Retrato de Luís Lavoura

Uma coisa deveras impressionante na sociedade portuguesa é que, mesmo por entre as pessoas que não têm objeções de monta ao casamento de pessoas do mesmo sexo, há uma rejeição obstinada da possibilidade de adoção de crianças por esses casais. Um exemplo dessa rejeição pode ser visto aqui. Essa rejeição é tão feroz e tão generalizada que é mesmo utilizada pelos adversários do casamento entre pessoas do mesmo sexo como um dos seus principais argumentos. O raciocínio é sempre: se pessoas do mesmo sexo forem autorizadas a casar-se é óbvio que esses casais acabarão por vir a ser autorizados a adotar crianças - e acaba-se o raciocínio aqui, pois presume-se que para qualquer leitor é claro e evidente, e não necessita de demonstração, que a adoção por casais do mesmo sexo é um mal horroroso, indescritível.

É necessário combater este obstinado preconceito. A adoção por pares de pessoas do mesmo sexo é permitida e praticada em muitos países, incluindo muitos países onde esses pares de pessoas não são autorizadas a casar-se. Não há qualquer indicação de que seja preferível uma criança viver numa instituição de acolhimento a viver com pais adotivos do mesmo sexo. Aliás, os estudos existentes indicam até que não há diferenças substanciais entre crianças adotadas por pais do mesmo sexo ou de sexos diferentes. As ideias obstinadas e generalizadas entre muitos portugueses contra a adoção por pares de pessoas do mesmo sexo são, pura e simplesmente, destituídas de fundamento.

Retrato de João Cardiga

Uma escolha dificil

João Cardiga on Sexta, 18/12/2009 - 00:47

A triste ironia é que a partir de agora os casais de pessoas do mesmo sexo terão de fazer uma terrivel escolha:

- Ou se casam e por isso não poderão adoptar uma criança;

- Ou não se casam e mantêm a possibilidade de adopção em aberto.

Julgo que esta é o tipo de duvida que uma sociedade nunca deveria impor num individuo ou conjunto de individuos!

Acho que se deveria avançar

antibalas (não verificado) on Quinta, 17/12/2009 - 21:19

Acho que se deveria avançar gradualmente: numa primeira fase a adoção de crianças deveria estar limitada aos casais femininos, apenas.

"Um exemplo dessa rejeição

Luis dos Santos (não verificado) on Quinta, 17/12/2009 - 19:37

"Um exemplo dessa rejeição pode ser visto aqui."

De facto o exemplo dado até é bastante ponderado e argumentado, mas segundo a lógica de pensamento dada ainda hoje os africanos andariam no fundo dos autocarros nos EUA: se vamos estar à espera q a maioria da sociedade aceite os homossexuais de uma forma melhor q a de hoje em dia, nunca irá haver direitos de espécie alguma para estes. O resto da sociedade só se irá adaptar aos homossexuais no papel de pais quando começar a conviver em estado de igualdade com estes e perceber q ter 2 pais ou 2 mães é na prática igual a ter 1 pai e/ou 1 mãe. Se prova for necessária, ela existe: o q não falta ai são pais e mães homossexuais.

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