Retrato de Luís Lavoura

De acordo com o Ministério Público - o tribunal provavelmente será mais brando - dois anos e meio de prisão é o preço de duas vidas humanas, mais uma vida arruinada por incapacidade permanente, em Portugal.

Foi essa a pena que o Ministério Público pediu para a condutora que, a 120 quilómetros por hora, atropelou três mulheres, matando duas delas e estropiando irremediavelmente a outra, no Terreiro do Paço há dois anos.

É um preço incrivelmente baixo. A vida humana, em Portugal, é quase de borla. Pode-se matar quase impunemente, desde que se utilize a arma apropriada - o automóvel.

A defesa da condutora baseou toda a sua defesa (de acordo com a RTP) na tese de que foi um "acidente" (a própria palavra é reveladora) que poderia acontecer a qualquer um. Poderia acontecer, por exemplo, ao senhor juiz, atropelar mortalmente três pessoas à saída do tribunal. Tratar-se-ia de um mero azar, um acidente. Convem portanto, senhor juiz, ser misericordioso - isto também lhe pode acontecer a si. Os atropelaentos mortais são danos colaterais da utilização do automóvel. Não há culpa, foi tudo sem querer. E pode acontecer a qualquer um.

A vida humana não tem preço. É de borla.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Portugal tem uma péssima

Filipe Melo Sousa on Sábado, 10/04/2010 - 22:25

Portugal tem uma péssima tradição de indemnizar mal pessoas vítimas de acidentes ou crimes. Lembro-me do caso do hospital de santa maria, em que uma das pessoas que perdeu uma vista recebeu uns meros 30.000 euros. Confesso que não consigo perceber o que leva os juízes a ter tão pouco respeito pela vida humana.

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