Cultura

Artigos que tenham a ver com a política cultural (ex: cinema, música, pintura, escultura, ...).
Retrato de Luís Lavoura

Morreu ontem o grande mestre da sitar e divulgador no Ocidente da música hindustani.

Que eu saiba, deu um único concerto em Portugal, na Fundação Gulbenkian há cerca de 30 anos.

Retrato de João Mendes

O Luís Humberto Teixeira é um tipo porreiro, animado e inteligente. A sua sagacidade é notória e transparece na sua escrita, que flui a bom ritmo, tornando difícil largar o seu livro Verdes Anos - História do Ecologismo em Portugal (1947-2011).

Descobri que o livro existia pelo Facebook, quando o Luís Humberto me convidou para a sua apresentação ao público. Apesar de não ter conseguido ir, pedi descaradamente uma cópia ao próprio autor, que teve a gentileza de me arranjar uma cópia não apenas deste livro, mas também do seu Reciclemos o sistema eleitoral! (2003).

Tenho muitos livros que quero ler, mas fiz deste uma prioridade. O tema interessava-me e o livro não desapontou. Aliás, vai para além do que o título deixa transparecer. Dada a preocupação do Luís Humberto de enquadrar devidamente os temas que discute, com a confiança apenas possível a quem os domina, este livro fornece não apenas uma visão da História das ideologias verdes em Portugal, mas também uma base teórica para pensar sobre sistemas políticos e sociais e a forma como se influenciam.

O livro está bem organizado, pressuposto importante para uma fácil e boa compreensão do que é discutido. Primeiro, o Luís Humberto apresenta-nos uma sumária descrição das ideologias verdes, explicando as diferenças entre o ecologismo e o ambientalismo. Depois, viajamos pela Europa e pelas bem diferentes experiências verdes pelo continente. Apenas então, já com uma boa bagagem sobre as ideologias e o que se passa a nível europeu, passamos para Portugal.

Já em Portugal, o Luís Humberto fala-nos da Liga para a Protecção da Natureza e das suas actividades durante e após o Estado Novo. Fala-nos, com a maior das desenvolturas, entre outras coisas, sobre o período pós-revolucionário e dos anos 80, sobre as várias organizações não governamentais que foram surgindo, sobre o início d'«Os Verdes» e sobre a CDU, sobre o MPT e até, brevemente, sobre o PAN. Com base em entrevistas e em estudo de documentação vária, conta-nos várias perspectivas sobre o que se foi passando - e depois vai mais além.

No seu livro, o Luís Humberto não se preocupa apenas em enumerar factos que lhe foram sendo contados pelos vários intervenientes directos que entrevistou. Preocupa-se ainda em explicar o que aconteceu de um ponto de vista teórico, de enquadrar aquilo que aconteceu em Portugal nas teorias que se foram desenvolvendo com base em outras experiências. E é desta parte que eu penso ser possível retirar princípios abstractos que ajudam a pensar a forma como ideologias e formas de pensar e de agir se disseminam e procuram alargar a sua área de influência.

Diz o autor que o seu estudo surgiu devido a uma lacuna que encontrou - não havia estudos aprofundados sobre este tema em Portugal, e as referências a nível internacional eram essencialmente inexistentes. Foi para suprir esta falha que o estudo foi efectuado e, depois, que surgiu este livro. Da perspectiva de alguém de fora da área, considerei este livro uma mais-valia. Aprendi com ele não apenas um conjunto de factos sobre o ecologismo em Portugal, mas também uma proposta de enquadramento destes factos - com a qual, aliás, me identifiquei, e considerei persuasiva.

Este livro é, assim, um produto completo, o qual se lê e com o qual se aprende sem se notar. Não me sinto capaz de avaliar se supriu a lacuna que o Luís Humberto queria suprir - outros opinarão sobre isso. Mas pessoalmente, ajudou-me a assentar ideias sobre um conjunto alargado de temas, com o bónus de ter aprendido sobre ecologismo e a sua História em Portugal e noutros países europeus pelo meio. Portanto, para mim, foi uma boa leitura. E penso que será uma boa leitura para outros que tenham interesse sobre estes temas.

[Também no Cousas Liberaes.]

