Retrato de Filipe Melo Sousa

Após receber o extracto dos dividendos, a que qualquer accionista tem direito, deparo-me com o seguinte facto: em taxas e impostos, levaram-me 95,6% daquilo que eu devia receber.

Motivos:
1) Azelhice minha ter uma posição com uns míseros 50 títulos em carteira. Só o trabalho de ir buscar os dividendos mal vale a comissão do banco.
2) Roubalheira indecente do estado português
3) Roubalheira indecente do estado americano
4) Não há acordos tributários entre EUA e UE, por isso estou sujeito às duas roubalheiras
5) As empresas americanas têm a mania de pagar dividendos trimestralmente, e não anualmente. Se fossem gente normal, só tinha de pagar os $2,5 + 0,53 IVA de comissão uma vez, e não quatro vezes ao ano, para recuperar $20.

Em suma, quero aproveitar este espaço de livre expressão para apresentar um grande protesto, e apelo a todos para manifestarem a sua compaixão perante tamanha injustiça. Fui lesado!

Ah! Bandidos! Ainda há de chegar o dia em que sou eu a mandar-vos cartas a penhorar os vossos carros luxuosos com que andam a passear de ministério para ministério!

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O melhor é abrir uma conta

Anónimo (não verificado) on Quarta, 11/04/2007 - 16:08

O melhor é abrir uma conta numa corretora americana e preencher o formulário W8 para não residentes nos states: impostos=0 ehehe

:-)

Migas_ (não verificado) on Quarta, 04/04/2007 - 13:20

Filipe,

(vou passar por cima do facto de teres acções dessa desagradável empresa LOL)

Acho que deves aumentar o factor Azelhice para 65% :-)

Se bem me lembro, embora já lá vão uns anos, existe um formulário (W4 ou coisa que o valha) que se pode enviar para a empresa que paga os dividendos (neste caso MSCorp) para que essa "withholding tax" não seja cobrada...

Cumps.

Retrato de Filipe Melo Sousa

dass

Filipe Melo Sousa on Quarta, 04/04/2007 - 18:54

Migas já tenho dificuldades em fazer o IRS, quanto mais esse formulário. Isto está tudo montado para dar muito trabalho, e um gajo não ir buscar aquilo que tem supostamente direito.

O fisco é uma máquina de criar infractores. É impossível entregar aquela porcaria e aquilo não ter algum erro. E mais revoltante é o acto de obrigarem o contribuinte a solicitar o retorno daquilo que foi colectado, num acto que indicia uma pretensa concordância deste "pacto social", uma autêntica sanction of the victim.

cada vez mais este modo de proceder se assemelha a uma religião: a igreja católica catalogou todos os prazeres e realizações do homem, e chamou-os de pecados mortais. Cada vez que o homem cometia o pecado de se gratificar, era confrontado com o código moral que o proibia de fazer tal coisa. Restava ao pecador retratar-se, e expiar o seu pecado.

Numa situação destas, é esperado que eu reze o acto de contrição: incorri no pecado de querer o retorno do meu investimento, no pecado de não perceber a máquina fiscal que eles criaram, de colocar o dinheiro numa empresa estrangeira, de não querer declarar este rendimento que nem passa pelo estado português. Sou um pecador.

E apenas alguns destes pecados confesso. Senão não passo da noite de São Bartolomeu.

Demagogia...

Rui Almeida on Segunda, 02/04/2007 - 23:28

Filipe, se tivesses 50000 (cinquenta mil) acções da Microsoft, qual seria a comissão a pagar ao Caixadirecta Invest?

No preçario que tu concordastes está mencionado qual a percentagem e a comissão minima para esse tipo de rendimento. Certo?

Pois bem, faço uma referência de um ilustre membro do MLS, anteriormente em relação aos arredondamentos da taxa de juro:
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"(...)fazia parte do contrato inicial, que eu assinei.
(...)
"A) Eu como cidadão livre e esclarecido nunca pedi este tipo de protecção ao consumo. O arredondamento não era em nada abusivo porque eu tinha consciência das condições iniciais com que concordei.
B) Num cenário de concorrência perfeita, um banco baixa o spread até começar a roer a sua margem de lucro, para cativar um cliente. Isto significa que a receita proveniente do arredondamento era necessária à sobrevivência económica da entidade bancária. Esta ingerência do governo significa um atentado à nossa banca, contra a sua sobrevivência.
B1) Estou a antecipar o vosso argumento "a banca não funciona em concorêcia perfeita". Logo, devem assumir que existe concertação de preços e políticas. Bem, se essa concertação existe, então a injustiça coloca-se no facto de serem os novos contratos a pagar a baixa de receitas provenientes da interferência nos contratos actuais. Vão ser os novos compradores de casa a pagar a minha redução. Isto é extremamente injusto! Eu quero honrar o meu compromisso. Não quero que o estado me trate como atrasado mental, e que obrigue os novos compradores a pagar o meu empréstimo. Quando alguém pedir empréstimo, agora em vez de ter 0,625 % vai ter 0,75% para que eu possa pagar 0,5%, porque o estado considera que eu fui lesado, e tenho de ser protegido.
É isto a transparência e a justiça ?"
------------------------------------------------------------------------------------
in http://www.liberal-social.org/os-arredondamentos?PHPSESSID=6af630650f17f8a8959c5dab3bd63791

portanto:
aquele valor minimo de comissão não estava indicada no preçario do serviço?
Se sim, porque reclamas, tu que é um "cidadão livre e esclarecido" que assinou o contrato?
Senão, reclama para a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (http://www.cmvm.pt).

Antes dizias "Eu quero honrar o meu compromisso" e agora, mudaste de opinião?

Retrato de Filipe Melo Sousa

Caro Rui, se fizeres uma

Filipe Melo Sousa on Terça, 03/04/2007 - 10:44

Caro Rui, se fizeres uma leitura atenta do meu most, verás que eu assumia uma má gestão da carteira à partida (a parte em que eu escrevo "motivos: 1)" pelo facto de ter apenas 50 acções daquele título, todos os argumentos que aí expões estão já apontados.

Não sei porque me acusas de demagogia. Pelo contrário, não poderia ter sido mais honesto: 50% azelhice minha, 15% estado americano, 31% estado português, e restam-me 4%. Podes ler no gráfico.

De certeza que não apanhaste o espírito do post, sobretudo a parte da auto-ironia.

mas.. as piadas têm piada quando não são explicadas

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