Cultura

Artigos que tenham a ver com a política cultural (ex: cinema, música, pintura, escultura, ...).

Santana Lopes está de parabens.

Não é todos os dias que temos a hipotese de lhe dar os parabens e eu não vou perder esta, que pode ser a última.

Uma jornalista interrompeu uma entrevista com Pedro Santana Lopes para dar atenção à chegada de Mourinho a Portugal. Para quem não conhece, Mourinho é um treinador de futebol.
Quando a jornalista tentou retomar a entrevista, Pedro Santana Lopes recusou-se a continuar e abandonou o estúdio.

A razão foi simples: Interromper uma entrevista política com um ex-primeiro ministro para transmitir um não-evento de uma figura desportiva é algo muito pobre de espírito.

Ao saber da demissão da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, chego à conclusão de quem tem ideias e apresenta resultados acima dos esperados é um fardo para os actuais dirigentes políticos.

É sabido que a ex-directora do referido Museu opõe-se fortemente ao actual modelo de gestão de museus, pedindo uma maior autonomia financeira e administrativa, e não terá razão?

Ora todo o dinheiro que os museus, que tiverem na rede do IPM, consigam por si, através de vários mecanismos, um deles é o mecenato, terá que ser dividido por todos, tenham ou não conseguido resultados positivos. O que se passa é que o Museu de Arte Antiga através do mecenas Millennium BCP angariou 500 mil euros e só recebeu 360 mil euros. O argumento, que muitos acharam lógico, foi o de que se a Directora do Museu está em desacordo com as actuais regras, o melhor será demiti-la, não tendo em consideração o excelente trabalho e os diverso elogios, do próprio IPM, à dinamização que consegui criar no Museu.

Citando parte da noticia do Jornal Sol "A ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga defende que instituições como a que até agora dirigiu carecem de autonomia para gerirem os seus recursos e poderem realizar iniciativas e tomar decisões sem depender da autorização dequaisquer organismos externos, que nas suas palavras exercem uma acção «paralisante».", Não seria, o mais indicado, problematizarmos o problema levantado pela historiadora Dalila Rodrigues e rever a actual lei orgânica de gestão dos Museus? Ou será melhor demitirmos indivíduos que apresentam bons resultado ao nível da gestão e dinamização cultural?

Parece-me que a Cultura neste pequeno rectângulo é algo de acessório e dispensável, esquecem-se que um Povo Culto, pressupondo também a educação, faz com que se avance e não se retroceda, tornando-se difícil a sua manipulação e este exigirá maior qualidade dos dirigentes políticos.

Mais uma vez teimamos em não querer aprender com a história ao deixar no esquecimento as palavras de Almeida Garrett - um dos defensores do liberalismo no séc. XIX em Portugal - aquando da criação do Teatro Nacional "Este é um século democrático; tudo o que se fizer há-de ser pelo povo e com o povo... ou não se faz. (...) querem pasto mais forte, menos condimentado e mais substancial: é povo, quer a verdade. Dai-lhe a verdade do passado no romance e no drama histórico (...) o povo há-de aplaudir, porque entende: é preciso entender para apreciare gostar.".

Para bem da cultura, espera-se que a historiadora Dalila Rodrigues não se afaste ou não a afastem por completo para que consiga encontrar um lugar onde continue com a sua contribuição.

Recordo-me de ver os Simpsons no Canal 1, no início do anos 90, uma vez por semana.
O governo da altura, que censurou o livro de José Saramago, deveria igualmente ter censurado esta série...

Retrato de Luís Lavoura

Filipe La Féria vai iniciar a sua concessão do teatro Rivoli, no Porto, com a apresentação do musical "Jesus Cristo Superstar", de Andrew Lloyd Weber, numa versão portuguesa por ele concebida. Ouvi-o esta manhã na Antena 1. Disse que se trata de ver se o público portuense estará interessado neste género de espetáculo, no musical, na ópera-rock. Mais disse que o espetáculo estará em cena por um tempo indefinido, ou seja, enquanto a venda de bilhetes o justificar.

