Ciência e Tecnologia

Retrato de Miguel Duarte

Ainda onde falei em como a solução para os problemas energéticos do mundo poderia ser a Energia Atómica. Pois, enquanto dizia isto, os nossos amigos do Texas arranjaram uma solução para se tornarem ecologistas, por preocupação com os seus bolsos. Parece que, para se extrair o crude até à última gota, é necessário injectar carbono nos poços de petróleo, ora, tal significa que estas empresas vão injectar mais 50% de carbono nos poços do que aquele que é extraído sobre a forma de crude. Estão até disponíveis para pagar cerca de 10 dólares por tonelada de carbono. Uma vez injectado nos poços, o carbono fica preso a kilómetros de profundidade, pelo que não regressará à superfície tão cedo.

Na prática, tal significa que, se esta tecnologia vingar e for útil, a extracção de crude será mais ecológica que a utilização de renováveis no que toca ao CO2, pois será negativa em termos de emissões.

Retrato de Miguel Duarte

Tirando as questões económicas, que como o Luís Lavoura afirmou, são uma questão que compete aos operadores energéticos decidir, e não aos governos, o nuclear era uma solução que me colocava grandes dúvidas devido em primeiro lugar ao problemas dos resíduos e num segundo lugar (por estar mais descansado), aos problemas de segurança.

A questão dos resíduos felizmente parece estar em vias de resolução graças aos desenvolvimentos tecnológicos, ao nível da capacidade de perfuração, da indústria do petróleo. Os Estados Unidos estão neste momento a analisar a hipótese de enterrar os resíduos entre os 3 e 5 kilómetros de profundidade, uma profundidade tal que segundo os especialistas é suficiente para efectivamente resolver o problema, dado que existe uma grande quantidade de locais com estabilidade geológica suficiente para termos a certeza que os resíduos aí irão permanecer durante os milhões de anos necessários para perder a sua perigosidade. Desde que um operador privado garanta um fundo para dar esta solução final aos resíduos, penso que a questão ficará encerrada, não passando as gerações presentes custos para as gerações futuras, que não têm culpa nenhuma das nossas necessidades energéticas (e tecnologia arcaica).

Quanto à questão da segurança, aquilo que me tem sido dado a entender, é que uma central nuclear dos dias de hoje (3ª geração) é muito mais segura que a generalidade dos reactores em funcionamento que nos foram deixados pelos nossos pais. O risco está lá sempre, mas a realidade é que os combustíveis fósseis matam pessoas todos os dias (por exemplo com problemas respiratórios nas cidades) e com um grau de certeza bem maior que a incerteza da Energia Nuclear.

Gerações de Reactores Nucleares

Face a estas evidências e tendo em conta que os próprios ecologistas embirram muitas vezes com as chamadas alternativas, por motivos como a matança de aves dos geradores eólicos até à destruição de ecosistemas pelas barragens. Passando pelas questões económicas (o nosso país necessita de ter acesso a energia barata), estratégicas (a Europa não deve estar dependente de países terceiros para a produção de energia) e ambientais (é necessário efectivamente, para bem do planeta, emitir-se menos carbono), a energia nuclear parece-me cada vez mais uma opção a ser tido em consideração no nosso país e na Europa.

Retrato de Miguel Duarte

Hoje atingiu-se mais um marco da física de partículas com mais um recorde batido pelo LHC (Grande Colisionador de Hadrões), e a passagem a produção desde dispendioso equipamento (o maior acelerador de partículas do mundo).

 

 

Pode-se acompanhar a experiência passo a passo na página do CERN no Twitter.

Retrato de João Mendes

Nos artigos online, considero que os meios de comunicação social deviam fazer um esforço (que seria mínimo) de colocar links para quaisquer documentos de que tratem e que se encontrem também online. Tanto me faz que seja no corpo do texto ou numa caixa separada colocada ao lado, ou ainda uma mistura de ambos. Seria extremamente útil para quem quisesse aprofundar a questão por si e ver com os seus próprios olhos aquilo de que se trata.

Pela minha parte, tento colocar links que permitam às pessoas seguir o meu raciocínio mas também formar as suas próprias ideias com base na informação que eu encontrei.

Retrato de Igor Caldeira

Consta que Sócrates quer adoptar uma estratégia próxima da de Obama para as próximas legislativas. Mesmo que consiga adoptar os mesmos mecanismos, Sócrates e entourage não perceberam nada de Obama.
O que faz alguém vencer só num povo de perfeitos imbecis (e há-os e muitos) pode ser o meio, o veículo, o espalhafato. Nos outros, os meios são apenas isso: meios de comunicação. /Meios/ de /Comunicação/. Ou seja, há algo a comunicar, e para tal se usam determinados meios. Ora, a primeira coisa que temos de saber é se há algo a comunicar.

Obama não tinha nada de concreto para comunicar. Obama era um sentimento, não era um argumento. Um sentimento de tão grande intensidade que em política só se tem pelo desconhecido.

E Sócrates não nos é desconhecido.

Desde logo, as vazas do PS ficam por aqui cortadas. Tão extraordinário movimento de base, possível pela internet, só se pôde iniciar porque havia uma Paixão.

Mas admitamos que pela Razão se pode originar um movimento semelhante. Aqui, a ideia de que se tem de /comunicar/ /algo/ torna-se premente. Um conjunto articulado, coerente de motivações para os cidadãos agirem por algo exige uma ideia de fundo e um plano ordenado.

Pergunto se alguém vê isso. E alargo a questão para o PSD.
Alguém vê um projecto?
Alguém vê algo de novo?
Alguém que não seja um eleitor fiel de qualquer partido consegue sequer dizer que vai votar com toda a confiança num dos partidos?

