Recentemente o "The Economist" afirmou o seguinte (tradução de Pedro Norton):
"A desigualdade não é inerentemente errada. Desde que se verifiquem três condições: primeiro, a sociedade como um todo está a ficar mais rica; segundo, existe uma rede de segurança para os mais pobres; e terceiro, qualquer pessoa, independentemente da sua classe, raça, credo ou sexo, tem a a oportunidade de subir no sistema".
Eu subscrevo completamente, a afirmação acima faz todo o sentido do ponto de vista Liberal Social. Mas o que diria um dos vários ditos "liberais", com pendor radical, que andam por aí na blogosfera?
Eu diria que acusariam a afirmação acima de ser social-democrata e diriam simplesmente:
"A desigualdade não tem nada de errado. O Estado não tem nada que se preocupar com essas coisas."
Obviamente, corrijam-me se eu estiver errado. ;)














O abismo
Rosecler (não verificado) on Quarta, 26/07/2006 - 11:56O abismo que separa as classes sociais está cada vez mais profundo, as lutas tornaram-se desumanas. Enquanto o liberalismo clássico; da época da burguesia nascente, propôs os direitos do homem e do cidadão,o neoliberalismo enfatiza mais os direitos do consumidor do que as liberdades públicas e democráticas e contesta a participação do Estado no amparo aos direitos sociais.
Comentário
Migas on Segunda, 17/07/2006 - 21:58Caro Miguel,
A desigualdade é um sintoma de outras causas. No seguimento deste teu post escrevi isto.
Cumprimentos.
MIGUEL DUARTE
João Pedro Moura (não verificado) on Quarta, 12/07/2006 - 09:11MIGUEL DUARTE disse:
"No fundo, os problemas em França são precisamente isso, uma geração de filhos de imigrantes que vê as suas justas ambições cortadas pela sociedade onde vivem."
Isto nem parece teu! Mais parece dum socialista ou comunista, enfim, dum iliberal!
"Uma geração de filhos de imigrantes" árabes e negros, e não imigrantes em geral!
Não são os filhos de imigrantes portugueses ou espanhóis ou italianos ou eslavos!
São árabes e negros!...
Que são uns falhados nas escolas, que não querem trabalhar ou não querem dedicar-se a trabalhos persistentes e zelosos, que querem viver de subsídios, subsídios estes que já não chegam para o tipo de vida que querem ter, cada vez mais desfasado do resto dos habitantes!
Gente cujas mães têm 4, 5, 6 e mais filhos, mães domésticas e, portanto, pobres, que vivem de abonos de família, que vai dando para um sustento mínimo, mas cujos filhos querem ter mais dinheiro para as suas despesas!...
Gente que se dedica a tráficos de droga e furtos! Metade a 60% dos presos nas cadeias francesas são de religião muçulmana, quando os muçulmanos só são (ainda...) cerca de 5% a 10% dos franceses!
É esta escumalha depredadora que incendiou 10 000 carros em França, em Novembro último!
É esta gentalha que incendiou milhares de carros, nos últimos 29 anos anteriores a Novembro último, situação esta relativamente silenciada para não espicaçar animosidades...
Até quando os franceses irão tolerar esta cultura boçal, autêntico carcinoma que vai corroendo paulatinamente a França, carcomindo as finanças públicas?!
combate a desigualdade é diferente de combate à pobreza
Ricardo Francisco on Sexta, 07/07/2006 - 10:19Miguel,
O texto começa com "não há anda de inerentemente errado na desigualdade". Concordando com isto, uma consequência é o estado nãos e deve preocupar com a desigualdade.
O que divide é se perguntas:
1. Deve os estado garantir um conjunto mínimo de condições de vida?
2. Deve o estado garantir a equidade à partida, onde o maior exemplo é o acesso à educação?
Sabes quais são as minhas respostas e acredito que a vasta maioria, senão a totalidade dos liberais que andam pela blogosfera dirão sim às duas perguntas.
A desigualdade é um termo socializante, no sentido que dá uma cara moral positiva à igualdade. A típica análise de concentração de riqueza de Gini dá como país preferencial a Koreia do Norte por exemplo a um país como os EUA.
A maior preocupação deve ser: quantos estão abaixo do limiar da pobreza?
A pergunta que deveria ser feita é porque é que Partidos que "defendem os mais carenciados" nunca ligam a este indicador. Resposta: porque põe países classificados como capitalistas Liberais no topo da tabela.