Retrato de Luís Lavoura

O Estado decidiu vender o Pavilhão Atlântico (PA) com o argumento de que não é função do Estado gerir equipamentos culturais. Eu aceito esse argumento. Mas pergunto: por que não utiliza o Estado exatamente o mesmo argumento para vender uma multitude de outros equipamentos culturais que continua a deter? A começar pelo Centro Cultural de Belem e a acabar no Teatro Nacional de São Carlos, diria eu, fora muitos outros equipamentos da mesma natureza mas que pertencem a autarquias locais (o antigo Cinema São Jorge é um exemplo). Será que é função do Estado gerir esses equipamentos culturais mas não o PA? Ou será que não existem investidores privados interessados em comprar esses equipamentos?

Alternativamente, pergunto, por que não faz o Estado uma concessão desses equipamentos culturais, ou por que não os arrenda, em vez de os vender? Se não é função do Estado geri-los, então o Estado poderia, perfeitamente, arrendá-los (para o exercício de uma atividade qualquer, não necessariamente cultural) ou então concessioná-los (para uma atividade bem definida e com um determinado caderno de encargos). Não seriam tais soluções financeiramente mais racionais do que a venda - agora que os preços do imobiliário estão deprimidos - e não obedeceriam, igualmente bem, à ideia de que não é função do Estado gerir equipamentos culturais? E não se impõem tais soluções, agora que é imperativo emagrecer as estruturas do Estado?

Retrato de Luís Lavoura

Muitos bloggers têm escrito muitos posts sobre a morte de Václav Havel, antigo presidente da Checoslováquia e da República Checa.

Focam-se sempre na morte de Havel, o homem político.

Eu diria que os méritos de Havel como homem político são discutíveis e apresentam algumas nódoas. Pelo contrário, os méritos de Havel como autor de peças de teatro são indiscutíveis.

É pena que Havel seja, aparentemente, tão pouco lido e representado em Portugal. Apesar de as suas peças se referirem a um período muito particular, e ultrapassado, da história política e social do seu país, trata-se de peças brilhantes e que merecem a leitura e a representação em todo o tempo.

Retrato de João Cardiga

Não é a primeira vez que leio comparações entre o comunismo (ideologia) e o nacional-socialismo alemão (regime). Tais comparações são normalmente motivadas por um profundo sentimento anti-comunista, e que como qualquer sentimento anti-qualquer-coisa tem mais de emoção do que razão. A ultima destas comparações absurdas vem apresentada n'O Insurgente, que muito ao seu estilo coloca um link de um artigo para transmitir uma ideia, neste caso um insulto, diz a propósito de Saramago que "only moral cripples are communists".

 

Não sei se a ideia é um insulto simples a Saramago, ou mostrar uma profunda incompreensão sobre a ideologia do comunismo. Ou se a ideia talvez seja suavizar o Nacional-socialismo alemão (o regime). Como sempre a intenção só o autor poderá responder.

 

Embora julgue natural um americano demonstrar tal desconhecimento e preconceito, já julgava que um europeu teria um pouco mais de cultura e conhecimento para não difundir tais comparações absurdas. Talvez se o autor compreendesse um pouco mais a ideologia comunista não teria escrito tal post. Talvez os ataques a essa ideologia fossem um pouco mais consistentes e o fizessem reflectir sobre as suas próprias posições, que muitas vezes acabam por provocar uma regressão na esfera da liberdade individual tão grande como a do próprio comunismo. Julgo que aí talvez fosse bastante mais interessante e evitasse reproduzir um insulto estupido a uma pessoa...

No mundo actual a maior parte dos Estados ambiciona ter uma economia forte e competitiva a nível global, e também um tecido empresarial extremamente produtivo, criativo e inovador. Segundo Gisele Raulik-​​Murphy, senior researcher do University of Wales Institute, uma das formas que os países têm para atingir estes objectivos é investir num Sistema Nacional de Design.