Veja-se a lufada de ar fresco que a concessão do Rivoli a um privado traz. O privado experimenta um novo tipo de espetáculo para ver se o público se interessa nele; não se trata de impôr um espetáculo ao público, como nos velhos tempos da gestão camarária - trata-se de ver se o público estará interessado no espetáculo; o privado inova e investe, mas fá-lo em função daquilo que calcula serem os gostos do público. Concomitantemente, o espetáculo permance em cena em função do interesse do público - pode permanecer duas semanas ou dois meses ou dois anos, consoante o público vá sempre comprando bilhetes ou não; em tudo diferente da gestão camarária, na qual o teatro é cedido a um determinado espetáculo de uma determinada companhia por um tempo fixo, sendo que por vezes nunca chega a haver vendas de bilhetes que justifiquem a sua permanência no palco, noutras vezes o espetáculo vai-se embora quando ainda todas as sessões têm sala cheia.

Assim sim: cultura para o povo, para quem a quer ver e pagar, não para quem a faz.

Notas: Nada me liga a Filipe La Féria, que não conheço pessoalmente e do qual nunca assisti a um único espetáculo. Não aprecio particularmente musicais e de forma nenhuma pretendo recomendar o presente espetáculo de La Féria.

A Dutch TV station says it will go ahead with a programme in which a terminally ill woman selects one of three patients to receive her kidneys. Political parties have called for The Big Donor Show to be scrapped, but broadcaster BNN says it will highlight the country's shortage of organ donors.

"It's a crazy idea," said Joop Atsma, of the ruling Christian Democrat Party. "It can't be possible that, in the Netherlands, people vote about who's getting a kidney," he told the BBC. The programme, from Big Brother creators Endemol, is due to be screened on Friday night.

The 37-year-old donor, identified only as Lisa, will make her choice based on the contestants' history, profile and conversation with their family and friends. Viewers will also be able to send in their advice by text message during the 80-minute show. The Dutch donor authority has condemned the show, as have kidney specialists in the UK.

"The scenario portrayed in this programme is ethically totally unacceptable," said Professor John Feehally, who has just ended his term as president of the UK's Renal Association. "The show will not further understanding of transplants," he added. "Instead it will cause confusion and anxiety." Professor Feehally also pointed out that, under normal circumstances, two people would benefit from a donor, each receiving one kidney. "The set up of the programme bears no relationship to the way decisions are made about transplants in the real world," he said. "Living donors can choose altruistically to give one of their kidneys - usually to a family member. "If organs become available after someone dies, health professionals with access to detailed information about those waiting for a transplant make objective decisions about who should receive those particular kidneys."

The former director of TV station BNN, Bart de Graaff, died from kidney failure aged 35 after spending years on a transplant waiting list. "The chance for a kidney for the contestants is 33%," said the station's current chairman, Laurens Drillich. "This is much higher than that for people on a waiting list. We think that is disastrous, so we are acting in a shocking way to bring attention to this problem."

"For years and years we have had problems in the Netherlands with organ donations and especially kidney donations," agreed Alexander Pechtold of D66, the Dutch social liberal party. "You can have a discussion about if this is distasteful, but finally we have a public debate," he told BBC Radio 4's Today programme.

TV critics in the UK have expressed horror at the programme, but said such a show would be unlikely in Britain. "My first reaction, probably everyone's reaction, is that this is as dangerously near as we've got to a TV programme playing God," said Julia Raeside of the Guardian newspaper. "People may live or die on the result of a game show. It's a step too far. I don't think this is anything to do with reality TV. It's just a crazy idea that would never play out over here."

http://news.bbc.co.uk/2/hi/entertainment/6699847.stm

A praxe pode ser definida como um rito de iniciação à vida académica.

A praxe em si não tem nada de errado desde que respeite a lei. A praxe pode ser feita em respeito pela lei e em respeito por prncípios liberais.

Um exemplo do que estou a dizer:

Na FEUNL foram cometidos vários excessos na praxe no ano 1993/94. Com direito a capa do Diabo e tudo. A primeira reacção foi a proibição da praxe. A associação de estudantes fez uma proposta alternativa. Acabar com a anarquia vigente e propor um conjunto de regras que limitasse a praxe (não sei se estão a ver aqui a analogia).

Em 1994/95 foi instaurado um código de praxe de carácter liberal. Só é praxado quem aceitar as condições da praxe. Os caloiros podem sair da praxe em qualquer momento. Mesmo que aceitem a praxe será respeitada a sua integridade física e é proibida a extorsão de qualquer feitio ou forma.

