Muito se tem discutido neste blog acerca de ambiente e aquecimento global.

Uma das posições que me saltaram à vista foi afirmar-se que nada pode fazer, ou que o que pode ser feito é tomar posições radicais como deixar de comer carne ou deixar de andar de carro.

A revista visão parece que tem seguido a discussão, e apresenta 50 medidas pro ambientais, mais precisamente para reduzir as emissões de Co2.

Ver artigo: http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333112

Retrato de Miguel Duarte

É bonito

Miguel Duarte on Sábado, 24/03/2007 - 23:37

São tudo medidas meritórias. Mas o problema é que não chegam. Repara que o que basicamente eu disse foi que mesmo que a Europa faça muito, nós (UE), somos cerca de 500 milhões de pessoas. Ora esses 500 milhões de pessoas emitem menos Carbono que os 300 milhões dos americanos e não podem travar os aumentos previstos nas emissões por parte dos 1,3 biliões de Chineses e dos 1,1 biliões de Indianos.

Ou seja, nós devemos fazer tudo isso que a Visão aconselha, mas temo, que não vai ser a nossa acção que vá resolver o problema, pois, existem outros que terão que fazer um esforço, mais que o nosso, no sentido da redução, ou negar aos seus o desenvolvimento.

Não é difícil imaginar que mesmo que metade dos Europeus deixasse de usar carro (algo pouco provável) e cortasse os seus gastos energéticos para metade, os Chineses e os Indianos rapidamente vão compensar esse nosso esforço e ultrapassá-lo mesmo, por uma simples questão numérica.

Eu até compreendo um

André Escórcio ... on Domingo, 25/03/2007 - 18:34

Eu até compreendo um comentário desses vindo de um qualquer cidadão, mas nunca de um politico ou de alguém que queira ser politico.
Um politico actua na mudança e para a mudança, em politica é muito grave alguém afirmar que não vale a pena fazer nada porque não vai valer a pena.
Se alguma coisa está mal cabe ao politico fazer tudo e mais alguma coisa e estimular que se faça tudo e mais alguma coisa para mudar de rumo das coisas.

Nós devemos realmente começar por estimular tudo aquilo que a Visão propõe e complementar com politicas pro ambientais.
Somos politicos portugueses, não vamos deixar de estimular e de nos preocupar com estes aspectos pelo facto de outros países não se preocuparem.
Se todos os países pensassem assim em todas as alturas e em todos os assuntos, viveriamos ainda hoje num mundo (em termos politicos) absolutista e não num mundo essencialmente democrático.

Eu até compreendo um

André Escórcio ... on Domingo, 25/03/2007 - 18:27

Eu até compreendo um comentário desses vindo de um qualquer cidadão, mas nunca de um politico ou de alguém que queira ser politico.
Um politico actua na mudança e para a mudança, em politica é muito grave alguém afirmar que não vale a pena fazer nada porque não vai valer a pena.
Se alguma coisa está mal cabe ao politico fazer tudo e mais alguma coisa e estimular que se faça tudo e mais alguma coisa para mudar de rumo das coisas.

Retrato de Miguel Duarte

Continuas a ler as mensagens erradas

Miguel Duarte on Segunda, 26/03/2007 - 07:14

Eu disse, vale a pena fazer, eu tento dia-a-dia dar a minha quota parte para poluir menos. No entanto, pragmáticamente, considero que a humanidade está num beco sem saída ecológico. Antes das coisas melhorarem, este século será provavelmente terrível, tal como foi terrível a revolução industrial em termos ambientais na Europa e nos EUA. Tu estás já a assistir à revolução industrial na China e na Índia, que têm uma população muito maior que a Europeia + Americana juntas e a história está-se a repetir. Num dos últimos Corrier Internacional saíram vários artigos sobre a China e em terms ambientais o país está um caos.

Um político, acima de tudo, tem que ser realista e saber como resolver as questões. A abordagem do Filipe, neste caso, de relações internacionais e forçar todos a assumir a sua quota parte é fundamental, embora vá ser muito complicada no médio prazo, porque um Indiano, um Chinês, um Africano ou um Brasileiro têm tando direito a poluir como tu.

Ora, usando o sistema da pegada ecológica, com todas as suas falhas, tu gastas:

1.6 a 3.6 hectares

Um Americano ou Canadiano:

> 5.6 hectares

Um Chinês:

0.9 a 1.8 hectares

Um Indiano ou Africano:

< 0.9 hectares

Ou seja, um Português polui entre 2 a 4 x mais que um Chinês (nem poluímos muito, pois poluímos bastante menos que os americanos).

Para teres uma ideia daquilo que tens que cortar, para baixares a tua poluição ao nível de um Chinês, vai a este site:

http://www.ecologicalfootprint.com/

Usando a simulação acima, se todos no mundo:

- Não andassem de avião;
- Só se deslocassem de bicicleta e a pé para para o emprego;
- Fossem vegetarianos, cozinhem a sua própria comida e apenas de fontes locais;
- Só usassem energia de fontes renováveis;
- Vivessem com muitas pessoas em apartamentos pequenos (> 6 pessoas);
- Reciclassem todo o seu lixo;
- Quase não aqueçam a casa;
- Produzam metade do lixo de uma pessoa normal actual.

