objectivos da empresa) e inclui a ponderação de um bom sistema de governo de sociedades (corporate governance; não estou a dizer que o governo das sociedades faz parte da ética empresarial, atenção, estou a dizer que uma empresa ética tem de respeitar, para além dos outros stakeholders, os shareholders - os accionistas serão talvez dos stakeholders mais desrespeitados, a par dos trabalhadores, nas empresas actuais).

Assim, as questões ambientais de facto podem cair parcial ou até totalmente dentro da responsabilidade social, mas quando eu substituo a RSE pela ética empresarial tenho como objectivo deixar claro que não defendo que os consumidores escolham as empresas pelos projectos de solidariedade social ou de promoção do ambiente, mas pelo ethos que a empresa tem: ou seja, na sua actividade operacional, como se comporta ela. Se quiseres, a RSE está para a ética empresarial como os ganhos estão, em contabilidade, para os réditos: ambos são rendimentos, mas os primeiros não têm nada que ver com a actividade normal da empresa, pelo que se olharmos demasiado para eles perdemos a perspectiva de como a empresa realmente funciona.

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Conceitos

Igor Caldeira on Segunda, 15/10/2007 - 12:34

A responsabilidade social é um conceito que, ou se limita a filantropia e pouco mais, ou se desvirtua. A ética remete para algo amplo, para um todo coerente (um ethos, um carácter). A responsabilidade é um elemento de um carácter.
Não há nenhuma resposta estabelecida, mas esta é a que me parece fazer mais sentido. Alguns autores pretendem, para superar a limitação que a expressão "social" representa, substituir a responsabilidade social por "responsabilidade empresarial"; parece-me uma redundância, dado que o conceito de ética empresarial já reúne o conjunto das responsabilidades empresariais (à excepção da filantropia, mas eu não considero a filantropia uma responsabilidade da empresa, ou pelo menos não do ponto de vista ético, sendo até perigosa).
Quanto à ética do consumo, ela não é de forma nenhuma absorvida pela responsabilidade ambiental. Não só os consumidores devem ser ambientalmente responsáveis, como também as empresas, os Estados, etc.. Por outro lado, o consumo ético excede as fronteiras da responsabilidade ambiental. Por exemplo, pode incluir elementos políticos (por exemplo, não comprar produtos de empresas que apoiem ditaduras) ou socio-económicos (privilegiar a compra de produtos de empresas que tenham políticas de não-discriminação ou que tenham políticas laborais justas e equitativas com leques salariais controlados) ou até elementos relativos à gestão da empresa (privilegiar empresas que tenham sólidos sistemas de corporate governance).

Vou dar um exemplo; eu nunca abriria uma conta no BCP por dois motivos: influência da Opus Dei; Jardim Gonçalves usa-o como quinta privativa (pelos vistos, chega ao ponto de perdoar 12,5 milhões de euros ao filhote, prejudicando por isso os accionistas do banco). Não há aqui preocupações ambientais, mas trata-se de uma opção de não-consumo eticamente fundada.

Eu só substituía ética da

André Escórcio ... on Segunda, 15/10/2007 - 12:16

Eu só substituía ética da empresa por responsabilidade social, esse é o termo mais correcto.
E mesmo ética do consumidor também se deveria chamar responsabilidade ambiental.

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