Quando se referem à obrigatoriedade, imposta pelo Estado, de as crianças terem aulas de educação sexual, alguns conservadores argumentam que tal obrigatoriedade violaria a "liberdade de educação" de que os pais deveriam dispôr em relação aos seus filhos.
Eu creio que há aqui um grave erro. A instrução não é uma liberdade de que os pais disponham. A instrução é um direito que as crianças têm. A instrução (sexual ou qualquer outra) deve ser discutida em termos de as crianças terem direito a ela, e não de os pais terem a liberdade de a ministrar.
(Note-se a importante diferença entre instrução - que significa a transmissão de conhecimentos e de saberes científicos acumulados - e educação - que envolve também a transmissão de valores, culturais, religiosos, comportamentais ou outros.)














Continuo sem entender
Anónimo (não verificado) on Domingo, 15/11/2009 - 00:41Passando à frente de continuar sem perceber onde está o liberalismo de uma posição que visa reforçar o carácter obrigatório de determinadas disciplinas em vez de aumentar o número de disciplinas de carácter facultativo (a tendência nos países de inclinação liberal como UK e USA), e que ainda por cima nega o direito dos pais de influenciar a educação dos seus filhos ao nível dos principios morais, atribuindo ao Estado este papel, gostaria de reiterar a ideia de que é virtualmente impossível dar aulas de educação sexual de forma neutra. E é impossível por vários motivos:
1 - Porque o simples facto de se falar de sexo ABERTAMENTE viola tradições culturais e religiosas de muitas gente. Em certas culturas o sexo só se fala entre membros do mesmo sexo ou entre casais já formados (e nalguns casos nem aí). Portanto ao falar-se de sexo em grupos mistos, na escola, entre jovens, está-se obviamente a impor uma concepção de sexo que é ocidental e secular e obrigando pessoas a abordar temas que na sua cultura pode eventualmente ser matéria do foro privado ou matéria que, simplesmente, se aborda noutros foros.
2 - A educação sexual não é o mesmo que biologia. Pode-se abordar temas relacionados com a sexualidade em aulas de biologia mas ao dedicar-se um ano lectivo inteiro à educação sexual é quase impossível manter o tema ao nível da pura abstracção (que mais não seja porque seria um aborrecimento, completament desadequado para jovens e porque não faria qualquer sentido dedicar uma disciplina inteira ao sexo se isso não tivesse um objectivo simultâneo de forma de mentalidades). Portanto, ao afastar-se da simples abstracção, o professor será obrigado a recorrer a exemplos. Ora, qualquer professor digno desse nome não ficará pela mera transmissão fria de factos pois o ensino da pedagogia desaconselha essa estratégia. O professor procurará envolver a aula no temário e a melhor forma de o fazer é gerando debate sobre temas que interessam aos alunos. Ao gerar debate, está, como disse no ponto anterior, a tornar um tema frequentemente tido como privado, público. Ainda que, no meu quadro moral, eu não veja qualquer problema nisso, estou perfeitamente consciente que para certas pessoas esse simples facto fere susceptibilidades.
3 - Decorre de 2 que quando se entra num debate e o debate tem um moderador, i.e., o professor, a idiossincrasia própria do professor afectará o rumo do debate, logo os conceitos que passam para o aluno. Um professor "conservador" acabará por deixar passar o seu ponto de vista da mesma forma como um professor "progressista" deixará passar os seus. Quando estamos a falar destes temas vale a pena começar por reconhecer que estamos a falar de professores que são pessoas e não entes frios e desapaixonados que só existem como idealização teórica.
Confesso que a vossa posição me lembra a posição dos franceses com o famoso caso da burka. Os Franceses, supremos defensores dos valores da revolução francesa que subjazem o secularismo ocidental, resolveram proibir a burka nas escolas públicas. Os argumentos são conhecidos e independentemente de se concordar com eles, nunca ninguém os pretendeu travestir de liberais. É um exemplo paradigmático de um Estado interventor e tutelar da moral pública. No País ao lado, UK, o uso da burka é legal e não passa pela cabeça de quase ninguém torná-la proibida. Porquê? Porque se reconhecem os direitos das minorias, porque se reconhece o direito dos Pais de transmitir os valores morais que bem entenderem independentemente dos valores morais dominantes no País, porque, em suma, é um Estado com tendências liberais.