Um Sistema Nacional de Design, conforme Gisele Raulik-​​Murphy define no artigo “An International Perspective”, assenta em 4 pilares:

 

- Promoção — centros de design, exposições, publicações, prémios, conferências e demais actividades ou informação que tenham como alvo principal o público em geral;

- Suporte — programas de integração em PME’s, aconselhamento e monitorização, programas sectoriais, demonstrações e demais actividades ou informação que tenham como alvo principal a indústria;

- Educação — toda a educação, formal ou não, que permita ao designer ser um bom profissional;

- Política ou Estratégia Nacional de Design – a implementação das 3 áreas de acção acima deverá ser regida por estratégias determinadas pelo Governo que tenham em conta os principais stakeholders (a indústria, o sector do design e os próprios designers, entre outros).
 

Olhando para o ranking 2009  – 2010 das 20 economias mais competitivas constatamos a ligação entre competitividade e a aposta num Sistema Nacional de Design:
 

1. Suiça - Promoção do Design

2. Estados Unidos - Promoção do Design mas, estão a ser publicamente debatidas diversas propostas com vista a elaborar uma Política Nacional de Design (http://​www​.designpolicy​.org/)

3. Singapura - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

4. Suécia - Promoção e Suporte do Design

5. Dinamarca - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

6. Finlândia — Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

7. Alemanha - Promoção e Suporte do Design

8. Japão - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design (desde 1956)

9. Canadá — Promoção do Design

10. Holanda - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

11. Hong Kong 

12.Taiwan - Promoção e Suporte do Design

13. Reino Unido - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design (desde 1949)

14. Noruega - Promoção e Suporte do Design

15. Austrália - Promoção do Design

16. França — Promoção e Suporte do Design

17. Aústria

18. Bélgica — Promoção e Suporte do Design

19. Coreia do Sul - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

20. Nova Zelândia - Promoção, Suporte e Política Nacional de Design
 

A nível Europeu lembro as palavras de Jan R. Stavik, presidente do BEDA(Bureau of European Design Associations): “The European Commission sees design as crucial in bridging the gap between creativity and innovation today. We have achieved a genuine breakthrough for design in Europe, which can boost European competitiveness in the future”.

Talvez no futuro vejamos surgir algum tipo de Política Comunitária de Design ou a sua integração numa grande Estatégia Comunitária de Inovação. Ficamos à espera para ver o que nos trás a European Innovation Strategy a ser revelada em breve.
 

E em Portugal? O nosso país encontra-​​se no 43º lugar do index de competitividade. A nível político a importância dada ao design é mínima. Basta ler os programas eleitorais das últimas legislativas e contar as raras vezes em que a palavra “design” é mencionada por cada partido. Além disso, geralmente o contexto da menção não revela uma visão global das potencialidades do design, mas sim uma intervenção pontual na área x ou y. Resumindo, existem programas de Promoção e Suporte do Design, mas não existe em Portugal uma Política Nacional de Design.

Em tempo de crise Portugal não se pode dar ao luxo de continuar a adiar este projecto. É necessário apanhar o comboio da competitividade, sendo necessário investir nos 4 pilares que formam um Sistema Nacional de Design ou, pelo menos, que se lançar um debate público sobre as vantagens e desvantagens da criação desse mesmo Sistema e de uma Política Nacional de Design.

Retrato de Miguel Duarte

Recentemente o Luís Lavoura veio defender neste blogue a venda da RTP (Rádios(s) e Televisão(ões) de Portugal). Ora, considero que o modelo actual é apesar dos seus defeitos provavelmente o melhor possível. A RTP não é só a RTP 1 e Antena 1, é a RTP 2, são a Antena 2 e Antena 3, e são os canais internacionais que são transmitidos via satélite para os falantes de português do mundo inteiro.

Efectivamente transmitir um jogo de futebol não me parece serviço público, mas, se calhar são esse tipo de actividades que permitem manter em funcionamento os outros canais menos lucrativos do grupo. É duvidoso que pudesse existir uma rádio privada em sinal aberto para música clássica como a Antena 2, ou que pudesse existir uma rádio como a Antena 3 que se dedica a divulgar a nova música portuguesa. Tenho dúvidas que privados mantivessem a filosofia actual de um canal como a RTP 2, que não se destina às massas, mas que desempenha um papel educativo para quem deseja ser educado e deseja ter acesso a algo mais do que jogos de futebol e notícias populistas.

