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Excerto da entrevista a António Costa e Silva, presidente da Partex, no Jornal de Negócios de 3 de Outubro
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A partir de 2011 podem faltar à Europa cerca de 70000 milhões de metros cúbicos de gás por ano, o equivalente ao consumo total da Espanha e França. A Europa importa à Rússia 25% do gás. Daqui a 20, 25 anos, vai importar entre 70 e 75%. Países como a Grécia, Finlândia ou Hungria já dependem em mais de 80% do gás russo. Depois da queda do muro de Berlim, a Europa só passou a olhar para a Rússia. Mas pode sair deste problema, porque há outras alternativas, como a Líbia e o Egipto, países com grandes reservas. E a própria Argélia pode ter mais peso.

- Podemos ficar reféns da Rússia?
Sim, se nada for feito para alterar este percursos. E o problema é que as grandes companhias monopolistas, como as alemãs e as francesas, são os principais aliados da Gazprom e da Rússia, com grandes contratos de fornecimento.

- E depois acontecem situações como a do ano passado na Bielorrússia...
Em que tudo fica bloqueado. Para evitar isso, a Europa tem de criar uma estratégia com vários pilares. Primeiro, uma aliança estratégica com a Noruega, um país que não faz parte da UE, mas que tem grandes reservas de petróleo e gás e está numa luta surda com a Rússia por causa das reservas no mar de Barents, no círculo polar Ártico. Depois, é a aposta na bacia atlântica. Temos grandes pólos de gás na bacia atlântica: Nigéria, Guiné Equatorial, Tinidade e Tobago, Venezuela, Brasil ou Angola e este eixo só funciona em direcção aos EUA e não em direcção à Europa. É uma miopia política grave.

- Como deveria a Comissão Europeia (CE) reagir?
A CE está a tentar seguir uma política correcta, mas não comanda a Europa. Só com pensamento geopolítico unificado se poderá lidar com o problema da Rússia. O pacote energético em discussão, o "unbundling" [separação das redes de produção das de distribuição de gás e electricidade], é crucial, pois só separando redes e aumentando a concorrência é que a Europa se pode defender. Um estudo da CE mostra que entre 1998 e 2006, o preço da electriccidade aumentou cerca de 29% nos países da UE onde havia monopólios a dominar e não havia separação de redes. Nos países onde havia essa separação, só cresceu 6%. A Europa, em termos de energia está prisioneira dos grandes monopólios e da falta de concorrência do sector.
Desta entrevista retiramos essencialmente as seguintes conclusões:
  1. - Sofremos de grande dependência de um vizinho fortemente duvidoso; essa dependência tenderá, se nada for feito, a agravar-se no futuro.
  2. - A existência de monopólios nacionais no seio da União Europeia, ao invés de defender esses mesmos interesses (argumento utilizado tanto à Esquerda como à Direita - veja-se o caso que recentemente trouxe de Sarkozy) representa um perigo enorme. Um só decisor que não presta contas a ninguém é permeável a manipulação política e a corrupção económica (e as intrigas palacianas sempre foram o forte dos czares).
  3. - A Europa não só tem de, como pode facilmente encontrar alternativas perfeitamente viáveis à dependência face à Rússia. E, cá para nós que ninguém nos ouve, Portugal, pela sua localização e pela sua relação com países como a Argélia, Venezuela ou São Tomé e Príncipe, seria um dos maiores beneficiados.
  4. - A questão energética é o exemplo acabado de como o Estado nacional é uma unidade insuficiente para responder as desafios actuais. Geopoliticamente temos de pensar em termos de grandes blocos (a Europa face à Rússia e satélites, a Europa face ao Magreb, a Europa face à África subsaariana, etc.); economicamente, as grandes companhias estatais que controlam produção e distribuição não protegem os consumidores.
Curiosamente - ou nem tanto - promover a luta entre diferentes empresas de produção e de distribuição poderá ser a melhor forma de vencer o combate contra o senhor Putin.
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Quanto ao Sarkozy

Filipe Melo Sousa on Segunda, 08/10/2007 - 10:49

O Sarkozy é um senhor! Um grande homem. Inveja tens tu de não haver ninguém com esse perfil em Portugal. Só implicas com ele porque ele é mulherengo, tem bom aspecto, e sobretudo, porque é judeu.

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Questões importantes

Igor Caldeira on Sexta, 12/10/2007 - 16:20

Quanto ao bom aspecto, tens o Sócrates. E o Portas bem queria, mas por muita cosmética que use, a dotação natural é insuperável.

Ele não é judeu, o que é uma pena, porque se converteu ao catolicismo (ou foi baptizado pelos pais como católico, já não sei bem). Entre um católico e um judeu, prefiro sempre um judeu. Não há muitos judeus que tenham sido idiotas ou facínoras. Já católicos...

Se é mulherengo ou não, não sei. Não leio revistas cor-de-rosa e acho que isso é uma coisa entre ele e a mulher. Tenho pena é que não se aplauda também as mulheres... bem, nem há um termo para a coisa... homen..rengos? Não faço ideia. Não é que eu ache que isso seja bom ou mau. Só acho que quem acha que um homem ser mulherengo é uma coisa boa, devia achar o mesmo das mulheres.

Gabo-lhe a vontade política, mas daí a achar que a sua vontade política é infinitamente boa ou é boa em si mesmo, vai uma grande distância. Fazendo uma comparação (que nada tem que ver com uma valoração negativa - não estou de forma nenhuma a chamar nazi nem nada que se pareça ao homem - mas apenas para que se compreenda que um tipo ter vontade forte não é bom em si) Hitler era bastante voluntarista. Olha no que deu.