Miguel Araújo
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 16/11/2009 - 10:39(1) Sem dúvida que se deve aumentar o número de disciplinas de caráter facultativo. Mas não se pode tornar certas coisas facultativas. A educação para a saúde, da qual a educação sexual faz parte, não pode ser facultativa. A saúde é uma coisa que diz respeito a todos e cada um de nós.
(2) O Miguel Araújo cai precisamente no erro que denunciei no post, que é colocar a liberdade dos pais acima dos direitos dos filhos. Os pais não têm liberdade perante os direitos dos filhos. A liberdade dos filhos optarem depende crucialmente da educação que lhes é fornecida. O Miguel pelos vistos considera que é mais importante respeitar a liberdade dos pais de educar os filhos como quiserem. Eu não concordo, eu acho que os filhos têm um direito à educação que ultrapassa e viola a liberdade dos pais.
Portanto, se o direito dos filhos à edducação sexual tiver que violar certas tradições culturais dos pais, pois tenho muita pena, mas terão que ser violadas. Para mim a liberdade (o que implica o conhecimento da existência de alternativas) é certamente mais importante do que a manutenção de tradições culturais.
De resto, insisto que, apesar de todas as dificuldades que o Miguel enuncia, se deve fazer um esforço, na educação para a saúde tal como noutros campos, de tornar a educação tão independente quanto possível de opções culturais e morais.
(3) A educação sexual jamais poderá constituir uma disciplina para um ano inteiro. Aliás, ela tem que ser dada de forma gradual, de acordo com as idades - não pode ser dada de uma injeção só. Tem que haver informação sexual de acordo com as idades, ao longo de todo o período escolar. E nunca pode ser uma disciplina independente - tem que estar integrada numa disciplina mais abrangente, como seja uma educação para a saúde.
Luís Lavoura
Não estou de acordo
Anónimo (não verificado) on Quarta, 11/11/2009 - 23:14Bom e como enquadrar as aulas de religião e moral que passaram de obrigatórias a facultativas, no meu tempo, e agora nem sei se ainda existem? Os conservadores teriam tendência a argumentar que era fonte de educação e os progressistas não quiseram prescindir de ter o direito de negar estas aulas aos seus filhos. Seguindo o raciocinio de LL os estudantes teriam direito a estas aulas. Parece-me que a linha de argumento de LL é apelativa mas não tão linear quanto se poderia pensar à primeira vista (e quanto indíciam os comentários que me parecem algo pobres) pois em matéria de valores morais (e a educação sexual pode ser interpretada como entrando em matéria de valores) os pais podem e devem ter uma palavra a dizer. Era só o que faltava que fosse o Estado a decidir que valores devem os filhos dos outros ter. Se isto é liberalismo tenho de ir espreitar noutro "corner"...
resposta
Luís Lavoura on Quinta, 12/11/2009 - 11:17A religião e a moral são educação, mas não são instrução. Não são coisas inúteis (pelo menos aos olhos de alguns) mas são coisas que, na medida em que não são verdades consensuais, é conveniente deixar à liberdade dos pais.
A educação sexual não é somente uma matéria de valores, longe disso. Um preservativo coloca-se sempre da mesma forma, quaisquer que sejam os teus valores morais ou religiosos. Tu deves saber que existe uma coisa chamada preservativo, qual é a sua utilidade e como é que se usa, mesmo que, em termos de valores morais, prefiras não usar.
O problema é que há algumas pessoas que acham que a melhor forma de assegurar a moralidade das crianças é impedir o seu conhecimento. Por exemplo, como não querem que os filhos usem preservativo, tentam que eles nem sequer tomem conhecimento de que tal coisa existe. Mas eu considero tal posição inaceitável, pois que limita a liberdade das crianças. A liberdade implica o conhecimento das alternativas.
Para ser muito explícito, eu acho que a educação sexual fornecida nas escolas deve ser, o mais possível, despida de quaisquer valores morais. Ou seja, deve-se informar as crianças de que se faz sexo, em que consiste, quais as suas possíveis consequências, que meios contracetivos existem, etc. Os valores morais (como o amor ou a sua ausência, a abstinência, etc) devem ser deixados para os pais fornecer.