Podia-se vender a RTP 1 e Antena 1, é verdade, mas, e depois? Fechavam-se os outros canais ou transforma-se os mesmos em mais do mesmo (que seria o que os privados fariam)? Mantinham-se os canais alternativos nas mãos do Estado, à custa do dinheiro dos contribuintes, agora que os canais que os mantinham tinham sido vendidos? Cobrava-se uma taxa extra sobre todas as televisões e rádios privadas para manter as televisões e rádios do Estado? Pagava-se dinheiro aos privados para fazerem serviço público?

É evidente que ter uma televisão pública implica que quem está no poder tem através destes órgãos um acesso privilegiado à comunicação social, contudo, para contrabalançar esse poder já existem órgãos de comunicação privados (que mesmo assim não são tão independentes como gostaríamos) e é possível ter-se modelos de governance que mantenham a autonomia dos jornalistas e das redacções, conseguindo eventualmente até mais liberdade editorial para os jornalistas públicos (cujos órgãos de comunicação não precisam de depender das audiências e publicidade do Estado), que para os jornalistas privados (que devem obviamente continuar a existir).

Sou liberal, mas não defendo a privatização de tudo a qualquer custo. Para se ser verdadeiramente livre é necessário ter-se educação e, mesmo nos dias de hoje, a televisão é um meio previligiado para o fazer. Se neste momento, aparentemente, temos uma televisão pública que cumpre este papel e que ainda por cima não custa dinheiro aos bolsos dos contribuintes, se calhar, isso quer dizer que temos um modelo que deve ser aperfeiçoado e não destruído como o Luís propôs.

Retrato de João Mendes

O tema do incêndio que arrasou o local onde se encontrava o Hot Clube tem incendiado este blogue. A música não é a minha área e, devo confessar, não conhecia o Hot Clube. Fui investigar antes de entrar na discussão, o que foi difícil dado que tenho tido pouco acesso à Internet. No entanto, em muito pouco tempo, consegui obter a seguinte informação:

O Hot Clube é uma associação de cariz não lucrativo que se dedica à promoção do jazz.

É uma instituição de utilidade pública sujeita ao regime que regula todas estas entidades, com direitos e deveres (incluindo, por exemplo, o dever de "[se abster] de fazer uso do seu estatuto de utilidade pública para exercer actividades susceptíveis de reduzir a capacidade competitiva dos demais agentes económicos" e "[de a]ssegurar que, nos documentos de prestação de contas a remeter à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros e sempre que tal se aplique, se encontrem devidamente autonomizados os custos e receitas relativos às actividades que não podem ser abrangidas pelos benefícios que o estatuto de utilidade pública comporta sem que se verifique a violação das regras da concorrência.") que daí decorrem. Aliás, para ser uma instituição de utilidade pública, a House Clube não poderia ser uma empresa, como decorre do regime mencionado.

O edifício em que mantinha a sala de concertos, que foi destruído pelo incêndio, pertencia à Câmara de Lisboa, que agora procura uma alternativa para que os concertos já programados tenham lugar.

Portanto, o Estado assumiu um compromisso com o Hot Clube e o Hot Clube assumiu um compromisso com o Estado ao adquirir estatuto de pessoa colectiva de utilidade pública. Adquirir esse estatuto tem benefícios (fiscais, tendo em conta a sua natureza não lucrativa, e algumas regalias ), mas também tem deveres. Nada indica que o Hot Clube não tenha cumprido os seus deveres, antes pelo contrário. Nada indica que não tenha cumprido as regras que salvaguardam a concorrência.

Assim, a lei deve ser cumprida, e quero desejar a todos os amantes de jazz que aqui se pronunciaram boa sorte no que toca a que os concertos previamente programados tenham lugar.

P.S. Não conhecia o regime português das pessoas colectivas de utilidade pública. Fiquei a conhecê-lo e parece-me bem construído, principalmente a preocupação com as regras relativas à concorrência. A associação que fomenta entre o Estado e a sociedade civil, bem como a promoção de actividades (neste caso culturais, mas também outras) levadas a cabo por esta última, parece-me de saudar num país em que a sociedade civil precisa de espevitar. Gostaria de ver em Portugal uma sociedade civil que não dependesse tanto de cooperação com o Estado, no entanto.

