Retrato de Luís Lavoura

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, fez ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma proposta que me parece muito perigosa.

Ele pediu que o Conselho de Segurança enviasse para a Guiné-Bissau uma força militar com o objetivo de rechaçar o recente golpe de Estado militar nesse país.

Ora, pergunto, qual o estatuto de uma tal força, e a justificação para a sua existência?

De facto, na Guiné-Bissau não há atualmente qualquer conflito militar que precise de ser intermediado ou parado. Não há violência (de monta) na Guiné-Bissau, ninguém é ferido ou morto, não há torturas nem outras violações dos direitos humanos. Então, como se justifica uma atuação que seria, para todos os efeitos, uma invasão da Guiné-Bissau?

Com que mandado iria uma força internacional para a Guiné-Bissau? Para fazer o quê? Para re-instalar no poder as pessoas que lá estavam? Mas por quê? Para impôr uma democracia à força? Mas tal coisa é possível?

Será que não foram aprendidas as lições das desastradas intervenções militares dos Estados Unidos na Somália, nos anos 90, e no Iraque e no Afeganistão, mais recentemente?

Ou será que Paulo Portas pretende prosseguir na Guiné-Bissau a "guerra à droga" de mau efeito?

A Guiné-Bissau é um país independente. Por pior que ela seja (des)governada, deve permanecer isso mesmo. Nada justifica a proposta de Paulo Portas.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

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