O que considero totalmente inaceitável é que se atribua aos pais qualquer liberdade de não instruir os seus filhos. Eles não têm essa liberdade. A intrução é um direito das crianças e jovens. Porque sem intrução não há verdadeira liberdade. A liberdade implica a existência de alternativas e o conhecimento delas.
Luís Lavoura
Não creio ser necessário
Anónimo (não verificado) on Sexta, 13/11/2009 - 16:11Não creio ser necessário ter aulas de educação sexual para ensinar aos jovens que existem preservativos. Para isso basta por uns quantos "sketch" na televisão, uns panfletos nas escolas, etc. Estamos a falar de informação e não de instrução ou educação.
É virtualmente impossível ter um programa de aulas de educação sexual sem entrar em questões morais, que mais não seja porque há muitos pais que não consideram apropriado que estas matérias sejam "ensinadas" na escola e a menores de 18 anos. É, obviamente, uma questão moral e em certos casos pode ter uma origem religiosa. Mas se existe liberdade de credo, não deveria haver liberdade de atender a aulas que podem ferir esse credo?
Por outro o teu argumento parece-me um pouco assimétrico. é óbvio que em teoria as aulas de religião e moral podem ser de tipo factual, i.e., aquilo que tu chamas de instrução. Ensinar fundamentos básicos da nossa civilização, teologia comparada, etc. Tudo isto pode ser ensinado numa perspectiva não doutrinária e isso não impediu que os "progressistas" quisessem abdicar do direito de tornar esta disciplina facultativa. E porquê? Porque por muito que o programa de ensino fosse plural, é óbvio que o ângulo adoptado nas aulas seria sempre influenciado pelo "background" moral de quem ensina a matéria. O mesmo se passará com educação sexual. O "background" e inclinação sexual do docente influenciará sempre o tipo de aula que dá.
´
Com este razoado não quero deixar a ideia que sou contra estas aulas de educação sexual. Apenas que o argumento por vós aventado que estas devem ser obrigatórias tem pés de barro e parece ter raizes mais stalinistas que liberais.
Educação sexual vs religião e moral
João Cardiga on Sexta, 13/11/2009 - 18:48Eu julgo (e espero) que estas duas temáticas sejam completamente diferente. Falando quem já teve Religião e moral, essa disciplina era basicamente uma catequese em forma um pouco mais light. Aliás julgo que o próprio nome indicia logo que deverá ser optativa ao ligar a religião à moral.
Pessoalmente não vejo problema nenhum quanto ao ensino de religião num contexto de disciplina obrigatória e até acho se tivessemos recursos era positivo. Isto no pressuposto de o conteudo da disciplina ser educativo (ex: contexto histórico das várias religiões, teologia comparada, orgânicas religiosas, ateismo, etc) e não de doutrinação (isto é uma disciplina de teologia cristã). Julgo que acabaria por enriquecer o curriculum da pessoa - isto é criança. E neste caso deveria também ser obrigatória.
E a questão é mesmo esta, é que o conhecimento quanto maior melhor. Retirar isso de uma criança não é de todo um direito dos pais.
"É virtualmente impossível ter um programa de aulas de educação sexual sem entrar em questões morais..."
Não vejo porquê. Eu vejo três bases cientificas que podem perfeitamente servir de base a esta disciplina sem entrar em questões morais: biologia, medicina e psicologia. Nenhuma desta interfere com questões morais.
A não ser que te estejas a referir a outro tipo de questões morais, como aquelas que são defendidas por quem quer abolir a teoria da evolução dos curricula de biologia.
Eu vejo esta disciplina como vejo as outras todas e este tema que está a ser discutido agora em tudo idêntico ao que está a ser discutido nos USA sobre a teoria da evolução.
"Mas se existe liberdade de credo, não deveria haver liberdade de atender a aulas que podem ferir esse credo?"
É assim, aqui está em causa duas liberdades conflituantes, a liberdade dos pais de retirarem os seus filhos das disciplinas que consideram que o mesmo não deve ter e a liberdade de escolha futura da criança. O dilema é saber qual das duas liberdades deve ser mais valorizada e optas por essa. Eu pessoalmente julgo que a liberdade mais importante é a da criança e não a dos pais, para mais quando a liberdade que os pais querem poderá significar uma falha ao dever que têm perante os seus próprios filhos.