O resultado foi que a praxe passou a ser de facto um ritual de iniciação. Faço notar que os caloiros eram humilhados e gozados à mesma (a teoria é que os une). Não havia abusos físicos, não existia extorsão. Quem queria sair saía. Acreditam que a maioria queria ser praxada?

Nem anarquia nem proibição. Liberdade.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Não deixei de achar piada à imagem do rei Xerxes. Uma figura ridícula, andrógina e mega-narcisista. Ao estilo do freezer no Dragon Ball, ou mesmo das suas forças especiais. Ri-me que nem um perdido no cinema.

Para quem nao conseguir ler as falas do presidente do Irão:

"This is Hollywood propaganda! I am much smarter than this!
And I am not Kind!"

Retrato de Miguel Duarte

Alguns dados interessantes, cruzando informação divulgada pelo ICAM.

Documentário "Coisa Ruim"

Espectadores - 28.846
Subsídio Público - 650.000 €
Subsídio/espectador - 22,53 €

Filme "Filme da Treta"

Espectadores - 278.421
Subsídio Público - 0 €
Subsídio/espectador - 0 €

Filme "Vanitas"

Espectadores - 493
Subsídio Público - 648.500 €
Subsídio/espectador - 1315,41 €

Filme "Veneno da Madrugada"

Espectadores - 192
Subsídio Público - 150.000 USD
Subsídio/espectador - 781,25 USD (693,20 €)

Documentário "Lisboetas"

Espectadores - 15.246
Subsídio Público - 33.968 €
Subsídio/espectador - 2,23 €

E agora uma questão. Se fossem o ICAM, a quem dariam o vosso dinheiro? ;)

Opções:

a) Aos que não precisam do vosso dinheiro pois têm espectadores
b) Aos que precisam (desesperadamente) do vosso dinheiro pois não têm espectadores
c) A ninguém, em vez de ver o "Vanitas" prefiro pagar menos 1.315 € de impostos

Retrato de Filipe Melo Sousa

Um Argumentum ad Tabacum (Latim, argumento apelando ao tabaco) é uma falácia lógica, identificada quando alguém responde a algum argumento com um ataque pessoal a quem utilizou o argumento, apontando a este o seu vício tabagista. Ou seja, não se questiona o argumento, mas sim quem o colocou. A forma básica de um Argumentum ad Tabacum é a seguinte:

1. A considera B verdadeiro;
2. A fuma;
3. então B é falso.

Claramente, B não deixa de ser verdadeiro ou falso dependendo das pessoas que o consideram verdadeiro. O argumentum ad tabacum é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas. Este é uma sub-espécie de um argumento ad hominem. O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade.

Esta é a crítica de raciocínio que os “maninhos” têm utilizado ad nauseam, para contrapor às declarações de Luís Lavoura. Caso haja outro argumento a acrescentar, convido-os desde já a intervir neste fórum. Ora, em alguns casos, o argumento ad hominem não é falacioso e deve ser levado em conta. Nomeadamente sempre que o ataque pessoal esteja correlacionado com o interesse pessoal do interveniente em provar a tese em discussão. É o argumento “poço envenenado”: coloca em foco a validade do argumento, e a imparcialidade do adversário, sugerindo que o último tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista. Exemplo:

A: Fumar não causa nenhum tipo de mal. B: Você é dono de uma grande empresa de cigarros, é claro que dirá isso!

Precisamente este ataque pessoal não é falacioso e deve, muito bem, ser levado em conta. Concluindo: ao denunciar um arugmento ad hominem temos de nos assegurar da independência da fonte que se propõe a provar/desmentir um determinado facto com o ataque pessoal apontado. A independência dos dois factos permite-nos afirmar que estamos perante um argumento ad hominem de facto. Vamos então directo à discussão que desencadeou as várias respostas ao alegado apelo ao tabaco por terras dos manos. O nosso blogger Luís Lavoura vem afirmar: “Não estou interessado em ler coisas de uma senhora que (…) se fazia fotografar de cigarro na mão”. Esta é um afirmação bastante vasta. Não quer isto dizer que a validade de algum argumento de Oriana Fallaci seja posto em causa em causa devido a isto. O Luís Lavoura diz simplesmente que não vai ler os livros dela, após essa primeira constatação. Quero aqui fazer reparar que a recusa antecede a análise dos argumentos. Não se está perante a argumentação ou perante alguma argumentação de Oriana Fallaci, pois esta nunca chegou a ocorrer. O Luís Lavoura simplesmente diz que não se vai propor a apreciar os seus argumentos, e vai desviar a sua atenção a estudar outro assunto do seu interesse, como é do seu direito. Talvez até exista à priori algum juízo feito quanto à correlação desse hábito com algumas das teses de Oriana Fallaci.