Ricardo Francisco
A questão é que
Miguel Duarte on Sexta, 07/07/2006 - 11:14A questão é que relativamente à 1., a resposta de muitos dos que se dizem liberais vai ser negativa.
A posição do The Economist tem sido, e com a qual concordo, que a desigualdade é má se isso significar que mais pessoas vão ficar na miséria, é boa se todos ficarem melhor, sendo que uns ficam muito melhor que outros.
Se não se garantir um mínimo e se der esperança às pessoas de poderem subir na pirâmide, acabas a ter graves problemas sociais. No fundo, os problemas em França são precisamente isso, uma geração de filhos de imigrantes que vê as suas justas ambições cortadas pela sociedade onde vivem. Perguntas-me se o Estado se deve preocupar com isso? Eu considero que sim. Dandos-lhe educação, sem dúvida, criando oportunidades para que criem os seus negócios, provavelmente, outras soluções, não sei.
Miguel,
Ricardo Francisco on Sexta, 07/07/2006 - 11:49Miguel,
porque é que insistes na palavra "desigualdade"? Tu estás preocupado é com a pobreza e falta de condições em geral. A diferença é brutal. Eu de facto não me importo com a desigualdade e não entendo que o estado se tenha que preocupar com isso. A garantia de igualdade à partida, garantida por princíos liberais guarnecida de uma rede de protecção social elimina essas preocupações para quem não vê a igualdade à chegada como um objectivo per si.
Essa preocupação é terrível e tem justificado as maiores intromissões na vida das pessoas.
Desigualdade foi mesmo a
Miguel Duarte on Sexta, 07/07/2006 - 14:10Desigualdade foi mesmo a palavra utilizada pelo The Economist. Eu também não vejo a igualdade à chegada como um objectivo, espero que já tenhas percebido isso. ;)
Eu eliminaria a primeira
Luís Lavoura on Sexta, 07/07/2006 - 08:55Eu eliminaria a primeira condição "a sociedade como um todo está a ficar mais rica". A sociedade não tem nada que estar a ficar mais rica como um todo. A desigualdade pode existir independentemente disso, desde que as outras duas condições (igualdade de oportunidades - terceira condição - e rede de prevenção da miséria - segunda condição) sejam satisfeitas.
Se a desigualdade aumenta
Miguel Duarte on Sexta, 07/07/2006 - 08:59Ou seja, consideras justo um aumento da desigualdade, desde que haja igualdade de oportunidades e rede de prevenção de miséria? Mesmo que isso implique que passas a ter uma massa muito grande de pobres (provavelmente sustentados pelo Estado) e uns poucos muito ricos?
A premissa do The Economist é que não é errado que existam muito ricos (género Bill Gates), se os mais pobres passarem em média a ser menos pobres.
Eu não considero um aumento
Luís Lavoura on Sexta, 07/07/2006 - 10:36Eu não considero um aumento das desigualdades "justo" nem "injusto". Considero-o moralmente admissível, desde que seja o resultado de um contexto em que a todos estão garantidas oportunidades mínimas razoáveis de progredir na vida, e desde que o aumento da desigualdade não seja devido a o Estado estar a apoiar os mais ricos - como, infelizmente, frequentemente faz.
Naturalmente que o aumento da desigualdade torna-se economicamente insustentável se conduzir a uma situação em que haja um número sempre crescente de pessoas que, para não estarem na miséria, têm que receber assistência estatal. Por este motivo prático, um aumento contínuo da desigualdade é indesejável.
O que leva ao ponto em que
Miguel Duarte on Sexta, 07/07/2006 - 11:04O que leva ao ponto em que tens os miseráveis e os muito ricos, de onde inevitavelmente tens uma revolução em que todos ficamos a perder. Penso que a história já nos ensinou isso.
Sim, isso é uma questão
Luís Lavoura on Sexta, 07/07/2006 - 11:12Sim, isso é uma questão prática relevante. Uma questão prática, mas não uma questão moral.
Se tu tens uma sociedade em que a riqueza global não cresce, mas a desigualdade cresce continuamente, acabas por obter uma sociedade em que imensos cidadãos estão na miséria e/ou dependem do Estado para sobreviver. Tal situação torna-se rapidamente insustentável. Ou há uma revolução, ou o orçamento de Estado rebenta.
Dou-te portanto razão.
Deixar uma resposta