"e isso não impediu que os "progressistas" quisessem abdicar do direito de tornar esta disciplina facultativa."
A disciplina que tu defendes e a que passou a facultativa não são de todo a mesma discipina.
"é óbvio que o ângulo adoptado nas aulas seria sempre influenciado pelo "background" moral de quem ensina a matéria."
Não vejo porquê.
"O mesmo se passará com educação sexual. O "background" e inclinação sexual do docente influenciará sempre o tipo de aula que dá."
Espero mesmo que não aconteça, nem nesta disciplina nem em nenhuma outra. Aliás a própria profissão exige isso, e isso é identico para todas as outras disciplinas (e já agora seria justificação para serem todas facultativas).
"...e parece ter raizes mais stalinistas que liberais."
Não me parece que a liberdade de escolha seja um argumento estalinista.
Continuo sem entender
Anónimo (não verificado) on Domingo, 15/11/2009 - 00:37Passando à frente de continuar sem perceber onde está o liberalismo de uma posição que visa reforçar o carácter obrigatório de determinadas disciplinas em vez de aumentar o número de disciplinas de carácter facultativo (a tendência nos países de inclinação liberal como UK e USA), e que ainda por cima nega o direito dos pais de influenciar a educação dos seus filhos ao nível dos principios morais, atribuindo ao Estado este papel, gostaria de reiterar a ideia de que é virtualmente impossível dar aulas de educação sexual de forma neutra. E é impossível por vários motivos:
1 - Porque o simples facto de se falar de sexo ABERTAMENTE viola tradições culturais e religiosas de muitas gente. Em certas culturas o sexo só se fala entre membros do mesmo sexo ou entre casais já formados (e nalguns casos nem aí). Portanto ao falar-se de sexo em grupos mistos, na escola, entre jovens, está-se obviamente a impor uma concepção de sexo que é ocidental e secular e obrigando pessoas a abordar temas que na sua cultura pode eventualmente ser matéria do foro privado ou matéria que, simplesmente, se aborda noutros foros.
2 - A educação sexual não é o mesmo que biologia. Pode-se abordar temas relacionados com a sexualidade em aulas de biologia mas ao dedicar-se um ano lectivo inteiro à educação sexual é quase impossível manter o tema ao nível da pura abstracção (que mais não seja porque seria um aborrecimento, completament desadequado para jovens e porque não faria qualquer sentido dedicar uma disciplina inteira ao sexo se isso não tivesse um objectivo simultâneo de forma de mentalidades). Portanto, ao afastar-se da simples abstracção, o professor será obrigado a recorrer a exemplos. Ora, qualquer professor digno desse nome não ficará pela mera transmissão fria de factos pois o ensino da pedagogia desaconselha essa estratégia. O professor procurará envolver a aula no temário e a melhor forma de o fazer é gerando debate sobre temas que interessam aos alunos. Ao gerar debate, está, como disse no ponto anterior, a tornar um tema frequentemente tido como privado, público. Ainda que, no meu quadro moral, eu não veja qualquer problema nisso, estou perfeitamente consciente que para certas pessoas esse simples facto fere susceptibilidades.
3 - Decorre de 2 que quando se entra num debate e o debate tem um moderador, i.e., o professor, a idiossincrasia própria do professor afectará o rumo do debate, logo os conceitos que passam para o aluno. Um professor "conservador" acabará por deixar passar o seu ponto de vista da mesma forma como um professor "progressista" deixará passar os seus. Quando estamos a falar destes temas vale a pena começar por reconhecer que estamos a falar de professores que são pessoas e não entes frios e desapaixonados que só existem como idealização teórica.
Confesso que a vossa posição me lembra a posição dos franceses com o famoso caso da burka. Os Franceses, supremos defensores dos valores da revolução francesa que subjazem o secularismo ocidental, resolveram proibir a burka nas escolas públicas. Os argumentos são conhecidos e independentemente de se concordar com eles, nunca ninguém os pretendeu travestir de liberais. É um exemplo paradigmático de um Estado interventor e tutelar da moral pública. No País ao lado, UK, o uso da burka é legal e não passa pela cabeça de quase ninguém torná-la proibida. Porquê? Porque se reconhecem os direitos das minorias, porque se reconhece o direito dos Pais de transmitir os valores morais que bem entenderem independentemente dos valores morais dominantes no País, porque, em suma, é um Estado com tendências liberais.