Não, não, não - é preciso ser um cretino para não ver a cretinice que temos pela frente. Como é que se vai lançar um movimento "grassroots" (usar um anglicismo é, a par do deslumbramento tecnológico e normalmente em conjunto com ele, uma das marcas da imbecilidade que grassa por aí) se não há nada de novo, se não há sentimento que não seja o desespero, e um desespero, permitam-me o pleonasmo, sem esperança (porque os americanos tinham um desespero que encontrou em algo de novo uma promessa de fim), se não sabemos nada do que os partidos querem excepto que eles querem o poder para aquilo que nós sabemos que eles querem e quanto ao mais nem eles sabem o que querem?

Antes do fogo de artifício, escolhessem ao menos para onde querem apontá-lo. O Norte não se encontra na internet, encontra-se nos ideais; e, se não houver ideais (já sabemos que não os há) ao menos que tenham ideias.
Vá lá, ideia.
Uma.
Uma que seja.

Retrato de Miguel Duarte

Derivado da recente decisão judicial na Suécia, em que os donos do famoso site Pirate Bay foram presos, o Partido Pirata da Suécia ultrapassou recentemente a barreira dos 30.000 membros, tornando-se em termos numéricos no 4º maior partido da Suécia.

Os principais pontos de luta deste partido:

  • Reforma da lei de copyrigt;
  • Abolir o sistema de patentes;
  • Respeitar a privacidade online.
Retrato de Miguel Duarte

Muito interessante este artigo da New Scientist. A questão basicamente é: Neste momento já é possível, via testes genéticos aos pais, decidir se é necessário, via fertilização artificial e selecção dos embriões, evitar que futuras crianças nasçam com uma série de doenças genéticas (herdadas de um dos pais). Qual a ética de por questões "éticas" não estarmos já a fazê-lo? Porque razão estamos a trazer ao mundo crianças com deficiências e doenças que poderiam facilmente ser evitadas?

Retrato de Miguel Duarte

Uma lista de vítimas de várias formas de ignorância e crendices.

Muito comovente.

Retrato de Igor Caldeira
Conhecer e escrutinar as compras por ajuste directo de toda e qualquer entidade pública passou a estar, desde terça-feira, ao alcance de todos os cidadãos. Este passo de gigante na transparência da administração pública não resulta directamente de uma medida do Estado, mas da iniciativa da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL).
[...]
A matéria-prima deste "milagre" da tecnologia reside nas duas bases de dados oficiais referidas, sendo que a das Obras Públicas, gerida pelo Instituto da Construção e do Imobiliário (INCI) e criada em nome da transparência dos contratos, apresenta desde o início grandes problemas de acessibilidade e erros graves. Já com cerca de 15 mil registos de ajustes directos, este portal não obedece sequer a uma ordem cronológica, nem permite a realização de qualquer tipo de pesquisas, o que o torna em grande parte inútil. Por outro lado, as informações fornecidas estão longe de ser seguras, chegando a ser caricatas.
[...]
Para explicar as fragilidades do portal Base, o presidente do INCI, Ponce Leão, disse ao PÚBLICO que o mesmo "ainda está em desenvolvimento", acrescentando que os erros que têm sido detectados correspondem normalmente a problemas na introdução dos dados e não ao software. Quanto à impossibilidade de fazer pesquisas no portal, Ponce Leão diz que os motores respectivos deverão estar a funcionar "dentro de dez dias", acrescentando que a prioridade para o INCI tem sido a criação da base de dados e a segurança do sistema.

É preciso perceber que ao passo que o INCI tem orçamentos superando sempre os 10 milhões de euros, o sítio Transparência-pt.org foi feito com os seguintes custos:

(unidades: euros e tempo-homem, para uma pessoa que nunca programou em PHP antes):
Registo do domínio: 18€
Configuração do webserver, BD do sítio e instalação do WordPress: 3min
Escolher um tema gráfico: 15min
Ajustes de configuração: 30min
Imagens de instituições públicas: 15min
Ajustes de conteúdos: 27min
Motor de pesquisa: 8h45min
Custo total: 18€ + 10h15 min

Vai um tacho?

Há dias, dizia o João Miranda do "Blasfémias" que, com o Magalhães, os miúdos portugueses «Não vão aprender a programar. Vão aprender a usar o rato para clicar em “janelas” e menus.» Não creio que o objectivo do Magalhães seja criar um povo de programadores - embora isso se torne objectivamente facilitado, a longo prazo. O objectivo será, bem como o dos programas de quase distribuição de computadores, um outro: sabendo que, por razões culturais e económicas, seria provável que a massificação do uso das novas tecnologias se poderia fazer com algum atraso, e com grandes assimetrias em termos de rendimento, habilitações literárias, etc., o "choque" permite criar a necessidade de habituação ao computador, obrigando a que o máximo de cidadãos possível - com destaque para os mais novos - aprenda rapidamente a trabalhar com as novas tecnologias. Isso permitirá que, a médio prazo, toda a sociedade possa adoptar práticas sociais tecnologicamente mais avançadas - para não se repetir o fenómeno estranho apontando por algumas pessoas na casa dos 50 anos, que se queixam de ter "pais analfabetos e filhos a trabalhar em portais de internet."
O objectivo, de facto, passa por que o máximo de pessoas possível saiba trabalhar com janelas e menus, combatendo o analfabetismo digital. Essa é uma das funções do Estado - proporcionar os meios para que todos possam aceder a oportunidades e criar as suas próprias oportunidades. Mas é possível que quem trabalha com um computador há mais de 20 anos não consiga imaginar que ainda há por aí pessoas que não saibam o que é o Windows.