Estaríamos a consumir +- 1.5 vezes os recursos que o planeta suporta de uma forma sustentável. O problema é que fazer tudo o que eu disse acima é completamente irrealista para um Europeu ou Americano e também o será nas próximas décadas para um Chinês ou Indiano. A única coisa que pode alterar isto é no modelo do site que indiquei a eficiência da economia, que terá que aumentar significativamente para que tudo se resolva. Mas... Isso demora décadas, não vai ser da noite para o dia e, infelizmente, a população mundial continua a crescer...

Retrato de Filipe Melo Sousa

Princípio Moral

Filipe Melo Sousa on Domingo, 25/03/2007 - 22:52

André atenção à leitura que se pode tirar dessa tua conclusão. Acho que se tem de ser rigoroso.

Afirmas querer a mudança a todo o custo. Isso significa então que um político tem de querer mudar forçosamente uma situação, mesmo que a análise custo-benefício seja desfavorável? Um político não tem forçosamente de actuar para a mudança. Pelo contrário: num cenário de liberdade, eu defendo que a liberdade de cada um agir da maneira como mais lhe convém não se altere. Uma coisa é dares a liberdade a alguém de seguir uma lista de 50 conselhos. Mas defendo que sejam apenas isso: conselhos. Que caiba a cada um segui-los ou não. Afirmar que um projecto não vale a pena é um exercício de liberdade a que qualquer cidadão ou político tem direito.

Pois se para mudar algo causas efeitos preversos piores que a pretensa má situação em que te encontras, não prestaste um bom serviço à sociedade. É mais do que razoável fazer uma análise da proposta, e avaliar se esta vale a pena. Quando falas em estimular, e dizes que essa é a missão de um político estás a priori a beneficiar uma opção intervencionista para uma política governamental. Essa intervenção pode melhorar ou piorar a situação inicial. Se concluires que através da tua intervenção reduziste externalidades negativas para a sociedade a um custo menor, então a intervenção terá valido a pena. Em caso contrário, obviamente mais vale nada fazer.

A cooperação dos outros países é por isso um factor fundamental. De nada vale continuar a insistir na redução das emissões, se os outros países não cumprirem com a sua parte do acordo, ou mesmo recusarem fazer parte dele. E não podes deixar de incorporar esse facto na análise de benefício que fazes. A minha leitura da situação actual, pelo rumo que as coisas tomaram, é que é mais benéfico acentuar a pressão internacional para os maiores poluidores ratificarem o acordo. E que países como Portugal não devem aceitar continuar a colocar sobre si um fardo maior do que aquele que já têm. Pois repara que desse modo estás a premiar os mais irresponsáveis, que lucram com o custo de despoluição que os outros suportam, e sancionas ainda mais aqueles que fazem um esforço para reduzir o impacto ambiental.

Pondo então de parte esta questão de princípio, queria debruçar-me sobre as propostas da visão. Estive a percorrer a lista, e não a achei de grande utilidade. Ou porque algumas das propostas representam hábitos que já adquiri para poupar na conta de electricidade. Ou então porque se trata de propostas de grande custo para uma redução mínima das emissões. Mas mais que isto, e é sobretudo este aspecto que quero focar: este tipo de campanhas demonstram um grande desconhecimento da natureza humana ao achar que as pessoas irão reduzir as emissões por algum motivo que não seja o facto disto lhe pesar no bolso. O esforço individual torna-se inglório quando se vê que a generalidade das pessoas não dispende o mesmo esforço, e que a sociedade não premeia esta iniciativa individual.

Enquanto o sistema for à confiança, e se basear numa presumível atitude altruista global, que será a soma da atitude altruísta dos pontos individuais (que de facto não se constata), estaremos ano após ano a lamentar o facto de as pessoas não serem suficientemente dignas para se moldarem a um código moral que aqui enalteces. Esse código que se baseia no interesse individual que alguém (não) tem pelos outros. Continuam os defensores desta moral a lamentar que o mundo não se adapta ao seu modelo. E que tal questionar o código?

Filipe nem li o comentário

André Escórcio ... on Segunda, 26/03/2007 - 11:42

Filipe nem li o comentário todo, pois parte de ideias que não tenho e de expressões que não utilizei.
A leitura do que eu escrevi é simplesmente isso, ler o que escrevi e não andar a fazer inferências desmedidas.

Só quando o mundo for perfeito é que um politico tem de deixar de actuar na mudança, como nunca haverá um mundo perfeito....
Eu NUNCA disse que devia ser a tudo o custo e acho sinceramente uma barbaridade o que disseste, quer dizer ler: sabes, também te acho uma pessoa inteligente, de onde veio essa falta de capacidade de interpretar o que está escrito?

Retrato de Filipe Melo Sousa

André, tu foste claro

Filipe Melo Sousa on Segunda, 26/03/2007 - 13:36

André, tu foste claro desde o início. E a tua opção política é legítima, apenas discordo dela. Não lhe acrescentei nada no meu comentário. De qualquer modo, convido-te novamente a le-lo até ao fim se te parecer pertinente.

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