E agora este texto foi aprovado. É sem dúvida um pequeno grande passo, mas é ainda o encerrar de um capitulo de uma história que terá muitos outras. Como é obvio o seu artigo terceiro:
"Artigo 3.º Adopção
1 - As alterações introduzidas pela presente lei não implicam a admissibilidade legal da adopção, em qualquer das suas modalidades, por pessoas casadas com cônjuge do mesmo sexo.
2 - Nenhuma disposição legal em matéria de adopção pode ser interpretada em sentido contrário ao disposto no número anterior."
levantará dúvidas, prementes, sobre a constitucionalidade do mesmo. Certamente o nosso presidente encaminhará o mesmo para o Tribunal Constitucional que o poderá chumbar. Pessoalmente nem sei o que dizer sobre o texto, pois se é verdade que estas alterações não implicam a admissibilidade legal, também não é menos verdade que em nenhum lado na nossa legislação tal é proibido. Se tivessemos num ambiente anglo-saxonico este texto não teria nenhum efeito prático, mas como não é o caso na pratica pode-se traduzir numa proibição o que na minha opinião de leigo deveria fazer com que chumbasse e tivesse de retornar à Assembleia. Nesse cenário, e se vivessemos num país normal, o mais correcto seria o de limpar o decreto da sua inconstitucionalidade e voltar a aprová-lo. O que por seu lado me leva a crer que o mesmo não será encaminhado para o Tribunal Constitucional pelo nosso presidente.
E agora será uma noite de celebração. Honestamente nem consigo imaginar o que é passar uma vida inteira a lutar por um direito e vê-lo finalmente consagrado. Principalmente quando essa luta poderá ter implicado tantos sacrifícios pessoais. A todas essas pessoas que lutaram apenas posso deixar o meu enorme OBRIGADO e um sentido PARABÉNS por terem tornado Portugal uma sociedade melhor.
E agora é também altura de reflexão. Ao contrário do que tem sido dito eu julgo que a discussão dos temas fracturantes são muito utéis para a sociedade. Esses, mais que quaisquer outros, permitem conhecermo-nos melhores enquanto individuos e enquanto sociedade. E muito foi dito nestes ultimos tempos sobre este tema.
Julgo que uma das coisas que se tornou mais visível com esta discussão é que a grande clivagem que existe em Portugal não é entre esquerda e direita, mas sim entre conservadores e liberais. E também ficou visível que ambas se encontram em estágios diferentes de organização. Enquanto os conservadores estão bem organizados e mais concentrados, os liberais ainda estão muito dispersos e muito pouco organizados.
E agora é altura de os liberais começarem a definir qual é a sua grande prioridade para o futuro: as suas visões pessoais ou a construção de uma sociedade mais liberal?
Se for o primeiro, então continuaremos dispersos e com pouca força, e só teremos motivos para celebrar de 20 em 20 anos. Pior, os próximos tempos não serão nada fáceis para os liberais, pois desde que Ratzinger começou a ganhar poder que uma vez mais a máquina organizativa da Igreja começou a funcionar. Esta petição foi apenas uma pequena amostra do seu potencial.
Se for o segundo, tal implicará sacrificios pessoais para encontrar uma base comum a um grupo tão heterogéneo. Não será o caminho mais fácil, mas será certamente o caminho que valerá a pena ser "caminhado"...














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