Miguel Araújo
resposta
Luís Lavoura on Sexta, 13/11/2009 - 17:37(1) Não tenho absolutamente nada contra a existência de aulas de estudo comparado de religiões no liceu. Desde que essas aulas sejam efetivamente de estudo de todas as religiões, desde que tenham um programa letivo bem especificado, desde que sejam efetivametne instrução e não indoutrinação. Eu também tive aulas de filosofia quando tinha 17 anos de idade, nas quais me foram apresentadas as principais teses de diversos filósofos. Nada tenho contra aulas similares sobre as religiões do mundo. Devem ser aulas dadas a alunos mais velhinhos (16, 17 anos), não a crianças. Aliás, outros partidos liberais a nível europeu defendem, especificamente, a introdução de tais aulas sobre religião (caso do Partido Democrático do Luxemburgo, por exemplo). E eu estou perfeitamente de acordo com isso.
(2) "se existe liberdade de credo, não deveria haver liberdade de atender a aulas que podem ferir esse credo?" Não, de forma nenhuma. As aulas ensinam matéria que é cientificamente verdadeira. Matéria que é o melhor que a Humanidade sabe. Nenhum credo tem o direito de pretender manter crianças na ignorância.
(3) "É virtualmente impossível ter um programa de aulas de educação sexual sem entrar em questões morais" Não, de forma nenhuma. É totalmente possível. Basta descrever os factos da vida sexual. Factos são factos, não são morais nem imorais. São realidades. Da mesma forma que uma notícia no Telejornal sobre, digamos, um asssassino psicopata, não é moral nem imoral - é uma notícia sobre uma verdade que ocorreu. As pessoas podem ser da opinião de que o Telejornal não deveria transmitir certas notícias, mas não podem dizer que a notícia é imoral, ou que a notícia envolve questões morais. De forma nenhuma. A notícia é um simples relato dos factos. Não envolve questões morais.
Seria legítimo as pessoas defenderem que, tal como a notícia do assassino psicopata, não se deveria focar certos factos na escola, porque esses factos só devem ser ensinados mais tarde. Isso é correto - não se deve ensinar vida sexual, em todos os detalhes, a crianças de 8 anos. Mas esse argumento só vale até a uma certa idade. É indefensável que um jovem de 14, 15 anos não saiba em detalhe o que é a vida sexual. É coisa que já lhes diz respeito (no caso das raparigas, até mais novas).
Luís Lavoura
Excelente
André Escórcio ... on Terça, 10/11/2009 - 10:32É isso mesmo ;)
goste
Hugo Garcia on Segunda, 09/11/2009 - 20:27Nem mais
Um bom artigo
Miguel Duarte on Segunda, 09/11/2009 - 18:24É que a questão é exactamente essa.
Os pais, mesmo que queiram, não devem ter qualquer direito de negar aos seus filhos o direito à educação. Ter a possibilidade de se obter conhecimentos sobre a sua sexualidade e contracepção deve ser um direito básico de qualquer ser humano que em nada afecta a educação moral que os pais desejam dar aos seus filhos.
Uma coisa é os pais ensinarem aos seus filhos o que consideram certo e errado, algo que estão no seu pleno direito, outra coisa, é desejarem negar aos seus filhos conhecimentos básicos que lhes permitam escolher os meios de contracepção adequados e evitar, se for essa a sua escolha, apanhar doenças sexualmente transmissíveis.
Existem determinadas pessoas que ainda consideram que os filhos são sua propriedade. Ora, a sociedade há muito que afastou esta noção. Um pai não pode violentar uma criança ou recusar-se a dar-lhe educação, sob pena de cometer um crime ou ver-lhe a criança retirada da sua guarda. Um pai não é mais do que um guardião quando tem filhos e deve fazê-lo da forma mais responsável possível e assegurando-se a que esse ser humano irá ser livre no futuro de tomar as suas decisões de uma forma autónoma.
Quem considera que a educação sexual nas escolas é polémica, no fundo, não deseja mais do que simplesmente limitar a liberdade dos seus filhos por via da ignorância.
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