P.P.S. Tratando do tema da lei da renda, aquilo que sei indica-me que o mercado do arrendamento em Portugal anda fraco, e não me parece alheio a este facto os preços das rendas serem regulados nos termos que são. No entanto, nada disso estava em causa neste caso.

P.P.P.S. Encontrei um artigo sobre a história do Hot Clube.

Para alguns públicos as referências de Portugal são o Ronaldo, as sardinhas e o benfica.

Para os outros uma das maiores referências Portuguesas é o Hot Clube.

O Hot Clube é uma referência da qualidade na música JAZZ não apenas para Portugal, mas para toda a Europa.
Pela sua antiguidade, pela sua história, por todos aqueles que lá passaram e por todos aqueles que lá aprenderam sobre música é um dos grandes motivos de orgulho na nossa cultura.

Para além de uma referência cultural é também uma escola de música extremamente conceituada. Em Portugal, quem deseja aprender música clássica vai para o conservatório, quem quer aprender música Jazz vai para o Hot Clube.

É verdade que o Hot Clube não é para toda a gente, mas isto porque o Jazz não é para toda a gente.

Não acho que ninguém seja menos por apenas apreciar a música dita Pimba ou a música da Popóta, mas desce na minha consideração quem vê com indiferença arder um dos maiores (para não dizer o maior) marcos de cultura do mundo em Portugal.

Sabem? É que foi no Hot Clube que eu, como tantas outras pessoas, aprendi a ouvir jazz. Numa típica sexta-feira, em que pessoas se amontoavam nas escadas para conseguirem ouvir Jazz do melhor ao vivo, consegui perceber que todos aqueles sons que pareciam desnorteados, cada um para seu lado, na verdade completam-se numa harmonia constantemente inesperada.

Por alguma razão inexplicável, a música, especiamente o Jazz sabe muito melhor se for consumido no momento da sua concepção.

Mas a cultura é muito mais do que esse prazer egoísta de quem a faz ou de quem a consome.

Após a II Grande Guerra, o Mundo estava decepcionado com a Europa e com toda a cultura Europeia. Toda a imagem de sofisticação, civilização e altivez tinham sido arrasadas por uma guerra bárbara. Já ninguém olhava para a Europa como o exemplo a seguir e as referências culturais começaram a vir, como nunca antes, de África e da América.

A leveza da valsa foi substituída pelo peso das danças sul-americanas, a ordem e a pureza dos grandes bailados foram trocadas pelas expressões intensas das danças africanas.

E a música clássica, que era tocada em grandes salões para públicos selectos, tentando os músicos ser o mais fiéis à sua pauta seguindo valores de rigor e perfeição foi substituída por essa música dita de selvagens que era o jazz. Em caves escuras e cheias de fumo, como o foi durante décadas o Hot Clube, grandes músicos espalharam pela Europa a arte do improviso na música. Brancos e negros, ricos e pobres aprenderam a ouvir essa música que alcança a excelência sem nunca parar de criar, sem nunca parar de improvisar.

O Jazz encheu o planeta de ritmo durante todo o século XX, mas foi num contexto de pós-guerra que realmente aprendemos a apreciá-lo.

Ouvir e apreciar Jazz ajuda-nos a lembrar que a excelência encontra-se na diversidade, na compreensão entre os povos e que temos sempre espaço para inovar e improvisar.

Por favor, respeitem a cultura

P.S. Não sei quanto custa a renda da cave utilizada pelo Hot Clube. Mas sinceramente, de que é que isso interessa quando o valor do que se produz lá dentro é tão elevado?

Afinal o Saramago sempre se excedeu.
O próprio admitiu. Portanto, esse ponto está decidido.

A outra questão é se a Bíblia é um manual de maus costumes. O próprio Saramago disse que isso é um mau comentário que não devia ser levado a sério. Algo como uma liberdade de autor. Portanto, não é para ser levado a sério.

Outro ponto discutido é se a bíblia deve ser lida à letra e o representante da igreja presente no debate disse que a bíblia não é para ser discutida à letra.

O Saramago disse ainda que não gosta de criar polémica gratuita indicando que esse comportamento não é correcto.

Falta saber então porque o fez.

O direito ao respeito também é uma liberdade.