First birth certificate to cut out 'father': We're making history, say lesbians...
ADENDA: A lei que permitiu esta situação é esta, para quem tiver interessado
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ADENDA: A lei que permitiu esta situação é esta, para quem tiver interessado
Tenho de confessar que não
João Cardiga on Quinta, 22/04/2010 - 17:26Tenho de confessar que não sabendo mais pormenores neste caso, mas algures na lei cujo link coloquei no artigo diz que a criança tem o direito a saber que é o pai biológico a partir dos 18 anos. Não sei se estas empresas são obrigadas a manter registo ou não mas eu julgo importante que o fossem.
Uma questão importante na actualidade é a questão do ADN e da hereditariedade. E como este é um campo em constante expansão julgo que seria importante manter um link que no futuro tivessem informações que poderão ser importantes para a criança. Para mim é natural que se possa manter confidencialidade mas o link deve ser mantido para essas situações...
Independentemente disso julgo espectacular que possam ambos serem parentes algo que em Portugal é impossível por enquanto.
P.S. já agora acho que o dador não tem quaisquer direitos ou responsabilidades.
direitos ou responsabilidades
Luís Lavoura on Sexta, 23/04/2010 - 08:56O dador de esperma não aceitaria doá-lo se soubesse que viria a ter responsabilidades com a criança. A mulher recetora do esperma não o aceitaria se soubesse que o dador poderia vir a pedir direitos sobre a criança. Portnto, não duvido de que não haja direitos nem responsabilidades.
Mesmo assim, considero melindroso que a criança possa um dia vir a saber, quando já adulta, quem foi o dador do esperma. Acho que essa possibilidade não deveria estar prevista na lei como sendo obrigatória, sob pena de afastar alguns dadores. O dador de esperma pode não querer que lhe apareça um dia, passados vinte anos, um jovem à frente a dizer "olá papá, sou o seu filho, gostava tanto de o conhecer".
Em suma, eu acho que este é e deve ser um negócio privado. Deve haver um mínimo de leis a restringi-lo. Sob pena de se estar a limitar uma colaboração que se pretende frutuosa.
Infelizmente, a lei portuguesa da reprodução medicamente assistida é uma calamidade de conservadorismo.
direitos conflituantes
João Cardiga on Sexta, 23/04/2010 - 17:20"Mesmo assim, considero melindroso que a criança possa um dia vir a saber, quando já adulta, quem foi o dador do esperma."
Melindroso para mim é num futuro essa criança precisar de histórico genético e não ter a possibilidade de o saber.
"O dador de esperma pode não querer que lhe apareça um dia, passados vinte anos, um jovem à frente a dizer "olá papá, sou o seu filho, gostava tanto de o conhecer". "
Antes demais pode existir barreiras para o exercicio desse direito (o que quero salvaguardar é o direito conexo à saude). Mas no máximo o dador diz-lhe que está enganada que ele foi um mero dador e fecha a porta. Esse jovem no máximo apanha um balde de agua fria...
"Infelizmente, a lei portuguesa da reprodução medicamente assistida é uma calamidade de conservadorismo."
LOL, muito bem dito!
co-adoção
Luís Lavoura on Quinta, 22/04/2010 - 08:35Eu acho que se chama a isto "co-adoção", isto é, o filho biológico de um homossexual ser adoptado pelo parceiro desse homossexual, de tal forma que ambos passam a partilhar o poder parental. A co-adoção é, evidentemente, defendida pelos liberais, em particular, por exemplo, o partido francês Alternative Libérale.
Uma boa medida?
Miguel Duarte on Quinta, 22/04/2010 - 08:16Será que esta lei é mesmo o melhor para a criança?
resposta
Luís Lavoura on Quinta, 22/04/2010 - 08:28Pode ser o melhor para a criança ou não ser, dependendo de se as duas mulheres vão continuar juntas e a entender-se bem ou não. Mas isso é exatamente o mesmo que se a criança fosse filha de um casal normal.
Isto nada tem de especial. Suponhamos um casal em que o homem é infértil. A mulher recorre (com o beneplácito do marido) a um dador de esperma anónimo. O filho resultante é adoptado pelo marido da mulher como se fôra biologicamente seu. Neste caso temos exatamente o mesmo procedimento, com a única diferença de que o "marido" da mãe biológica é uma mulher.
Temos três pessoas livres (o dador de esperma - que aceita prescindir da sua parentalidade biológica -, a mãe biológica, e a sua parceira) a optar livremente por um arranjo entre os três. O Estado nada deve ter a opôr.
Quanto à criança, não sabemos se a coisa será boa para ela ou não - isso depende de como a situação evoluir no futuro. Mas isso também é verdade para uma criança filha de um casal normal.
A questão não é essa
Miguel Duarte on Quinta, 22/04/2010 - 10:48Se eu fosse uma dessas crianças eu quereria saber, algures na minha vida, quem é o meu pai biológico, pois é evidente que biológicamente não seria filho de duas mães.
Compreendo a tua questão
André Escórcio ... on Quinta, 22/04/2010 - 16:20Compreendo a tua questão Miguel, não é de facto um tema com uma resposta fácil.
De qualquer forma repara que neste caso a criança foi concebida com recurso a uma mera doação de esperma, aliás aqui eu até questiono se existe realmente um pai. Parece-me que já vai sendo tempo distinguirmos entre pais e progenitores. Não se é pai ou mãe pela simples concepção da criança, é-se sim progenitor. Partindo do principio que as pessoas com quem a criança habita vão passar a ser os pais, não vejo qualquer inconveniente para a criança em ser adoptada por um dos pais.
e não terias resposta
Luís Lavoura on Quinta, 22/04/2010 - 11:41É normal que uma criança adoptada queira saber quem foram os seus pais biológicos, mas isso nem sempre é fisicamente possível. Aliás, nem sei se numa adoção legal, realizada atualmente, são preservados registos que permitam mais tarde às crianças descobrir quem foram os seus pais biológicos. Presumo que, de facto, não sejam preservados - seria altamente disruptivo para os pais adotivos verem um dia o seu filho fugir-lhes para ir ter com os pais biológicos.
Eu não vejo drama nenhum em que tal possibilidade não exista. Uma vez, nos EUA, conheci uma jovem americana de raça coreana. Ela disse-me que era filha biológica de uns coreanos muito pobres que, porque não a podiam sustentar, a tinham oferecido quando bebé para adoção por uma família americana. Nunca conhecera os seus pais biológicos nem teria possibilidade de alguma vez os vir a conhecer.
Eu sou a favor da doação anónima de esperma. Naturalmente que os filhos de tal doação jamais saberão quem foi o seu pai e... so what? Eu sou a favor da liberdade.
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