Ciência e Tecnologia

Retrato de Luís Lavoura

Parece que os computadores da Autoridade Tributária têm uma curiosa falha informática que os impede de ler adequadamente as declarações bancárias relativas a transferências para off-shores. A origem e natureza dessa falha informática permanecem misteriosas.

Há que saber que as falhas informáticas podem ser introduzidas maliciosamente nos computadores. Podem ser falhas sabiamente programadas por quem tem interesse em que elas existam, e que depois são introduzidas nos computadores por meios ínvios. Conviria explorar esta possibilidade.

Retrato de Luís Lavoura

O Estado português procura, e faz muito bem, informatizar cada vez mais a sua atividade e a sua interface com os cidadãos.

Comete, porém, sistematicamente o mesmo erro: subdimensionar os seus servidores, não tendo em devida conta os picos de procura de que eles vão ser alvo.

Depois, os cidadãos vêm-se imposssibilitados de cumprir com as suas obrigações, porque não conseguem aceder aos servidores quando deles necessitam.

Isto por vezes é sua culpa, porque deixaram tudo para a última da hora; mas por vezes é culpa de terceiros.

Agora são os servidores do Portal do Finanças que estão esgotados, porque subitamente toda a gente decidiu, à última da hora, verificar e confirmar as faturas que lá se encontram. Vítima disso são os cidadãos que precisam desse serviço para outros fins e que não podem aceder em devido tempo ao Portal porque ele se encontra saturado por terceiros.

O Estado português tem que se habituar a testar cuidadosamente os novos serviços informáticos que introduz e, em particular, a sobredimensioná-los sempre, tendo em atenção que els vão ser alvo de grandes picos de procura.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo notícia que ouvi ontem, um painel de avaliação do trabalho da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) - a qual, apesar do seu nome, não é uma verdadeira fundação, mas sim, na prática, um departamento do Estado - recomendou que a FCT deixe de fornecer bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, como há muitos anos vem fazendo. O painel recomendou que a FCT passe a utilizar o dinheiro que atualmente utiliza nessas bolsas dando-o aos Centros de investigação científica portugueses, para que sejam eles a escolher os bolseiros que querem contratar e pagar.

São recomendações extremamente corretas, em meu entender, e que eu gostaria que fossem rapidamente implementadas - aliás, é lamentável que não o tenham sido já desde há alguns anos. As bolsas de doutoramento e pós-doutoramento da FCT servem na sua maioria para jovens portugueses se irem doutorar no estrangeiro ou fazer pós-doutoramentos no estrangeiro; elas constituem, de facto, não somente um lamentável subsídio estatal ao brain drain - uma vez que a maioria dos doutorados e pós-doutorados portugueses jamais regressa ao país, por não ter cá oportunidades de emprego - como um desincentivo a que os jovens portugueses procurem desenvolver o seu trabalho de investigação em Portugal. O dinheiro deve ficar em Portugal, em vez de ser delapidado em subsídios ao brain drain, e, para esse efeito, nada melhor do que fornecer o dinheiro aos Centros de investigação científica portugueses, com a condição de ele ser utilizado apenas para bolsas. Dessa forma, os Centros científicos portugueses é que serão responsáveis por contratar os bolseiros que melhor os possam servir - que frequentemente não serão portugueses mas sim estrangeiros - desenvolvendo, como se pretende, a ciência que é feita em Portugal, e não a ciência feita no estrangeiro por indivíduos de nacionalidade portuguesa - como atualmente acontece o mais das vezes.

Retrato de Luís Lavoura

José Mariano Gago, que há três dias faleceu, foi, enquanto ministro, primeiro de António Guterres e mais tarde de José Sócrates, o obreiro da transformação do sistema científico português num sistema moderno e sério, com avaliações de mérito e com bolsas de estudo.

Hoje lamento (lamentamos) tanto mais a sua morte quanto, com o atual governo, essas avaliações e essas bolsas estão entregues a um punhado de incompetentes, com o ministro Nuno Crato à cabeça.

Retrato de Luís Lavoura

O senhor primeiro-ministro ensandeceu de todo. Só pode. Veja-se o seguinte texto (tirado daqui):

<"“Durante vários anos, conseguimos transferir mais recursos para o sistema [científico] e atribuir mais bolsas. No entanto, quando medimos depois o número de patentes que são registadas, o número de artigos científicos que são publicados, quando medimos o resultado e a qualidade desse resultado, nós passávamos de indicadores que pareciam comparar muito bem com os países com que gostamos de nos comparar para comparar muito mal sempre que olhávamos à substância dos indicadores”, sustentou.