Quero aqui afirmar, que se este é o método heurístico do Luís Lavoura, ninguém o deve pôr em causa. A Oriana Fallaci foi uma escritora que publicou várias obras para quem as quisesse ler. Ninguém se pode sentir prejudicado por um terceiro não querer se relacionar comercialmente com ele comprando as suas obras, mesmo que os motivos dessa recusa sejam irracionais. Afinal, numa sociedade livre, as trocas surgem para bem de ambas as partes. Esta é uma constante da natureza humana: agimos com racionalidade limitada, em termos de:

- tempo: não nos podemos debruçar sobre todos os assuntos que desejaríamos
- raciocínio: não somos máquinas perfeitas. Erramos nas nossas apreciações
- conhecimento: não podemos argumentar à luz de todo o conhecimento, pois muitos dos mistérios do universo ainda estão por descobrir

Que propõe então os caros maninhos? Que o Luís Lavoura leia toda a bibliografia da Oriana Fallaci, para o fim concluir que se tratou efectivamente de tempo perdido? Ou que leia os ditos livros, para no fim concluir que até há algo com interesse mas que o tempo teria sido mais bem empregue a ler outra coisa? Já muitas vezes fui por exemplo confrontado com as obras do José Saramago, sempre afirmando que não teria nenhum interesse em ler as obras desse senhor. Os meus interlocutores sempre me vieram afirmar que eu deveria primeiro ler todas as obras deste autor (o que me iria obrigar a ficar 2 meses sem sair de casa, em prejuízo dos meus estudos ou do meu trabalho), e depois voltar a emitir um juízo de valor sobre este assunto. Outro exemplo: já me vieram com afirmações teoria-da-conspiraçãomentistas sobre o 11 de Setembro. Ao afirmar que não acreditava nas mesmas, disseram-me que eu primeiro teria de ler várias e longas páginas de um determinado site, que afirma que isto tudo é verdade e está bem fundamentado. Ora, se eu me tivesse posto a ler na net essas teorias da conspiração em todas as páginas da especialidade que afirmam que têm uma teoria bem fundamentada, a verdade é que eu ainda não teria saída de casa desde os atentados.

Eu quando olho para o José Saramago vejo um homem feio, com óculos de fundo de garrafa, militante do PCP, e com discursos enfadonhos quando é entrevistado. Ele transparece uma grande amargura perante a vida, e quando foi receber o prémio o seu semblante em vez de transparecer contentamento ou orgulho, pelo contrário transparecia uma atitude enaltecedora da modéstia, apelando à glória de não ter nenhuma glória. Pois, não estou interessado em ler nada deste senhor!

Retrato de Filipe Melo Sousa

O apelo ao ridículo é uma falácia de pensamento, que consiste em ridiculizar as consequências de uma premissa que se quer demonstrar ser errada. Ao constatar que as consequências dessa premissa são desagradáveis, mesmo que verdadeiras, conclui-se que a preposição está errada. Funciona da seguinte forma:

Se P, então Q vai acontecer
Q é indesejável
Logo, P está errado

Exemplos:
(1)" Se a teoria da relatividade do Einstein estiver certa, issso significaria que ao conduzir o meu carro, este torna-se mais pequeno e mais pesado ao aumentar a velocidade. Isto é ridículo".
(2)" Se a teoria da evolução das espécies de Darwin estiver correcta, isto significaria que os meus antepassados eram macacos. Isso é ridículo".
(3)" Se um dia a consciência humana pudesse ser reconstituída em laboratório, isso quereria dizer que nós não passamos de máquinas sofisticadas. Isso é ridículo".