Há dois anos havia dinheiro para grandes obras públicas e era impensável não as fazer. Agora somos o país em que o FMI aceitou o maior aumento de IRS da história. Deixo algumas considerações sobre temas correntes que insistimos em não reconhecer.
1. Austeridade.
A crise é uma fase do ciclo económico que sucede a recessão. A austeridade aplica-se à recessão e é temporária. Ao contrário o ajustamento é, como o próprio nome indica, uma adaptação às reais possibilidades. Ao contrário da propaganda política, Portugal não volta a ser o que era, a não ser que construa de novo.
2. Gorduras do Estado
Por mais que queiramos resolver a crise taxando os ricos, renegociar as Parcerias Público Privadas, cortar nas fundações, etc, o certo é que a grande fatia da despesa dos Estado é representada pelas despesas primárias. Podemos discordar e ter opinião diferente, mas os números não mentem.
3. Cortes no Estado Social
Os cortes que têm de ser realizados com urgência recaem sobre a franja da sociedade que mais precisa, nomeadamente os desempregados e os idosos. São as despesas em proteção social e pensões que mais dispararam nos últimos anos. Com as atuais taxas de emigração, natalidade e esperança média de vida, até me custa imaginar o país daqui a 30 anos.
4. Frugalidade
Apesar de já termos ultrapassado o limite da sustentabilidade, o planeta continua em ritmo acelerado a delapidar os recursos naturais. Para além da dívida externa, também neste ponto vivemos a crédito. Embora por diferentes causas, assim como a anterior geração falhou em garantir o futuro da atual, esta não garante o futuro da próxima.
5. Fim da hegemonia do ocidente
Por um lado, o Estado perde a confiança dos cidadãos e não garante as suas responsabilidades; por outro, a solidariedade que deve existir esbate-se nas diferenças e nas concepções de direitos e deveres. Tudo isto enquanto assistimos à ascenção dos BRIC.














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