“Temos, portanto, de aprender a medir os resultados e temos de garantir que as bolsas que nós usamos para financiar os doutoramentos, os pós-doutoramentos, a investigação que é feita não corresponde meramente a uma política de recursos humanos de empregar os melhores, mas que possa resultar em ter mais gente do lado das empresas, altamente qualificada, a desenvolver investigação e a fazer a translação de conhecimento que traga valor para essas empresas e para a economia”, defendeu o primeiro-ministro."

Este texto, além de se encontrar numa realidade paralela, entre a mentira e o alheamento da realidade, não diz, além disso, coisa com coisa. O senhor primeiro-ministro encontra-se em delírio.

Retrato de Luís Lavoura

Está a causar grande revolta a opção governamental no sentido de diminuir ferozmente o número de bolsas concedidas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) (uma agência governamental) com vista à realização de doutoramentos e de pós-doutoramentos.

Embora mudanças de política desta rapidez e violência sejam em geral de evitar, não posso deixar de compreender a opção governamental.

O facto é que as bolsas concedidas pela FCT quase nunca levavam a em empregos fixos em Portugal. O facto é que a indústria portuguesa quase não contrata doutorados. O facto é que não há também vontade da parte do governo português de criar empregos (e não bolsas) no setor da investigação científica.

Portanto, na prática, as bolsas concedidas pela FCT traduziam-se (e traduzem-se) num desemprego a prazo. Findas as bolsas, investigadores na casa dos 30 ou 35 anos de idade (e sem quaisquer direitos laborais, e sem terem poupado um tostão para a reforma) vêem-se sem outra possibilidade que não a emigração.

Além de ser vergonhoso manter numa situação de bolseiro - e não numa situação de trabalhador com contrato a prazo, como deveria ser o caso - um jovem com mais de 25 anos de idade, as bolsas apenas prometiam, a prazo, o desemprego.

A única alternativa verdadeira à decisão governamental seria encetar uma política de ampliação da carreira de investigação científica, com a contratação sistemática, e com contratos por tempo indeterminado, de jovens doutorados (e com pós-doutoramentos já realizados). Mas, é claro, tal opção conduziria a uma aumento dos compromissos salariais do Estado. O que é manifestamente impossível.

Pelo que, a opção tomada pelo governo constitui o reconhecimento de que não é justo, não é correto, o Estado estar a fornecer bolsas que apenas adiam, para piores anos, uma inelutável situação de desemprego.

Retrato de Luís Lavoura

O cognome "partícula de Deus", que um qualquer físico uma vez inventou para o bosão de Higgs, é particularmente horroroso. Como seria de esperar, a comunicação social agarrou esse cognome como um cão agarra um osso, e não o larga. Além de ser horroroso pelas suas conotações religiosas, é horroroso porque o bosão de Higgs não é assim tão fundamental e tão singular como o pintam.
Um outro disparate que alguns físicos propagaram é que o bosão de Higgs é responsável por dar massa a todas as outras partículas e, de facto, a todo o Universo. A imensa maior parte da massa do Universo tem origem na cromodinâmica quântica, isto é, tem uma origem dinâmica, e obtem-se pela condensação dos quarks e gluões em hadrões que têm massa. Isso nada tem a ver com o bosão de Higgs, o qual não interfere na cromodinâmica quântica. No Universo vulgar, o bosão de Higgs apenas é responsável por dar massa aos eletrões - os quais têm uma massa pequeníssima, irrelevante para a massa total do Universo.

Retrato de Miguel Duarte

Na Holanda existe uma inovação que promote revolucionar o mundo da construção. Foi criada uma máquina que permite construir 400m2 diários de estrada/passeio com blocos. Os blocos são uma alternativa ao betume, mais amiga do ambiente (ajudam por exemplo a evitar cheias pois são permeáveis) e mais durável, além de mais estética.

 

Retrato de Miguel Duarte

O Google começou ontem a revelar publicamente o número de pedidos que recebe dos vários governos mundiais para eliminar informação online ou entregar dados que tenha nos seus sistemas. Ora, ficámos a saber que Portugal não solicitou que nenhum dado fosse removido do Google, mas, que nos últimos 6 meses de 2009 fez 45 pedidos de informação de terceiros ao Google. O Google não revela que pedidos são esses, mas podem ser por exemplo acesso aos emails arquivados no Gmail por um determinado indivíduo.

O que me parece lamentável é que efectivamente é uma novidade, pelo menos para mim, que órgãos do Estado em Portugal estejam a aceder a dados pessoas de cidadãos no Google (e presumo outros serviços), e não seja público se tal está a ser feito apenas com ordens judiciais e qual a extensão desses pedidos. Pode por exemplo um juiz solicitar todos os emails de José Sócrates numa eventual conta de Gmail que este tenha ou tem que se limitar a determinadas datas ou temas?