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Comichões sarkozyanas

Igor Caldeira on Segunda, 08/10/2007 - 05:49

Deves ter ficado chateado por eu ter voltado a dizer mal do Sarkozy.

Liberalizar o mercado e impedir que haja monopólios que eu saiba ainda é liberalismo, mas isto sou eu que sou maluco. Reconheço que há muitos libertarianos para quem impedir que haja monopólios é um terrível ataque à liberdade dos indivíduos, mas curiosamente são sempre tão selectivos nos indivíduos cuja liberdade pretendem defender...

Paulatinamente introduzir as renováveis não é liberalismo nem deixa de o ser: é uma questão de inteligência e auto-sobrevivência.

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Monopólios Naturais

Filipe Melo Sousa on Segunda, 08/10/2007 - 10:46

O monopólio nem sempre prejudica o consumidor. Dou o exemplo dos sistemas operativos, onde não é nada benéfico para o consumidor a incompatibilidade de sistemas diversos. Tinhas também antes do monopólio da Carris nos eléctricos de Lisboa exemplos caóticos no trânsito de Lisboa, em que carros puxados por burros entupiam propositadamente os carris, de modo a colocar os electricos em cheque. Tens o metro de Nova Iorque que foi construído por 3 companhias independentes, sem correspondência entre as linhas até 1953. Muito cómodo. Provavelmente serias contra o facto de uma linha ser OPAda pelas restantes.

Não percebo qual a necessidade de diversificar em algo mais caro quando se é consumidor. Para fugir à dependência? Qual o mal da dependência, é o facto de o fornecedor de de aumentar os preços? A solução que preconizas é que para fugir da eventualidade de aumento, antecipa-lo desde já. Para evitar que o lobo te persiga, atiras-te para a boca dele. Melhor que essa só a publicidade do BES a pedir ao consumidor para fixar a taxa, e pagar desde já o pior cenário de subida da taxa de juro. É uma segurança...

Quanto à introdução coerciva de renováveis, que ninguém compraria se tivesse a opção de comprar apenas a energia barata, não te preciso de explicar qual o mecanismo de liberalização de mercado que as aniquilaria. Os consumidores não estão minimamente interessados em renováveis, mas apenas em comprar energia barata, coisa que a eólica e a fotovoltaica não são, nem de perto. Chama-lhe inteligente se achares, mas de liberal isto não tem nada.

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Questões irrelevantes

Igor Caldeira on Segunda, 08/10/2007 - 11:53

Nos transportes urbanos é vulgar a situação de monopólio. Nem por acaso, é também um dos sectores que historicamente foi mais permeável à colectivização.

Qualquer situação de monopólio tenderá a abusos e qualquer abuso tenderá a pressões políticas. Portanto, e se quisermos que o mercado funcione e não seja invadido por forças externas, devemos evitar os monopólios.

Mais ainda, e se nos transportes ainda podes argumentar com a existência de monopólios naturais, não o podes fazer na energia. Nada nos diz que o produtor de energia tem de ser só um, como nada nos diz que o fornecedor de energia ao consumidor final tem de ser só um. Eventualmente, o que podes ter necessidade é de uma entidade que faça a gestão das infra-estruturas de distribuição (cada concorrente dispôr de uma rede inteiramente própria é financeira e tecnicamente difícil, para não dizer demente).
Se não o fizeres, acabas por ter a aberração que foi a privatização das telecomunicações fixas (cobre) em que a PT desempenha simultaneamente o papel de concorrente e gestor da rede, tendo a capacidade de fazer pressões ilegítimas sobre outros concorrentes (Novis, Oni e afins).
Cada fornecedor de energia ao consumidor final, pagaria um valor à entidade gestora pela utilização da rede e compraria a energia (ou produzi-la-ía) e vendê-la-ia aos consumidores.

Se me demonstrares que acabei de dizer algo de impraticável, estou aberto a mudar de opinião. Até lá, não me parece que a energia seja um sector que exija monopólios.

Quanto às renováveis, tens duas alternativas: ou pagas hoje energia mais cara ou:
- levas com mais bombas financiadas pelas petromonarquias árabes
- aceitas um Irão nuclearizado e cada vez mais rico
- absorves, num primeiro momento, os custos do aquecimento global e uns anos mais tarde os custos da interrupção da corrente do golfo.
É tudo uma questão de escolhas. E é bastante liberal. Tens duas opções que livremente podes tomar: relativamente baixos custos presentes (e à partida transitórios, dado que a proliferação das renováveis tenderá a diminuir custos de produção) ou custos futuros permanentes. Podes é pensar que a liberdade não implica a responsabilidade, ou seja, que as escolhas são inconsequentes naquilo que te dá jeito. Mas isso é problema teu.

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obrigar os consumidores

Filipe Melo Sousa on Domingo, 07/10/2007 - 23:56

obrigar os consumidores portugueses a comprar energias de fontes renovaveis, ao dobro e quadruplo do preço da energia gerada de forma convencional, atraves do mix-mistela vendido pela monopolista EDP = liberalismo, em que mundo?

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impor novos fornecedores =

Filipe Melo Sousa on Domingo, 07/10/2007 - 23:53

impor novos fornecedores = liberalismo, em que mundo?

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"promover a luta" =

Filipe Melo Sousa on Domingo, 07/10/2007 - 23:52

"promover a luta" = liberalismo, em que mundo?

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